Dólar fecha com variação modesta ante o real apesar de avanço no exterior

Publicado em 14/10/2026 17:17

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 14 Out (Reuters) - O dólar fechou a quarta-feira com uma variação pequena ante o real, com investidores no Brasil à espera da divulgação de nova pesquisa eleitoral, enquanto no exterior a moeda norte-americana subiu ante boa parte das demais divisas.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação positiva de 0,14%, a R$5,0298. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,37%.

Às 17h11, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- subia 0,08% na B3, aos R$5,0485.

Os EUA informaram que seu índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,6% em setembro, em linha com o projetado por economistas ouvidos pela Reuters.

Imediatamente após a divulgação, os rendimentos dos Treasuries subiram e o dólar ganhou força ante boa parte das demais divisas, incluindo o real, em meio ao aumento das apostas de que o Federal Reserve poderá subir novamente os juros no curto prazo.

Às 10h20, já após o resultado do CPI, o dólar à vista atingiu a máxima intradia de R$5,0558 (+0,66%), em um momento em que a moeda norte-americana também acelerava ante outras divisas de países emergentes. Durante a tarde, porém, a moeda voltou a se aproximar da estabilidade ante o real.

No campo político, a expectativa girava em torno da nova pesquisa Quaest sobre a disputa pela Presidência, a ser divulgada após as 18h. Na terça-feira, outras pesquisas -- entre elas uma do BTG/Nexus -- mostraram empate técnico no segundo turno entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Pela manhã, Flávio disse que participará do debate eleitoral promovido pela Band no próximo domingo, após ter afirmado na terça-feira que não iria ao evento. Lula já havia confirmado sua participação.

Flávio segue como o nome favorito da Faria Lima, que vê em sua eleição a possibilidade de maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado propostas concretas de ajuste até o momento.

Na visão de boa parte dos agentes do mercado, o equilíbrio das contas públicas abriria espaço para juros mais baixos, o que se refletiu na semana passada na redução de prêmios na curva de DIs e no recuo do dólar ante o real. Nesta semana, porém, o dólar já voltou a ser negociado acima dos R$5.

Pela manhã, sem efeitos no câmbio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o setor de serviços recuou 0,1% em agosto ante julho e teve alta de 0,6% ante agosto do ano passado. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam alta de 0,4% na margem e elevação de 1,1% na comparação anual.

À tarde, o Banco Central informou que o Brasil teve um fluxo cambial total positivo de US$3,214 bilhões em outubro até o dia 9, sendo que apenas na semana passada entraram no país US$2,415 bilhões líquidos, na esteira do resultado do primeiro turno da eleição presidencial.

Após Flávio ficar à frente de Lula no primeiro turno, houve na semana passada um forte avanço da bolsa brasileira e uma demanda maior por títulos brasileiros, o que também se refletiu no câmbio.

Entre 5 e 9 de outubro, entraram no país US$4,127 bilhões pelo canal financeiro, que contabiliza investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações.

Já o leilão de swap cambial programado para o fim da manhã, para rolagem dos vencimentos de 3 de novembro, foi cancelado pelo Banco Central por problemas técnicos. Na véspera, o BC também havia cancelado a operação por problemas técnicos.

Às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,36%, a 102,550.

(Edição de Isabel Versiani)

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