Pouco mais da metade dos candidatos em disputas acirradas pelo Senado dos EUA dizem que aceitarão resultados
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Por David Morgan
WASHINGTON, 15 Out (Reuters) - Pouco mais da metade dos candidatos dos principais partidos nas disputas mais acirradas pelo Senado dos EUA afirmaram à Reuters que aceitarão os resultados eleitorais, independentemente do desfecho, enquanto alguns demonstraram certa incerteza a menos de um mês das eleições de meio de mandato de 3 de novembro.
A Reuters perguntou aos candidatos republicanos e democratas ao Senado e às suas equipes de campanha se aceitariam os resultados eleitorais em 13 Estados que podem determinar qual partido controlará a câmara alta do Congresso nos últimos anos da Presidência de Donald Trump.
A agência de notícias também buscou saber suas posições sobre uma possível intervenção eleitoral por parte do governo Trump. A Reuters conversou com alguns candidatos pessoalmente, mas realizou a maioria das consultas por email ou mensagem de texto.
As respostas contraditórias destacam a incerteza que paira sobre as eleições intermediárias, quase seis anos depois que Trump tentou reverter sua derrota nas eleições de 2020 para o ex-presidente democrata Joe Biden. Antes da votação deste ano, Trump tem feito repetidos esforços para federalizar as eleições estaduais, obter acesso aos cadernos eleitorais estaduais e aos registros de votação, além de acusar os democratas de fraude eleitoral sem apresentar provas.
Atualmente, os republicanos detêm uma maioria de 53 a 47 cadeiras no Senado. Mas o índice de aprovação de Trump, que atingiu um nível historicamente baixo, e os altos preços da energia e de outros bens, gerados por sua política de tarifas e pela guerra com o Irã, prejudicam os republicanos, mesmo em Estados que normalmente tendem a votar neles, aumentando as esperanças dos democratas de assumir o controle do Senado. Os democratas já são favoritos para conquistar a Câmara dos Deputados, afirmam analistas independentes.
Das 26 campanhas pesquisadas, as de nove democratas, um independente e quatro republicanos afirmaram que seus candidatos aceitariam os resultados sem condições.
Em um momento em que autoridades eleitorais estaduais e locais se preparam para a possibilidade de intervenção do governo Trump, alguns democratas criticaram as restrições ao voto impostas pelos republicanos e enfatizaram a necessidade de garantir que todos os votos válidos sejam contados, enquanto alguns republicanos acusaram os democratas de minar a confiança do público nas eleições.
Em quatro disputas — Alasca, Iowa, Maine e New Hampshire — as campanhas de ambos os partidos afirmaram que aceitariam os resultados eleitorais sem condições. Em outras cinco disputas — Kansas, Michigan, Nebraska, Ohio e Carolina do Sul — os democratas sinalizaram aceitação, enquanto os republicanos deram respostas condicionais ou não abordaram a questão.
Pelo menos uma campanha não respondeu às perguntas da Reuters nas disputas restantes: Carolina do Norte, Geórgia, Minnesota e Texas. Os motivos para essa reticência não ficaram claros.
ELIMINANDO A INTERFERÊNCIA
“Esperamos plenamente uma eleição justa, na qual todos os eleitores qualificados da Geórgia possam ter certeza de que suas vozes foram ouvidas”, disse Ellie Dougherty, porta-voz da campanha do senador democrata Jon Ossoff, que busca seu segundo mandato na Geórgia, um importante campo de batalha na pressão do governo pelo acesso a dados eleitorais e registros eleitorais.
“Mas se houver preocupações críveis de interferência por parte do governo Trump, ou de qualquer entidade, vamos empregar toda a força de nosso aparato jurídico para eliminar essa interferência”, declarou Dougherty em comunicado.
A campanha do republicano Mike Collins, adversário eleitoral de Ossoff, não respondeu às repetidas solicitações da Reuters em busca de comentários.
A senadora Susan Collins, do Maine, foi a única republicana cuja campanha abordou a possibilidade de intervenção nas eleições de novembro, afirmando que se “oporía a quaisquer esforços para minar o resultado de eleições livres e justas no Maine e em todo o país”.
O senador Roger Marshall, do Kansas, um dos oito senadores republicanos que votaram para bloquear a certificação da vitória eleitoral de Biden em 2020, descartou a questão da intervenção, dizendo à Reuters: “Não dediquei nem um momento a pensar nisso, e acho que é apenas uma hipótese, e não vou entrar nesse assunto.” Mas ele expressou preocupação com a integridade da votação em todo o país, particularmente no voto por correspondência.
A Casa Branca afirmou em um comunicado que Trump “fez mais do que qualquer outro presidente para garantir que tenhamos eleições livres e justas” e ressaltou as exigências do presidente quanto à identificação do eleitor e à comprovação de cidadania, medidas que o Congresso ainda não aprovou. “Qualquer pessoa que votar ilegalmente em nossas eleições será responsabilizada”, disse a porta-voz da Casa Branca Lauren Bis.
A incerteza eleitoral entre os políticos surge em um momento em que a maioria dos eleitores norte-americanos está confiante de que seus votos serão contados com precisão. Setenta e seis por cento dos eleitores registrados expressaram essa confiança em uma pesquisa de opinião Reuters/Ipsos realizada entre 30 de setembro e 5 de outubro. Esse número representa um aumento em relação aos 69% registrados em 2022 e foi impulsionado, em grande parte, pelo aumento da confiança entre os republicanos.
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