Ibovespa segue fragilizado com investidor atento a sinal fiscal após tombo com reeleição de Lula

Publicado em 27/10/2026 12:02 | Atualizado em 27/10/2026 13:25

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 27 Out (Reuters) - A bolsa paulista ensaiou uma acomodação nesta terça-feira, mas o Ibovespa voltava a trabalhar com sinal negativo, um dia depois de forte reprecificação dos ativos brasileiros na véspera, que acionou o "circuit breaker" no pregão, na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Por volta de 11h10, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,82%, a 175.156,77 pontos, tendo alcançado 178.526,08 pontos na máxima até o momento. O volume financeiro no pregão brasileiro somava R$21,57 bilhões.

Na segunda-feira, o Ibovespa caiu 13,88%, maior queda desde 2020, uma vez que o desfecho da eleição contrariou expectativas no mercado de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e uma possível agenda econômica mais favorável ao ajuste fiscal. De acordo com levantamento da Elos Ayta, o valor de mercado consolidado das empresas listadas na B3 registrou uma queda de R$734 bilhões na segunda-feira. 

Para o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, parte da queda da segunda-feira pode ser explicada pelo desmonte acelerado de posições (com o resultado contrariando expectativas), e não necessariamente por uma deterioração equivalente dos fundamentos econômicos.

"A preocupação estrutural, entretanto, permanece", afirmou em comentário a clientes no começo desta terça-feira, destacando que o principal desafio do novo mandato será recuperar a credibilidade fiscal. "A trajetória da dívida pública, a rigidez das despesas obrigatórias e a necessidade de resultados primários mais consistentes continuarão limitando o espaço para a redução sustentável dos juros."

Em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou mais cedo que reafirmou a Lula a necessidade de dar uma sinalização propositiva ao mercado e que o governo já tem medidas prontas para apresentação, incluindo a que permite a busca do centro da meta fiscal.

DESTAQUES

• VALE ON recuava 1,55%, em meio ao declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com queda de 0,9%. Também no radar está o balanço da mineradora do terceiro trimestre, previsto para quinta-feira, após o fechamento do mercado.

• PETROBRAS PN caía 1,21%, com a fraqueza do petróleo no exterior também no radar. O barril do Brent mostrava queda de 1,29%, a US$114,32. O Goldman Sachs prevê que a Petrobras deverá manter os preços do diesel vendido a distribuidoras inalterados até o fim do ano, após o governo brasileiro ter decidido prorrogar por mais 30 dias os subsídios ao combustível.

• BANCO DO BRASIL ON subia 0,92%, experimentando uma trégua após fechar com um tombo de mais de 29% na véspera, embora tenha já reduzido o fôlego em relação aos primeiros negócios, quando chegou a avançar 4,8%. BRADESCO PN mostrava decréscimo de 0,75%, ITAÚ UNIBANCO PN perdia 0,98%, BTG PACTUAL UNIT recuava 2,23% e SANTANDER BRASIL UNIT caía 2,24%, com o setor como um todo perdendo força após uma abertura mais positiva. O Citi rebaixou as ações do BB para venda e do Bradesco para neutra, enquanto manteve Itaú e BTG com recomendação de compra.

• B3 ON avançava 1,66%, em sessão de ajustes. Na véspera, a ação fechou com um tombo superior a 36,28%, após afundar quase 50% no pior momento. Em Nova York, XP subia 1,6%, também refletindo ajustes após desabar mais de 48% na segunda-feira. Analistas do Citi cortaram a recomendação para ambos os papéis para "neutra", avaliando que juros mais altos e a incerteza fiscal devem continuar pressionando o apetite por risco, as entradas líquidas de recursos, a atividade de negociação e as emissões no mercado de capitais. "Embora a qualidade dos negócios permaneça sólida, vemos um ambiente operacional menos favorável."

• MAGAZINE LUIZA ON saltava 7,36%, em dia de correção, após afundar mais de 58% na segunda-feira.

• TENDA ON subia 5,17%, também com ajustes, assim como DIRECIONAL ON, com elevação de 3,53%, endossadas ainda por relatório do JPMorgan, que elevou a recomendação de ambos os papéis para "overweight". CURY ON, que também teve upgrade, mostrava acréscimo de 1,11%. Na contramão, MRV&CO ON recuava 5,5%, CYRELA ON caía 2,04% e EZTEC ON, que não faz parte do Ibovespa, perdia 7,68%. O JPMorgan manteve MRV&Co com recomendação neutra, mesma classificação que agora estabeleceu para Cyrela e Eztec -- que eram "overweight".

• GERDAU PN caía 1,26%, em pregão negativo no setor, com investidores também analisando o balanço da companhia no terceiro trimestre, com lucro líquido ajustado de R$1,52 bilhão, alta de 39,7% sobre o desempenho obtido no mesmo período do ano passado. O vice-presidente financeiro do grupo, Rafael Japur, disse nesta terça-feira que a principal operação da Gerdau, a América do Norte, deve ter volumes de venda menores no quarto trimestre, mas margem de lucro operacional estável ante os três meses imediatamente anteriores.

(Por Paula Arend Laier; edição de Roberto Samora)

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