Ibovespa recua com pressão negativa de Wall Street; C&A sobe mais de 8%
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) - O Ibovespa encostou em 169 mil pontos, mas perdeu o fôlego e recuava nesta quinta-feira, após a abertura negativa dos pregões em Wall Street, pressionados por ações de empresas ligadas a chips e data centers.
Por volta de 12h50 o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,57%, a 166.613,34 pontos, após marcar 168.994,33 pontos na máxima, em meio à repercussão de uma bateria de resultados corporativos e da decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano.
O volume financeiro no pregão somava R$13,87 bilhões.
Em Nova York, o Nasdaq recuava 5,55% e o S&P 500 caía 3,65%, após uma reação positiva na véspera às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com o foco agora voltado para o risco de um escrutínio sobre a expansão agressiva da inteligência artificial.
No Brasil, em meio a expectativas sobre os planos para a economia do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, investidores também monitoravam reunião no Palácio da Alvorada nesta quinta-feira com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica.
Entre os convidados de Lula estavam auxiliares do governo, os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse uma fonte com conhecimento do assunto.
O penúltimo pregão da semana também tinha como pano de fundo a decisão da véspera do BC de interromper o ciclo de cortes nos juros iniciado em março e deixou em aberto o que fará à frente, citando aumento de incertezas e um cenário desafiador para a política monetária.
“O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, disse o BC em comunicado divulgado com a decisão.
"Na nossa visão, a piora do cenário prospectivo de inflação e o aumento da incerteza reduz significativamente o espaço para novos cortes de juros", afirmou a equipe econômica do C6 Bank, em relatório após a decisão do BC, estimando que a Selic ficará em 13,75% até o final de 2027.
DESTAQUES
• C&A ON avançava 8,37%, após o balanço do terceiro trimestre mostrar lucro líquido acima do esperado, de R$56,5 milhões, embora abaixo do resultado registrado no mesmo período do ano passado. A receita líquida somou R$1,88 bilhão, alta de 2,3% ano a ano.
• SMARTFIT ON subia 5,06%, em meio à repercussão do resultado do terceiro trimestre, com crescimento de 40% no lucro líquido ano a ano, para R$248 milhões. A receita líquida aumentou 29%, para R$2,35 bilhões.
• PRIO ON avançava 0,47%, endossada pela alta dos preços do petróleo no exterior, além do lucro líquido de US$516,6 milhões no terceiro trimestre, oito vezes maior que o apurado no mesmo período do ano passado.
• AXIA ON valorizava-se 1,53%, tendo no radar o lucro líquido de R$1,11 bilhão no terceiro trimestre, sustentado por melhores margens nos negócios de geração e transmissão de energia, revertendo um prejuízo de R$5,45 bilhões apurado um ano antes devido à contabilização da venda da Eletronuclear.
• TENDA ON desabava 14,08%, após resultado abaixo do esperado pelo mercado no terceiro trimestre, com lucro líquido de R$57,3 milhões. Analistas chamaram a atenção para a piora da margem bruta na base trimestral. Em teleconferência sobre o balanço, o CEO estimou manutenção dos níveis atuais de margem em 35%-36% daqui para a frente.
• PORTO SEGURO ON caía 2,92%, com o balanço mostrando lucro líquido de R$839 milhões no terceiro trimestre, ligeiramente acima da média de previsões compiladas pela LSEG, mas o grupo revisando parte de suas projeções para o ano, incluindo o resultado financeiro, agora estimado de R$1,1 bilhão a R$1,5 bilhão, em comparação com a faixa anterior de R$1,4 bilhão a R$1,8 bilhão.
• MERCADO LIVRE, que é listada nos EUA, desabava 14,09%, após a companhia reportar na véspera um lucro abaixo das estimativas do mercado para o terceiro trimestre, em resultado também marcado por contração das margens.
• PETROBRAS PN recuava 0,32%, abandonando os ganhos em meio ao viés externo negativo, apesar da melhora dos preços do petróleo no exterior, onde o barril do Brent subia mais de 2%. Na véspera os papéis fecharam em queda de mais de 7%, contaminados pelo tombo de 8,67% do Brent.
• VALE ON subia 0,13%, também distante do melhor momento, mesmo com a alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian fechou o pregão diurno com alta de 1,77%, a 691 iuanes (US$103,61) por tonelada métrica, seu nível mais alto desde 8 de outubro.
• ITAÚ UNIBANCO PN recuava 0,63%, em pregão sem sinal único entre os bancos do Ibovespa após desempenho robusto na véspera. BRADESCO PN caía 2,13%, BANCO DO BRASIL ON perdia 0,18%, BTG PACTUAL UNIT subia 0,43% e SANTANDER BRASIL UNIT avançava 0,19%.
• IOCHPE-MAXION ON, que não está no Ibovespa, disparava 7,12%, mesmo após prejuízo líquido de R$16 milhões no terceiro trimestre, uma vez que o Ebitda ajustado cresceu 22,6%, para R$480,5 milhões, e a receita operacional líquida aumentou 15,8%, para R$4,4 bilhões.
(Por Paula Arend Laier; Edição de Pedro Fonseca)
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