Produtor de soja do Brasil deve ter recuperação de margem, mas juro machuca, diz CEO da BrasilAgro

Publicado em 05/11/2026 17:39

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SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) - O produtor de soja do Brasil deverá ter uma recuperação de margens na safra 2026/27, com uma melhora dos preços da commodity e um dólar favorável para a formação de custos, disse nesta quinta-feira o diretor-presidente da BrasilAgro, produtora agrícola e especializada no comércio de terras.

Mas aquele agricultor que está alavancado deve sofrer com o juro em patamar elevado, acrescentou André Guillaumon, durante teleconferência sobre os resultados da companhia.

"Vejo recuperação de margens, mas na minha leitura ela é insuficiente para atenuar o estrago que a taxa de juros está fazendo", disse ele.

"O que está machucando o produtor não é a soja de 12 (dólares por bushel em Chicago) e o dólar. (O que está machucando) é a curva de juros, quem está alavancado não consegue sair dela."

No caso da BrasilAgro, ele observou que os custos ficaram praticamente estáveis ante o ciclo anterior, mas a saca de 60 kg de soja está valendo mais, cerca de R$125, versus R$116 na temporada passada.

O executivo lembrou ainda que o produtor, de maneira geral, comprou seus insumos com um dólar mais baixo este ano, na faixa de R$5, diferentemente do ano passado, quando a cotação estava mais perto de R$6. E agora está negociando o seu produto com um câmbio de cerca de R$5,40.

"Em condições normais de temperatura e pressão, eu posso dizer que ele vai ter um custo mais baixo e uma receita com um dólar mais caro. Então, se ele não fizer nada, ele já sai ganhando", disse.

Por outro lado, ele citou que uma mudança na curva de juros de 4 a 5 pontos-base anula os ganhos com o dólar, por exemplo, ressalvando que no caso da BrasilAgro a dívida é "equilibrada" e "barata", diferenciando-se de outros produtores mais alavancados.

A alta na curva de juros também interfere nos negócios de terras, uma das especialidades da BrasilAgro, comentou ele.

Segundo Guillaumon, com uma taxa de retorno em 5% na compra de terra, "não faz sentido pegar dinheiro de acionista com o país com o juro real de 10%" ao ano.

"Tem que comprar se fizer sentido, se a taxa de retorno chegar a 7% a 8% na perpetuidade, nós vamos comprar. Enquanto não chegar nesse nível de desconto, não vamos comprar", disse.

O executivo disse ainda ver um mercado de terras em que os ativos não sejam tão grandes, como no passado, e que tem avaliado oportunidades.

(Por Roberto SamoraEdição de Alexandre Caverni)

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