Taxas dos DIs recuam após Copom manter Selic inalterada, com mercado de olho em política econômica

Publicado em 05/11/2026 17:03 | Atualizado em 05/11/2026 17:57

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Por Igor Sodre

SÃO PAULO, 5 Nov (Reuters) - Após subirem pela manhã, as taxas dos DIs fecharam em queda nesta quinta-feira, com o mercado avaliando a decisão do Banco Central de interromper o ciclo de cortes nos juros iniciado em março e manter a Selic em 13,75% ao ano, ao mesmo tempo em que monitorava as sinalizações sobre a agenda econômica do próximo governo.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,33%, ante o ajuste de 14,43% da véspera. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,095%, ante 15,107% da sessão anterior.

O BC manteve a Selic inalterada na quarta-feira, em sua primeira decisão de política monetária após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que surpreendeu os mercados e derrubou ativos brasileiros.

"O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução", disse o Comitê de Política Monetária (Copom) em comunicado.

Para o economista-chefe da Azimut Brasil, Gino Olivares, o uso do termo "substancialmente contracionista" pode significar que a autarquia avalia que a taxa Selic esteja em nível acima do necessário.

"Baseando-se nessa interpretação, as pessoas entenderam que foi uma forma do BC de sinalizar que não está enxergando a necessidade de aumentar ainda mais a taxa de juros", disse Olivares.

Contudo, para o economista, isso não significa que o Banco Central pretenda cortar os juros. "Os elementos que poderiam trazer a inflação para cima pioraram e os que poderiam levar a inflação para baixo reduziram", disse o economista.

Dessa forma, com as informações atuais, o economista avalia não haver espaço visível para reduções na taxa Selic no curto, médio ou longo prazo, projetando a manutenção da taxa, sendo a questão fiscal o principal obstáculo para uma queda nos juros.

"Nenhum governante gosta de fazer ajuste fiscal. Mas a deterioração que houve do cenário é suficiente para o presidente perceber que talvez não tenha alternativa a não ser fazer o ajuste", disse o economista.

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica, tendo entre os convidados auxiliares do governo e os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega.

No encontro, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, Lula pediu que seus ministros afunilem medidas para serem validadas após sua volta de viagem ao exterior.

Durigan reafirmou que o plano de Lula pressupõe compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, melhora progressiva de resultados primários e possíveis ajustes em regras fiscais. Ele ponderou que medidas específicas não foram discutidas no encontro.

"A notícia da reunião do governo com economistas, incluindo representantes da equipe econômica e do Banco Central, trouxe uma sinalização positiva para o mercado, diante da possibilidade de discussão de medidas voltadas à revisão dos gastos públicos e ao ajuste fiscal", disse João Oliveira, head da mesa de operações da Moneycorp.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries recuaram, dando sequência à tendência observada na véspera após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA. O rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 5 pontos-base, a 4,839%.

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