Soja: Mercado internacional marcado pela volatilidade em 2011

Publicado em 26/12/2011 09:27 760 exibições
O mercado internacional da soja foi marcado pela volatilidade em 2011. Diferente do cenário visto em 2010, os preços registraram uma forte oscilação, com um índice de variação de 32% dos futuros negociados na Bolsa de Chicago. 

No primeiro semestre e no início do segundo, pudemos ver preços mais altos, trabalhando entre os US$ 13 e US$ 14 por bushel. A manutenção de posições especulativas - por conta dos ajustados estoques mundiais da oleaginosa - e mais um momento menos turbulento do mercado financeiro foram os principais fatores de sustentação para o mercado. 

No entanto, com a macroeconomia começando a assimilar o agravamento da crise da dívida do Zona do Euro, os preços começaram a recuar e rapidamente caíram para o patamar dos US$ 11. Esse movimento de baixa teve início em meados de setembro, quando o mercado em Chicago passou a negociar a turbulência do financeiro, deixando de lado os fundamentos.  

Além disso, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago ainda viram a demanda pela oleaginosa norte-americana diminuir ligeiramente, com os principais importadores da commodity voltando-se para outros fornecedores, como Brasil e a Argentina, principalmente. 

No acumulado dos 11 primeiros meses de 2011, o Brasil embarcou 19,8 milhões de toneladas de soja para a China. Com esse volume, que é 6,8 maior do que o registrado em 2010, o Brasil superou os Estados Unidos como maior exportador da oleaginosa para a nação asiática. Este foi outro fator de pressão sobre os preços, uma vez que a maior procura pela soja sulamericana deu-se em detrimento da demanda pela oleaginosa dos Estados Unidos. 

Mercado Interno

No mercado interno, o cenário foi diferente. 2011 foi um ano de baixa volatilidade, com as variáveis internas, principalmente as referentes ao câmbio, se contrapondo a movimentação externa. 

Após a pressão da colheita, os preços avançaram - atingindo um pico em setembro - mas logo voltaram a recuar nos últimos meses do ano, uma vez que essas variáveis não foram capazes de anular a expressiva desvalorização externa. 

Este ano, a diferença entre a média máxima e a mínima foi de 12%, ante os 49% registrados em 2010. A média brasileira de preços em 2011 ficou em R$ 43,74/saca, 15% superior aos R$ 37,94 de 2010. As operações de venda tiveram seu melhor momento entre agosto e setembro, com picos nesse último, atingindo média de R$ 46,24 (em 2010 foram em novembro e dezembro).

2012

Para o próximo ano, de acordo com analistas, a expectativa não é tão positiva quanto nos anos anteriores. A renda para os produtores brasileiros não conta com estimativas muito otimistas, refletindo os maiores custos de produção, a perspectiva de menores preços no mercado interno e ainda a as baixas médias para as cotações em Chicago, além de uma neutralidade nos prêmios de exportação.

Porém, a lucratividade bruta média ainda deverá ser mantida em patamares positivos. No lado comercial, apesar da instabilidade cambial, tendemos a ter preços internos ainda superiores à média. 

Quanto às expectativas para a produção em 2012, os sojicultores novamente deverão sofrer com a insegurança por conta das expectativas sobre o comportamento do La Niña. 

Com informações da Agência Safras & Mercado. 

Clique no link abaixo e confira a entrevista do presidente da Aprosoja Brasil, Glauber Silveira, com um balanço sobre o mercado da soja no ano de 2011 e as tendências para 2012.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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