Oferta restrita no curto prazo faz soja testar novos patamares

Publicado em 27/04/2012 16:58 e atualizado em 27/04/2012 18:58 1701 exibições
A soja explodiu no pregão regular desta sexta-feira (27) e bateu o patamar dos US$ 15 por bushel na Bolsa de Chicago. Porém, o mercado devolveu parte dos ganhos acumulados durante a sessão e encerrou o dia com valores um pouco abaixo desse nível. O cenário fundamental de oferta e demanda ainda é o principal suporte para os preços. 

No fechamento do pregão regular, o vencimento maio encerrou cotado a US$ 14,96, com alta de 15,50 pontos. Já o julho fechou a US$ 14,93, subindo 13,25 pontos. 

As perdas nas lavouras de soja da América do Sul ainda vem sendo computadas e constantes reduções nas estimativas para a safra continuam surgindo diariamente. De acordo com os últimos números do IGC (Conselho Internacional de Grãos), a colheita sul-americana na safra 2011/12 deve totalizar 115,9 milhões de toneladas. A projeção foi reduzida em 3,6 milhões de toneladas em relação à anterior. Em relação à temporada 2010/11, a baixa é de 15%. 

A safra 2011/12 da Argentina foi projetada em 42,9 milhões de toneladas, registrando uma baixa de 12% frente ao ano anterior. Já a produção do Brasil deve recuar 13% frente ao ano anterior, para 65,6 milhões de toneladas, de acordo com o IGC. 

Paralelamente, a China continua comprando muita soja. A nação asiática segue confirmando sua presença na ponta compradora do mercado como principal importadora mundial da oleaginosa. Nesta sexta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou a venda de mais 110 mil toneladas de soja para os chineses e 116 mil para destinos não revelados a serem entregues na safra 2012/13. 

Além dos fundamentos, o mercado internacional da soja também opera com a influência da movimentação dos fundos de investimento, que causam grande especulação e nervosismo ao mercado. No cinco primeiros minutos do pregão regular de hoje já haviam sido comprados 10 mil contratos da oleaginosa, o que também estimula o avanço dos preços. No entanto, as vendas por parte desses fundos especulativos poderiam provocar baixas entre as cotações, refletindo  realizações de lucros. 

Apesar dos bons resultados de hoje, o analista de mercado Pedro Dejneka, da PHDerivativos, afirmou que o mercado não está preparado para esses patamares de preços, e sugere ainda um certo exagero no mercado. Porém, confirma que a tendência altista permanece no mercado. 

Dejneka diz ainda que é preciso muita atenção à safra 2012/13 dos Estados Unidos, que mesmo sendo "perfeita", sem sofrer com adversidades climáticas, ainda assim não será capaz de aliviar a situação dos estoques mundiais de soja. "O mercado futuro está refletindo a preocupação do disponível", diz o analista referindo-se aos temores de falta da oleaginosa no cenário mundial. 

A sexta-feira também foi muito positiva para o mercado internacional do milho, com os vencimentos mais próximos encerrando o dia com ganhos mais expressivos. O contrato maio encerrou valendo US$ 6,53 por bushel, subindo 29 pontos. 

A demanda ainda dita os rumos no mercado do cereal. Nesta sexta, o USDA anunciou a venda de 110 mil toneladas de milho para a China e 1,440 milhão de toneladas a destinos não revelados que, segundo a leitura de alguns analistas, também seriam destinadas à nação asiática. 

Essas boas notícias vindas desse mercado também influenciaram as altas da soja em Chicago. 

Veja como ficaram as cotações no fechamento desta sexta-feira em Chicago:



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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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