Soja: Sem estoques, EUA dependerá da América do Sul, diz analista

Publicado em 18/01/2013 16:45 e atualizado em 21/01/2013 08:12
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As margens de esmagamento de soja melhoraram na China, maior comprador mundial da oleaginosa, e incentivaram um aumento das importações por parte do país tanto nos Estados Unidos quanto na América do Sul, segundo informou o órgão oficial de pesquisa chinesa nesta sexta-feira (18). Os dados só confirmam o bom momento da demanda não só chinesa, mas mundial, por soja, o qual não deverá dar sinais de desaquecimento daqui para frente. 

Porém, paralelamente, são tempos de uma oferta muito ajustada, com estoques globais historicamente baixos. Hoje, praticamente a única oferta de soja disponível no mercado é a dos Estados Unidos e, segundo Daniel D'Ávilla, analista da corretora New Edge, de Nova York, o país já exportou 90% do volume  para vendas externas projetado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Frente a isso, já há uma preocupação de que, mais adiante, o país teria que importar soja da América do Sul para continuar suprindo a demanda. 

"Ou se diminui bastante o ritmo de esmagamento ou de exportações, ou os EUA vão precisar de soja. Os estoques reportados serão muito menores e eles vão precisar, de repente, até mesmo importar soja. Essa será uma equação que precisará ser fechada", diz D'Ávilla. 

Na semana passada, duas das vendas de soja reportadas pelo departamento indicaram que os exportadores norte-americanos têm a opção de vender soja para a China de outra origem, podendo ser o Brasil ou a Argentina, segundo explicou o analista. 

Na quinta-feira (17), o USDA anunciou uma  venda de 240 mil toneladas de soja a destinos não revelados, que segundo analistas há uma grande probabilidade de se tratar da China. Além disso, em seu relatório de registro de exportações, informou que as vendas semanais norte-americanas totalizaram 1.608,8 milhão de toneladas, a maior desde outubro do ano passado. Desse total exportado na semana encerrada no dia 10 de janeiro pelos EUA, 845,6 mil toneladas foram adquiridas pela China. 

O CNGOIC (Centro Nacional de Informações Sobre Grãos e Óleos da China) informou ainda que, na semana passada, os chineses importaram um total de 1,8 a 1,9 milhão de toneladas de soja em grão de seus três principais fornecedores: EUA, Brasil e Argentina. 

"Inicialmente, as esmagadoras reservaram menos carregamentos para entrega em fevereiro e março, mas tal volume poderia não atender à demanda com a melhora recente das margens de esmagamento", informou o centro em uma nota oficial divulgada em seu site. 
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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

4 comentários

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Para o Brasil exportar soja para os americanos é uma situação completamente distinta do que exportar milho para eles. O milho brasileiro e argentino tem desconto cerca de us$ 30,00 por tonelada em relação ao preço do milho americano. Portanto: 1) Se fosse possível essa operação, os brasileiros teriam que vender a soja com um desconto de cerca de us$ 30,00 por tonelada. 2) Como não existe fluxo de logística nem vendas antecipadas, algum volume somente poderia embarcar a partir do prazo de 6 meses, que com tempo de navegação, descarga e internação da soja; seria tarde demais e quase coincidindo com a colheita da próxima safra deles. 3) Precisariam ainda, disputar a nossa soja com tradicionais mercados de destino da soja brasileira. Enfim, existirá mesmo escassez na oferta.

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    O mercado atual é do vendedor (produtor). Portanto, até setembro o produtor brasileiro é o protagonista, dá as cartas e joga de mão, porque serão os únicos que tem volume para suprir o consumo mundial. Agora, se os produtores aceitarem que outros mandem no preço de seu produto/patrimônio, então não valeu nada nossas discussões sobre o mercado, ou melhor, se os produtores resolverem a vender sua soja a qualquer preço então os preços vão mesmo ser pressionados. A entrada da safra brasileira é potencialmente em abril, forte da colheita da região sul. Ademais de nada vale para os consumidores se a soja está nos portos brasileiros e não nos portos de destino. Ademais, os portos ainda estão congestionados com o milho porque não para de chover nos portos. A teoria na prática é outra....

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  • Leonardo Luiz Minosso São Miguel do Iguaçu - PR

    O preço da soja nas próximas semanas irá despencar segundo analistas de mercado das Bolsas norte americanas, em razão dos avanços na colheita brasileira com exelentes perspectivas (basta observar que houve um acréscimo de 9% a mais de área cultivada com soja em 2012/2013 se comparado a safra anterior 2011/2012.
    A cotação para os próximos meses ficará entre US$13 e US$15 dólares por bushel, o que significa que no mercado do agricultor brasileiro podemos esperar perdas muito expressivas nos preços. (FGV)

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  • Euripedes Mario Dutra Maracaju - MS

    olha venho acompanhando essas noticias diariamente e tambem concordo que EUA nao tem estoque nenhum e ficam querendo fazer graca com o chapel do Grande BRAZIL.

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