Soja reduz perdas, mas fecha em queda com chuvas na Argentina

Publicado em 24/01/2013 18:36
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A quinta-feira foi mais um dia de baixa para a soja no mercado internacional. O mercado sentiu a pressão de um movimento de realização de lucros e ainda da previsão de chuvas para importantes regiões produtoras de soja na Argentina. Durante todo o pregão, os futuros da oleaginosa trabalharam com perdas de mais de 10 pontos nos principais vencimentos, porém, os contratos reduziram as perdas e terminaram o dia recuando pouco mais de dois pontos. 

Essa volatilidade do mercado se dá, segundo explicou o analista de mercado Pedro Dejneka, da PHDerivativos, por conta das incertezas sobre o impacto das condições climáticas na produção da América do Sul. De acordo com o analista, os negócios se movimentam a cada divulgação de um novo mapa climático. 

O mercado internacional de grãos está com seu foco quase que completamente voltado para o clima na América do Sul. A falta de chuvas no Sul do Brasil e também na Argentina já começam a preocupar já que, mais adiante, poderiam resultar em perdas para a produção de soja em tempos de estoques mundiais extremamente apertados. Neste momento, a única oferta disponível no mercado é a norte-americana, a qual foi menor do que o esperado inicialmente em função de uma das piores secas dos Estados Unidos. 

"Por isso então os mapas para 10-15 dias são importantíssimos no momento (que nos levam até por volta do dia 8 de fevereiro) Os mapas divergem no momento e isso mexe com o mercado. As sessões eletrônicas de domingo a noite serão bastante voláteis nas próximas semanas, com o mercado aguardando com muita antecipação cada mapa metereológico novo para este periodo. Quanto mais próximo chegamos e mais confiança pode-se ter quanto aos mapas até meados de fevereiro, mais clara ficará a tendência de curto prazo de preços. Havendo chuva suficiente e confirmando-se boas safras na América do Sul vejo a possibilidade de uma baixa maior depois da metade do mês que vem, com as expectativas de plantio da nova safra nos EUA compartilhando o foco com a safra na América do Sul (lembrando que o USDA lanca suas estimativas oficiais no final de fevereiro, no Outlook Board em Washington D.C., todo ano). Mas, até lá, não vejo a possibilidade de baixas sustentáveis (ou seja, baixas maiores serão compradas, na minha opinião), devido a incerteza sobre clima na América do Sul", explica Pedro Dejneka.

Por outro lado, o mercado ainda encontra uma forte sustentação na demanda, a qual ainda se mostra bastante firme e aquecida. Esse fator, portanto, limita o potencial de baixa do mercado no caso de uma melhora climática na América do Sul. Nesta quinta (24), o O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou a venda de 510 mil toneladas de soja para a China com entrega para a safra 2013/14. 

"Quanto a demanda, o mercado sabe que ela continuará fortíssima.  A questao não é necessariamente SE continuará, mas PARA ONDE vai esta demanda.  O mercado nos EUA precisa racionar demanda e mandar toda a demanda para a América do Sul nos próximos meses. Esta é a tarefa que procura hoje aqui, e por isso o mercado não pode ser vendido com muita certeza. Pois se é vendido muito forte, atrairá nova demanda para a soja norte-americana, o que complicará muita coisa. É importante dizer que se não fosse a expectativa de uma enorme safra na América do Sul, tenha certeza de que os preços da soja estariam bem mais altos hoje, provavelmente ainda acima de US$16 ou US$17", concluiu Dejneka. 
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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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