Chicago: Grãos iniciam semana sem força; soja foca América do Sul

Publicado em 28/01/2013 12:29 e atualizado em 28/01/2013 16:52
919 exibições
O mercado internacional de grãos iniciou mais uma semana operando com volatilidade na Bolsa de Chicago. O principal foco dos investidores ainda é o andamento do clima na América do Sul e os negócios vem se direcionando a cada nova previsão climática. Entretanto, ainda há muita incerteza sobre o real impacto das condições climáticas na produção do Brasil e da Argentina, o que faz com que as operações permaneçam voláteis. 

Nos últimos 10 dias, os futuros da soja registraram importantes ganhos diante de um clima desfavorável em importantes regiões produtoras sulamericanas e ao longo da última semana foram realizando lucros, devolvendo parte das altas. Entretanto, o recuo foi potencializado diante de informações de chuvas sendo registradas na Argentina. 

Porém, as precipitações foram relatadas como insuficientes e o mercado voltou a se recuperar. Na manhã desta segunda-feira, por volta das 9h (horário de Brasília), os principais vencimentos já operavam com altas de pouco mais de 4 pontos. Porém, confirmando a volatilidade, as posições já passaram novamente para o campo misto, as mais próximas ainda do lado positivo da tabela  e as mais distantes já no vermelho, mas com perdas bem pouco expressivas. 

"As primeiras indicações são de que as chuvas no Rio Grande do Sul e na Argentina foram muito pequenas para as lavouras que estão de 20 a 30 dias sem receber boas chuvas e o mercado começou a olhar para isso como um fator positivo para essa semana. Se não voltar a chover, o mercado volta a crescer em cima do fator clima aqui na América do Sul", diz Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting. 

A previsão para os dias 2 a 6 de fevereiro é que as chuvas parem no Centro-Oeste e retornem para a região Sul do Brasil, o que seria favorável para as duas regiões. Segundo o analista de mercado da Agrinvest, Eduardo Vanin, o clima será o divisor de águas no mês de fevereiro haja vista que o período será decisivo para as lavouras argentinas e também para a definição da produtividade da safra do sul do país.

Com o clima firmando na região Centro-Oeste, as ofertas devem aumentar e atender a fila de navios para fevereiro nos portos brasileiros. Então, com isso, se houver uma definição o mercado comprador, como a China, esse se voltaria para a soja sulamericana, explica Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest.
E devido às incertezas climáticas no hemisfério sul, o mercado registrou na semana passada, uma queda nas posições vendidas e uma elevação nas posições compradas resultando em um incremento na posição líquida comprada. O analista destaca que os fundos voltaram a ficar atentos em relação ao clima em função de uma possível redução na produção da América do Sul. 

Em decorrência desse cenário a tendência é que o mercado opere com bastante volatilidade, se movimentando a cada nova notícia relacionada ao clima. Hoje, vemos uma tentativa de consolidação técnica dos contratos de soja no patamar de US$ 14,45 por bushel que é uma média, acredita Vanin. 

O mercado da soja em Chicago conta ainda com a sustentação vinda do lado da demanda. A procura mundial por soja mantém seu ritmo aquecido e a única oferta disponíevl nesse momento é a norte-americana. As exportações de soja dos EUA registram seu mais aquecido ritmo de todos os tempos e esse acaba sendo, portanto, mais um fator de suporte para os preços no curto prazo, segundo os analistas. 

Milho e Trigo - Por outro lado, o analista sinaliza que as cotações futuras do trigo seguem mais firmes uma vez que o cereal norte-americano está em paridade com o produto europeu e com isso há um deslocamento da demanda para os EUA. Outro fator que também contribui para essa firmeza é um aquecimento na demanda registrada na última semana.

Já no caso do milho, existe uma oferta menor devido à quebra na produção dos EUA, em função da estiagem, e a demanda externa segue em ritmo lento. O relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado na semana anterior, confirmou que houve uma redução na utilização de milho para a produção de etanol. Inclusive, algumas usinas que tem uma lucratividade menor, já estariam parando suas atividades, pois a margem de processamento de milho nos EUA é negativa, segundo afirma Vanin.
Tags:
Por: Carla Mendes e Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

Nenhum comentário