Excesso de chuvas provoca atraso da colheita e reduz qualidade da soja no MT

Publicado em 04/02/2013 17:35 e atualizado em 04/02/2013 18:24
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As condições climáticas ainda são desfavoráveis para a cultura da soja no Mato Grosso e a previsão é de que se mantenham assim nos próximos dias. As volumosas chuvas que chegam ao estado há mais de 15 dias atrasam os trabalhos de campo e impedem que muitas lavouras com a soja já desecada sejam colhidas. Regiões produtoras nos estados de Goiás e Minas Gerais sofrem com uma situação semelhante. 

A maior preocupação dos produtores agora é com a chamada soja ardida. Por conta do excesso de umidade, os grãos já começam a apresentar uma menor qualidade, fermentados, inapropriados, portanto, para algumas finalidades. Essas características acabam por provocar uma redução nos preços dessa soja que chega ao mercado. 

Além disso, as chuvas excessivas favorecem ainda o aparecimento de mais focos de ferrugem asiática. O número de casos vem crescendo expressivamente e também é uma outra preocupação do sojicultor, uma vez que também atua como um limite para o potencial produtivo de suas lavouras. 

Em algumas cidades como Sinop, importante município produtor de soja, a colheita já começou há mais de 16 dias, porém, só dois dias foram produtivos, segundo relatos de alguns produtores. A situação é crítica também em Primavera do Leste. De acordo com Jair Guariento, presidente do Sindicato Rural do Município, as perdas já estão estimadas em 20 a 25% da safra. Na cidade, a colheita está praticamente concluída em cerca de 25% da área. No ano passado, os trabalhos estavam bem mais adiantados. 

"A parte mais crítica é de que a soja foi dessecada e soja dessecada tem dia certo para ser colhida. E a maioria dessas lavouras já está em ponto de colheita. As perdas são em função disso, porque os produtores não conseguiram entrar nas lavouras", afirmou Guariento. Frente a isso, a orientação do presidente do sindicato de Primavera do Leste é de que seja aproveitada qualquer trégua promovida pelas chuvas para que dê andamento à colheita a fim de que os prejuízos registrados sejam os menores possíveis.

O clima é desfavorável em Guarantã do Norte e a colheita também está atrasada por conta das chuvas excessivas. "A colheita aqui em Guarantã está muito lenta, muito sofrida e a soja com bastante umidade. Estamos colhendo soja aqui até com 30% de umidade e as máquinas estão deixando grãos na lavoura", diz Alberto Cesário, presidente do sindicato rural local. 

Com esse índice de umidade, os grãos já se apresentam avariados, uma soja ardida, e com menor qualidade. Além disso, não deverão servir para exportação, já que o índice de umidade admitido pelo mercado é de apenas 8%. "E o produtor perde dinheiro com tudo isso", afirma Cesário. As perdas no norte da região conhecida como Nortão do Mato Grosso chegam, até o momento, a 1%, segundo o presidente do sindicato de Guarantã do Norte. 

Previsão do Tempo - A previsão do tempo, porém, é de que essas chuvas se estendam até o dia 10 de fevereiro. Segundo uma previsão da Climatempo, em algumas áreas do estado, os volumes acumulados podem passar de 200 mm nesta semana. Sendo assim, as condições climáticas permanecem desfavoráveis para os trabalhos da colheita. 

"Nesses próximos dias, vai chover de forma frequente na maior parte do Mato Grosso. Na cidade de Canarana, no nordeste do estado, é uma das áreas onde devem ser acumulados os menores volumes. Já no sul do Mato Grosso, a expectativa é de acumulados de mais de 200 mm, a região de Rondonópolis, Cuiabá, no Pantanal, portanto, deve chover bastante. No nordeste do estado, os volumes devem variar de 30 a 50 mm", afirmou a meteorologista da Climatempo, Fabiana Weykamp. 

Passado esse período, depois do dia 10 de fevereiro, a tendência é de que essas chuvas apresentem uma intensidade menor. "As chuvas  não vão parar totalmente, mas não serão tão frequentes e abundante (...) e os meses de março e abril deverão ser de menos chuvas, como é comum da época, com chuvas bem regulares, acumulando volumes bem menores do que os registrados em janeiro e fevereiro", finaliza. 
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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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