Soja: Seca na Argentina e demanda da China impulsionam alta

Publicado em 04/02/2013 18:35
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A soja fechou a sessão desta sexta-feira com significativas altas na Bolsa de Chicago. Os principais vencimentos terminaram o dia subindo mais de 10 pontos. Ao longo dos negócios, os contratos chegaram a subir mais de 15 pontos. Na sessão desta segunda, os preços chegaram  a registrar o maior patamar em Segundo analistas, o mercado ainda é climático e o foco principal é a preocupação com uma safra menor na Argentina. 

As previsões climáticas para o último final de semana para o país sulamericano foram frustradas e o tempo continuou quente e seco, castigando as lavouras de soja. Na última sexta-feira (1), as principais regiões produtoras ao norte do país receberam chuvas pouco volumosas, de 3 a 19 mm, de acordo com informações do instituto Meteorlogix. Entretanto, no final de semana os dias voltaram a ficar secos e registrando altas temperaturas. 

Para Flávio França, analista de mercado da Safras & Mercado, essa tem sido a mais importante variável de sustentação para as cotações da soja no mercado internacional. Isso acontece pois o mercado já começa a ver uma safra menor vindo da América do Sul em tempos em que a demanda se mantém muito aquecida e os atuais estoques mundiais se encontram em níveis historicamente baixos. 

O cenário atual, portanto, estimula os investidores a manterem seus prêmios climáticos nos preços, já que as previsões indicam mais seca para os próximos dias, não só na Argentina, como também no sul do Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul. 

A cada dia que passa o potencial de perdas nas lavouras argentinas aumenta. Já no Brasil, tivemos chuvas na região sul do país, o que é uma boa notícia para a produção, principalmente, para as lavouras do Rio Grande do Sul que já começavam a sofrer com a falta de umidade, explica o analista. 

Além disso, o mercado conta ainda com adversidades climáticas no Centro-Oeste brasileiro atuando também como fatores de pressão positiva para o mercado. No Mato Grosso, principal estado produtor brasileiro, as chuvas excessivas atrasam a colheita e prejudicam a pouca soja que está sendo colhida. 

A maior preocupação dos produtores agora é com a chamada soja ardida. Por conta do excesso de umidade, os grãos já começam a apresentar uma menor qualidade, fermentados, inapropriados, portanto, para algumas finalidades. Essas características acabam por provocar uma redução nos preços dessa soja que chega ao mercado.

O clima na América do Sul, sendo assim, segue direcionando os preços da soja na Bolsa de Chicago. Entretanto, como já foi reforçado por analistas, ao acompanharem as mudanças nas previsões climáticas o risco de uma intensa volatilidade é maior. "Vamos ver o que as próximas duas semanas trazem e como os mapas ficam para o final de fevereiro, então poderemos tirar conclusões", afirmou o analista Pedro Dejneka, PHDerivativos. "Por agora, o mercado tenta precificar o risco de quebra, mas não tem convicção suficiente para simplesmente disparar",completa.

"Ainda acredito que o Brasil venha com uma safra de 82 milhões de toneladas ou mais, e Paraguai com quase 9 milhões. A Argentina ainda é incógnita devido aos problemas no iníco do plantio, mas ainda vejo grande possibilidade de 52 milhões de toneladas se o clima aliviar nos próximos 10 dias", diz Dejneka. 

A necessidade dos chineses em adquirir a soja para suprir a capacidade de esmagamento das indústrias locais também dão suporte às cotações em Chicago. A venda de farelo e óleo no país está aquecida, por isso as esmagadoras estão buscando matéria prima para aproveitar a boa fase das margens. 

Veja como ficaram as cotações no fechamento desta segunda-feira (4):



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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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