Soja opera estável na CBOT; clima na América do Sul ainda em foco

Publicado em 05/02/2013 11:27 e atualizado em 05/02/2013 11:59
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Na sessão desta terça-feira (5), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam com pequenos ganhos, próximos da estabilidade. As cotações operam com volatilidade e  por volta das 11h (horário de Brasília), os principais vencimentos registravam pouco mais de 1 ponto de elevação, dando continuidade, de forma menos expressiva, às altas do pregão anterior. O foco do mercado ainda tem sido o desenvolvimento da safra na América do Sul.

A ausência de chuvas na Argentina preocupa o mercado haja vista que esse quadro pode ocasionar perdas na produção do país e resultar em uma menor safra vinda da América do Sul. Ao longo de todo o mês de janeiro, as precipitações ficaram abaixo da média, e no último final de semana as chuvas foram esparsas e não aliviaram a situação de stress hídrico das lavouras de soja argentinas, frustrando previsões climáticas de boas chuvas para importantes regiões produtoras. 
Segundo o analista da FCStone, Glauco Monte, a falta de chuvas na região Sul do Brasil também preocupa o mercado de commodities agrícolas. Por outro lado, o excesso de precipitações no Mato Grosso, que está atrasando a colheita da soja e até mesmo afetando a qualidade do grão, também são fatores que dão sustentação às cotações futuras. 

Além disso, ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou o relatório de exportações semanais nos EUA indicando que, o ritmo dos embarques norte-americanos permanece acelerado, em tempos de estoques de soja apertados no país. E grande parte das vendas tem sido para a China, o que sinaliza que a demanda continua forte. Na nação asiática, as margens de esmagamento estão positivas e as indústrias locais não estão operando com  sua capacidade plena. A venda de farelo e óleo no país está aquecida e com isso as esmagadoras estão buscando matéria prima para aproveitar a boa fase dessas margens. 
O mercado subiu bastante dos valores registrados há três semanas, tomou outro rumo e atingiu novos patamares. E esses preços refletiam a expectativa de uma safra na América do Sul cheia, sem problemas. Mas o mercado voltou a focar no aperto dos estoques dos EUA e no clima e alcançou novos patamares, ressalta Monte.
No entanto, os preços poderiam ficar pressionados negativamente com a entrada da safra sulamericana efetiva no mercado, mas será uma pressão sazonal, de acordo com o analista. Todavia, esse quadro de estoques apertados nos EUA só será regularizado a longo prazo, conforme destaca o analista.  

Então, até poderíamos realmente atingir novos patamares, até mesmo acima de US$ 15 por bushel nos contratos março e maio, caso as chuvas continuem abaixo da média e atrasando a entrada da safra no mercado. Mas se o clima acalmar não vejo uma queda expressiva frente à situação de estoques ajustado norte-americano, explica Monte.

Ainda na visão do analista, o mercado de commodities terá dois períodos de grande volatilidade, o primeiro é agora no desenvolvimento da safra sulamericana com o mercado climático e o segundo, entre maio e junho, quando o mercado climático se estabelecer no hemisfério norte. Nesse tempo o mercado tende a ser mais volátil, e acaba refletindo nas cotações, finalizou o analista.

Por outro lado, o consultor de mercado Liones Severo, no Fala Produtor - espaço no Notícias Agrícolas destinado a opinião dos internautas - afirma que o mercado poderia continuar subindo até mesmo diante de uma melhora do clima. "Há poucas semanas atrás escrevi que preços baixos era exatamente o que o doutor receitava para expandir o consumo na China e outros mercados consumidores. O doutor acertou o diagnóstico e está difícil interromper o tratamento. Talvez até o clima melhore e o preços continuem a subir, pelo menos, os sintomas são fortes", explica Severo.

Clique no link abaixo e confira a a entrevista de Glauco Monte:

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Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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