Soja: diante de baixos estoques, cotações fecham pregão com altas expressivas na CBOT

Publicado em 19/02/2013 15:22 e atualizado em 19/02/2013 18:53 2180 exibições
Os futuros da soja encerraram a sessão desta terça-feira com altas expressivas na CBOT, após o feriado do Dia do Presidente, comemorado ontem (18) nos EUA. As principais posições, negociadas na Bolsa de Chicago, fecharam com mais de 40 pontos de ganhos. O vencimento maio, referência para a safra brasileira, chegou a US$ 14,57/bushel. 

De acordo com o consultor de mercado, Liones Severo, os fundamentos no mercado de commodities agrícolas são fortes, e essa elevação nos preços futuros representa a situação apertada dos estoques mundiais da soja. E os atrasos dos embarques da soja através dos portos brasileiros impedem que os produtos cheguem à velocidade necessária ao mercado, conforme sinaliza o consultor. Segundo o analista de mercado da New Edge, Daniel D’Ávilla, em torno de 92 navios estão parados nos portos brasileiros aguardando para embarcar. 

Além disso, a demanda chinesa pelo grão permanece aquecida e não dá sinais de retração. Segundo o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, na última semana, o Governo chinês liberou as importações de alimentos, antes havia uma política para tentar reduzir as compras de grãos nos próximos anos. Hoje (19), os exportadores privados norte-americanos reportaram ao USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) a venda de 120 mil toneladas de soja em grão à China, para serem entregues na temporada 2012/13. 

Severo ainda explica que, somente a China consome cerca de 30% do total da soja produzida por Estados Unidos, Brasil e Argentina. “Suas importações do grão correspondem a cerca de 21 milhões de hectares de plantação de soja, com projeções de fortes aumentos anuais, e sem acrescentar o aumento de demanda de outros países de economias emergentes da Ásia e da África, cujas economias em expansão acusam forte desempenho de crescimento para os próximos 5/6 anos”, acredita Severo.

Portanto, mesmo com safras de soja recordes nos dois hemisférios, será muito difícil reconstituir estoques em nível de conforto nos próximos 3 a 5 anos, segundo relata o consultor. E devido às intempéries climáticas várias regiões produtoras de grãos na América do Sul apresentam problemas pontuais. Na última quinta-feira (14), a Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu a projeção da safra argentina para 50 milhões de toneladas, em função das adversidades climáticas que castigam as lavouras do país. 

E segundo D’Ávilla, a produção da Argentina deve ser menor do que o reportado pelo USDA no início do mês de fevereiro, já que, o clima não foi favorável paras as lavouras do país, cerca de 54 milhões de toneladas. 

Diante desse cenário, Severo afirma que a tendência altista permaneça no mercado internacional de grãos até o final de março com a confirmação do tamanho da safra sulamericana. E depois disso, as atenções do mercado serão voltadas para o início do plantio da safra norte-americana. 
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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    A informação que o governo chines liberou a importação de alimentos não é correta porque eles nunca fizeram restrições sobre essas importações, pelo contrário oferecem muitos incentivos para importações de produtos para consumo humano. Temos que ter cuidado quando nos referimos a politica governamental de outros países. obrigado

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