Soja: Mercado deve seguir firme com caos logístico no Brasil

Publicado em 27/02/2013 18:53
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Nesta quarta-feira (27), as cotações futuras da soja encerraram o pregão do lado positivo da tabela. Em mais uma sessão volátil, a commodity avançou quase 15 pontos ao longo das negociações, mas recuaram e fecharam com leves ganhos na Bolsa de Chicago. 

O analista de mercado da PHDerivativos, Pedro Dejneka, afirma que o mercado internacional de grãos está sem rumo. No curto prazo, os fundamentos ainda são positivos, o que sustenta os preços futuros. Por outro lado, o mercado também não pode registrar quedas expressivas, uma vez que essa situação pode incentivar a demanda pela soja dos EUA, conforme explica.

A soja próxima de US$ 15 é vista como cara e próximo de US$ 14 é vista em um patamar baixo, e o mercado tenta achar um equilíbrio. As margens de esmagamento da soja na China são positivas, temos os problemas de logística no Brasil e ainda a confirmação da safra da América do Sul, são vários fatores que faz com que o mercado opere conforme o gráfico, explica Dejneka. 

Além disso, no início da semana surgiram rumores no mercado de commodities agrícolas de que o Governo chinês iria liberar soja dos estoques do país para tentar controlar os preços internos até a entrada da safra sulamericana. E o analista destaca que os problemas logísticos no Brasil impedem que a safra chegue ao mercado com a velocidade necessária. 

Compradores que adquirem a soja no Brasil só irão receber o produto daqui a 3 meses, e ainda existe a fila de navios nos portos. Sem falar da possibilidade de greve, com isso, os compradores chineses preferem pagar um pouco mais caro e adquirir a oleaginosa nos EUA, com garantia de entrega mais rápida, afirma. 

Paralelo a esse quadro há os baixos estoques norte-americanos, e a demanda que permanece aquecida, principalmente, por parte da China. Hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou a venda de 240 mil toneladas de soja, metade do volume seria destinada à nação asiática e a outra a destinos não revelados. Essa situação demonstra que a demanda pela soja norte-americana continua forte e não dá sinais de retração. 

Diante desse cenário, a tendência é que os contratos curtos fiquem sustentados, pois os EUA precisam reservar uma quantidade de soja e milho para o uso no mercado doméstico, segundo acredita Dejneka. 

No entanto, o analista sinaliza que se o plantio norte-americano começar bem, com o clima favorável os vencimentos mais longos podem ficar pressionados negativamente. Caso se concretize a super safra poderemos ter preços para a soja abaixo de US$ 11/bushel e milho abaixo de US$ 5/bushel. Os produtores devem estar atentos, pois existe a possibilidade de inversão nos preços futuros, diz Dejneka.

Confira como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta quarta-feira:



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Por Fernanda Custódio
Fonte Notícias Agrícolas

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