Estoques maiores nos EUA pressionam e soja e milho desabam na CBOT

Publicado em 28/03/2013 17:23 e atualizado em 28/03/2013 18:15 3610 exibições
A soja e o milho despencaram na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira (28). O mercado sentiu a forte pressão vinda dos números de estoques trimestrais e das intenções de plantio divulgadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e encerraram o dia com perdas bastante expressivas. A soja fechou o pregão perdendo entre 30,25 e 49 pontos, e o milho fechou com 40 pontos negativos nos principais vencimentos. 

O departamento norte-americano surpreendeu o mercado trazendo estoques de soja e principalmente de milho acima das expectativas. Foram estimadas 27,2 milhões de toneladas para a soja, contra expectativas que variavam de 24,63 milhões a 26,78 milhões de toneladas, e 137,2 milhões de toneladas de milho, enquanto os traders apostavam em um volume de 124,09 milhões e 133,31 milhões de toneladas. 

Os estoques trimestrais, no entanto, ainda ficam bem abaixo dos volumes registrados no mesmo período do ano anterior, de 32,63 milhões de toneladas de soja e 152,99 milhões de toneladas de milho. Apesar disso, a reação imediata do mercado foi bastante negativa e os preços acabaram despencando. 

Além dos números dos estoques trimestrais, o mercado sentiu a pressão também das estimativas para as áreas de soja e milho nos EUA na safra 2013. A área de soja foi estimada em 31,2 milhões de hectares e, se confirmada, será a quarta maior da história. Já a de milho, projetada em 39,38 milhões de hectares, deverá ser a maior desde 1936. 

Para Pedro Dejneka, analista de mercado da PHDerivativos, o relatório de hoje foi baixista, principalmente para os contratos referentes à safra 2012/13 de soja dos EUA e para o milho. Porém, Dejneka afirma que é preciso muita atenção ao mercado, já que os preços não podem cair muito, tornando-se ainda mais atraentes para a demanda em tempos de estoques bastante ajustados. 

"Não digo que os preços simplesmente irão despencar daqui para frente, pois a realidade é que mesmo com os números desta quinta-feira (28), o mercado ainda precisa ser cauteloso para não atrair muita demanda para soja ou milho dos Estados Unidos", explica o analista.

Ainda de acordo com Dejneka, a "aposta dos altistas" é de que a soja não consiga sustentar altas daqui para frente, salvo o mercado se depare com novos problemas climáticos nos Estados Unidos. Afinal, segundo ele, o foco agora se volta para o andamento da safra dos Estados Unidos e as condições de clima que enfrentará. 

"Com os números de hoje, altas na soja serão vistas como oportunidades de venda, principalmente se o clima cooperar para início do plantio aqui nos EUA", completa.

O cenário de fundamentos ainda continua positivo e de extrema importância para o mercado, porém, segundo analistas, seriam necessários fatos novos que pudessem voltar a estimular o mercado desse lado. "Esta surpresa pode ser a China voltando á comprar soja americana da safra velha no curto prazo, o que parece cada vez mais improvável, já que a Argentina agora também entra no mercado exportador", diz Dejneka. 

Porém, como disse o analista, o mercado ainda irá acompanhar e "pagar pra ver pelo menos até julho" se o clima nos EUA será "relativamente normal" e favorável à produção norte-americana, a qual já sente a pressão de se fazer parcialmente suficiente para recompor a ajustda oferta mundial. 

Veja como ficaram as cotações no fechamento desta quinta-feira (28):


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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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