Grãos: Compradores voltam ao mercado e preços operam em alta

Publicado em 02/04/2013 07:45
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Na manhã desta terça-feira (2), os futuros dos grãos ensaiam uma recuperação e operam em alta na Bolsa de Chicago. No mercado da soja, os principais vencimentos subiam mais de 10 pontos, por volta das 7h30 (horário de Brasília), e o contrato maio/13, referência para a safra brasileira, já voltava ao patamar dos US$ 14. O milho e o trigo também registravam bons ganhos na sessão de hoje. 

Segundo analistas, trata-se de uma correção do mercado após as intensas baixas dos últimos pregões. Com a recente queda, os grãos voltaram a atrair a atenção dos investidores e compradores, que começam a voltar ao mercado, permitindo uma reação dos preços. 

"A esses níveis de preços há compras de consumidores e utilizadores finais. Os atuais preços certamente irãpo atrair a demanda de importação por todos os grãos", disse um analista internacional à agência de notícias Bloomberg nesta terça. 

Veja como terminou o mercado nesta segunda-feira:

Grãos: USDA ainda pesa e milho fecha com mais de 50 pts de baixa

O mercado internacional de grãos registrou mais uma sessão de expressivas baixas e fechou a segunda-feira (1) em queda na Bolsa de Chicago. O milho registrou as perdas mais expressivas - de mais de 50 pontos nos principais vencimentos -, a soja recuou mais de 10 pontos e o trigo mais de 20 nos principais vencimentos. 

O principal fator de pressão ainda foi o relatório de estoques trimestrais divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na última quinta-feira, com o mercado tentando absorver os números trazidos pelo órgão que ficaram bem acima das expectativas. 

O departamento norte-americano reportou os estoques de soja em pouco mais de 27 milhões de toneladas e os de milho em 137 milhões de toneladas. No caso do cereal, o volume foi 10 milhões de toneladas maior do que as expectativas do mercado. 

A notícia, segundo analistas, surpreendeu o mercado e provocou uma expressiva pressão negativa nos preços que, no caso do milho, já chegaram a cair mais de 30%. Frente aos números, muitos fundos acabaram deixando suas posições, incentivando uma queda ainda mais severa nas cotações dos principais vencimentos. 

Para o analista de mercado Vinícius Ito, da Jefferies, de Nova York, os números trazidos pelo USDA indicam uma maior oferta do que se esperava no mercado e isso pesa sobre os preços."Os números indicam uma oferta excedente no mercado e isso pesa sobre as cotações. Estamos esperando para ver onde será o próximo equilíbrio dos preços", explicou Ito. "Como ainda tem o plantio nos Estados Unidos pela frente, essa não costuma ser uma época muito baixista para os preços tanto da soja quanto do milho. Então, o ajuste que o mercado está fazendo agora poderia ser relativamente modesto (...) mas ainda podemos sentir uma pressão vendedora dos fundos e outros agentes", complementa o analista. 

Outro fator que pressiona o mercado internacional do milho é o início da nova safra dos Estados Unidos. O plantio começa nesta semana nos principais estados produtores e a expectativa é de que a área norte-americana seja a maior desde 1936. Apesar de, nesse momento, as condições climáticas não serem as mais favoráveis para a semeadura - em função, principalmente, das baixas temperaturas do solo -, as previsões indicam um aumento dessas temperaturas e chuvas. 

Esse cenário, para Daniel D'Ávilla, analista da New Edge, contribuiu ainda para uma mudança de posições por parte dos investidores. Com mais soja e milho disponíveis, quem estava na posição comprada, contando com novas altas nos preços, se desfez dos contratos, provocando essa queda superior a 10 pontos na oleaginosa e 50 pontos no cereal. Já para os vencimentos mais longos, os participantes voltaram às compras, ao ver preços atraentes, e com isso ajudaram a segurar o movimento de baixa dessas posições, que terminaram o dia com perdas pouco expressivas. 
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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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