Soja segue em campo misto; milho e trigo recuam nesta 3ª feira

Publicado em 23/04/2013 11:16 | Atualizado em 23/04/2013 15:02
A sessão desta terça-feira (23) é de intensa volatilidade no mercado internacional de Chicago. Por volta das 14h40 (horário de Brasília), os principais vencimentos da soja operavam em território misto, com apenas o vencimento maio em alta, ganhando 9,75 pontos e cotado a US$ 14,26 por bushel. As demais posições perdiam entre 1,75 e 7,50 pontos. O milho e o trigo ainda operavam no vermelho, porém registravam perdas mais amenas do que as do início da sessão. 

"O mercado está um pouco confuso, já que do ponto de vista técnico ainda temos sinais baixistas, mas temos algumas notícias do lado fundamental que chegam a ser conflitantes, tanto do lado do clima quanto do lado da demanda", explica Steve Cachia, analista de mercado da Cerealpar. 

Na soja, a relação entre a oferta e a demanda segue ajustada e, por isso, segue dando suporte aos contratos mais próximos. A procura mundial pelo produto norte-americano continua muito ativa e isso vem estimulando o avanço dos preços em Chicago, uma vez que os estoques do país são os menores em anos e quase o total projetado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para exportação já foi vendido.

Ao mesmo tempo, as previsões já indicam uma melhora do clima nos EUA, trazendo condições mais favoráveis para o plantio, que já está bastante atrasado em relação ao ano passado e também à média histórica. Essa projeção pesa sobre os preços já que, nos próximos 10 a 15 dias, o tempo melhor poderia permitir a recuperação desse atraso. 

Segundo os últimos números do USDA divulgados no fim da tarde desta segunda-feira (22), o plantio do milho avançou apenas dois pontos percentuais, estando concluído em apenas 4% da área norte-americana. No mesmo período do ano passado, esse índice era de 26% e a média indica 16%. Essa evolução pouco expressiva se deu por conta de chuvas excessivas no país, com o registro até mesmo de áreas alagadas. 

O atraso, portanto, deveria ser um fator de alta para os preços do milho e de baixa para a soja, segundo explica Cachia, uma vez que, ao se agravar, deverá estimular uma migração dos produtores para a cultura da oleaginosa, reduzindo a área do grão. 

"Até o momento a situação está ruim, mas talvez possa melhorar do ponto de vista do ritmo de plantio, e é isso que está criando essa indecisão na cabeça dos operadores", afirma o analista. Confira no link abaixo a entrevista completa de Steve Cachia:

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