Soja: Com indefinição na CBOT, produtores no Brasil restringem vendas

Publicado em 02/07/2013 13:10

O dia é de volatilidade para o mercado internacional de grãos. na sessão desta terça-feira (2), a soja chegou a operar com ligeira alta, porém, logo passou para o campo misto e, por volta de 12h30 (horário de Brasília), os vencimentos julho e agosto/13 subiam 1,50 e 0,25 ponto, com 1,50 ponto positivo, valendo US$ 15,72/bushel e US$ 14,36, enquanto os demais recuavam. No milho, preços também em terreno misto, enquanto o trigo registravam pequenos ganhos. 

O mercado procura encontrar uma direção depois dos últimos números de estoques e área de plantio para a nova safra dos EUA que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe na última sexta-feira (28). O momento, como explicam os analistas, é de uma espera pela definição sobre os resultados da nova temporada de produção norte-americana, haja vista que os fundamentos atuais - de pouca oferta e demanda aquecida - já são conhecidos pelo mercado.

"O mercado precificou muito bem os fundamentos, principalmente, depois do relatório de sexta. E ele não cai de forma permanente, houve um movimento de realização de lucros, e em função de alguma surpresa de clima [nos EUA] há precaução", diz o operador de mercado da MCDonald&Pelz, Flávio Oliveira. 

Além disso, ainda segundo o operador, a proximidade com o feriado do dia 4 de julho nos Estados Unidos também reforça essa cautela por parte dos investidores e especuladores, já que os negócios se encerram amanhã às 14h e só serão retomados após na sexta-feira, às 10h30 (horários de Brasília). 

Para depois desse feriado, no entanto, o mercado deverá trabalhar com as previsões climáticas para as principais regiões produtoras dos EUA, que indicam condições favoráveis para os próximos dias. "A expectativa do mercado é de que até meados de julho até 70% das lavouras estejam em condições boas e excelentes, isso vai fazer com que os níveis de produtividade aumentem, com as expectativas de uma safra grande", diz Oliveira. O operador completa dizendo que, sem essa ameaça climática no momento, a tendência é de que o mercado se mantenha mais calma, principalmente em relação a um alta de preços. 

Mercado Interno - Com essa pouca movimentação em Chicago, os negócios no mercado brasileiro de soja também acontecem em um ritmo mais lento, mesmo com o dólar registrando altas consecutivas e criando boas expectativas de venda. 

Segundo informações da Cooperoeste, de São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, os produtores locais continuam segurando suas vendas à espera de preços melhores. Hoje, a saca de soja no município vale R$ 58,00 e o alvo dos sojicultores para a venda é de, em média, R$ 60,00. As informações são ainda de que a procura pelo produto tem sido intensa, mas as vendas seguem travadas. 

Em Sorriso, no MT, a soja vale entre R$ 49,00 e R$ 50,00 por saca e, em Cascavel/PR, R$ 60,50. Nos portos, R$ 73,80 em Rio Grande e R$ 70,96 em Paranaguá. Em quase todas as praças pesquisadas, o valor da soja oscilou nos últimos dias cerca de R$ 0,50 para mais ou para menos. 

No milho, o valor em Sorriso varia entre R$ 9,70 e R$ 10,50 por saca, Cascavel, R$ 21,00 e em São Gabriel do Oeste, R$ 19,00, município onde os negócios estão mais aquecidos, com demanda ativa e produtores realizando vendas com esses níveis de preço. 

Para Flávio Oliveira, mesmo que o valor no mercado internacional recue, a alta do dólar é um importante fator na formação dos preços e tem contribuído para que as cotações se mantenham estáveis ou possam registrar valorização. Assim, repiques de alta no mercado internacional criam boas oportunidades de garantina de preços. 

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