Com retração das compras e clima favorável nos EUA, soja tem forte baixa na CBOT

Publicado em 25/07/2013 17:40
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A soja fechou a sessão regular desta quinta-feira (25) em queda pelo terceiro dia consecutivo na Bolsa de Chicago. As principais posições negociadas no mercado futuro recuaram mais de 30 pontos, com o vencimento agosto fechando o dia a US$ 13,55 por bushel e o novembro/13 a referência para a safra norte-americana, a US$ 12,24. 

O recuo dos preços nos últimos dias vem sendo justificado por uma menor euforia no mercado físico norte-americano. Os produtores norte-americanos, nos últimos dias, aproveitaram os recentes bons preços, negociando a soja a valores acima dos US$ 16 no mercado físico, para reduzirem o volume de soja da safra velha que ainda tinham em mãos. 

Os sojicultores americanos também foram incentivados a vender frente às boas expectativas sobre o desenvolvimento da safra nova nos EUA projetanto uma grande produção, provocando não só uma pressão nos preços do grão, como também no farelo de soja - que há três vem trabalhando no  no limite de baixa - e mais ainda nos prêmios norte-americanos. 

"Os prêmios internos [nos EUA] implodiram", disse o analista de mercado Pedro Dejneka, da PHDerivativos. "O mercado já precificou o aperto nos estoques e esse era o motivo que estava segurando o contrato agosto, assim, com essa forte queda dos prêmios, os preços já não tinham mais motivo para estar onde estavam", afirma. "Muitos esperavam a definição do clima, pois acreditavam que, se tivéssemos algum problema, isso poderia sustentar os vencimentos referentes à safra nova e, consequentemente, ter um bom reflexo no agosto", completou. 

Com essas últimas compras feitas pelos compradores locais, as indústrias conseguiram alongar por alguns dias os seus estoques e entrar em uma situação mais confortável do que a que vinha sendo registrada há algumas semanas, mantendo-se abastecidas por cerca de duas a três semanas. Assim, conseguiram reduzir seu ritmo de oferta de compras, exercendo pressão sobre o cenário de preços no mercado físico, o qual foi prontamente refletido nas cotações de Chicago. 

"Diminui o prêmio do processador, o prêmio do elevador, que diminui o prêmio em porto, o que faz as cotações caírem", explicou o analista de mercado da Agrinvest João Schaffer.

Entretanto, o analista ressalta que há uma grande participação dos fundos especuladores nos negócios, o que acaba fazendo com que os movimentos do mercado, tanto de alta quanto de baixa, possam ser exagerados. Além disso, diz ainda que "muitos investidores compraram o contrato agosto e venderam novembro - e agora estão tendo que liquidar o spread, fazendo exatamente o oposto", afirma Dejneka.

Outro fator que ainda pesa sobre os preços da soja no mercado futuro internacional são os boatos de que a China estaria liberando cerca de 3 milhões de toneladas de suas reservas estatais. A entrada dessa oferta também poderia desestimular novas compras dos compradores chineses. Para Dejneka, esses boatos fazem sentido, uma vez que trata-se de um produto de 2010 e precisa ser utilizado o quanto antes. 

Veja como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta quinta-feira:

>> SOJA

>> MILHO

>> TRIGO

Abaixo, veja a opinião de vários analistas sobre a situação atual do mercado futuro internacional de soja:

Daniel D'Ávilla - Analista de Mercado da Newdedge, de Nova York:

"Os produtores começaram a vender um pouco mais com a melhora climática. Com isso, quem estava comprando, os processadores e os produtores de rações, saíram do mercado e o basis despencou. Isso trouxe muita queda para Chicago, com fundos liquidando suas posições. Os estoques norte-americanos são baixos, mas o produtor atualmente tem uma soja no físico que vale mais do que a soja da safra nova, que começa a ser colhida em setembro. Com a melhora climática, o produtor faz a conta de que não compensa segurar uma soja e segurá-la com uma outra que eu vou vender mais barata lá na frente". 

Carlos Cogo - Consultor da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, de Porto Alegre/RS

"Os prêmios que os processadores estavam pagando sobre o primeiro contrato em Chicago chegaram a cair 50 cents por bushel em um dia só e já tinham caído no dia anterior. (...) Talvez exista uma visão futura, de não querer ficar comprado em uma safra cheia, do que efetivamente uma melhor oferta no mercado físico norte-americano. Isso não é possível que aconteça, os estoques são baixos, e ainda há muito tempo para a entrada efetiva da safra, pelo menos um mês, um mês e meio. 
Então, talvez na sequência dos dias, vai se confirmar se isso tem fundamento, tem sustentação, se o mercado físico perdeu força mesmo. Eu me surpreenderia se isso acontecesse tão rápido em um mercado que está com estoques tão baixos e ainda com problemas sérios de embarque na América do Sul. É estranho retirar um prêmio em um contrato à vista em um mercado tão desabastecido". 

Camilo Motter, economista da Granoeste Corretora de Cereais - Cascavel/PR

"Os prêmios começaram a cair dada a aceleração nas vendas. As indústrias estão reduzindo o volume das compras em um período que entra em manutenção. Temos um comportamento climático, na porção oeste do cinturão produtor, com menor volume de chuvas. Na parte central, sul e leste do cinturão oferece bons volumes de chuvas e umidade boa no solo, já se especula uma produtividade superior na parte oeste. (...) O mercado caminha para cair mais, desde que o clima continue de forma adequada. Os estoques globais estão se recompondo ao redor do mundo, depois de um período ruim. Caso a safra dos EUA seja cheia teremos uma boa consistência nos estoques, por isso, os preços futuros indicam quedas".
 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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