Grãos têm dia de realização de lucros e recuam em Chicago

Publicado em 20/08/2013 17:02 e atualizado em 20/08/2013 18:01
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Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam a sessão regular desta terça-feira (19), na Bolsa de Chicago, em queda. As baixas para a oleaginosa ficaram entre 8 e 12,75 pontos nos principais vencimentos e refletiram um movimento de realização de lucros por parte dos investidores. Milho e trigo também recuaram. 

Os preços passaram por uma correção técnica e, segundo analistas, alguns participantes acreditam que o movimento de compras registrado na sessão anterior, que levou a soja a subir mais de 30 pontos, poderia ter sido um tanto "exagerado", uma vez que ainda há muitas incertezas sobre os resultados reais da nova safra dos Estados Unidos. 

Nesta semana, acontece no país o chamado Crop Tour, onde especialistas fazem um levantamento das condições das lavouras e, até o momento, os resultados apresentados têm sido bons tanto para a soja, quanto para o milho, segundo apontam as informações do noticiário internacional. 

No entanto, as lavouras norte-americanas sofrem ainda com a falta de chuvas e a possibilidade de temperaturas acima da média para as próximas semanas podendo prejudicar sua produtiviadade. Ao mesmo tempo, há ainda o temor de que sejam atingidas pelas geadas precoces, as quais poderiam ser registradas em meados de setembro.

Paralelamente, o mercado ainda conta com previsões de chuvas para importantes estados produtores, como Iowa e Minesotta, para esta quinta e sexta-feira indicadas pelo modelo climático europeu. As chuvas não são generalizadas, porém, caso se confirmem, chegarão aos estados que mais precisam de precipitações nesse momento. 

Vinícius Ito - "O vencimento setembro/13 subiu US$ 1,40 nos últimos oito pregões, isso é muito e foi muito rápido", explicou Vinícius Ito, analista da Jefferies Corretora, de Nova York. A tentativa do mercado, ainda segundo o analista, é de buscar uma estabilidade, um caminho melhor definido, por isso, esse movimento de realização . 

"Essas chuvas estão mais no calendário do que acontecendo mesmo. Estamos vendo o mercado um pouco mais sustentado, no momento, até que a gente tenha um desenvolvimento climático mais satisfatório, caso contrário o mercado pode subir mais", disse Ito. O analista afirma ainda que, para que o mercado volte a cair mais e expressivamente, é preciso que chova em importantes regiões produtoras dos EUA. 

Vlamir Brandalizze - O consultor da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, também acredita que o mercado ainda se encontra em um cenário positivo para os preços dadas as atuais condições desfavoráveis de clima. E diz ainda que a queda registrada nesta terça não passou de uma correção técnica, já que até mesmo a redução dos índices de lavouras de soja e milho em boas condições divulgado ontem pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) foram "ignoradas". Os números para a soja caíram de 64 para 62% em uma semana e, para o milho, de 64 para 61%. 

Assim, o consultor afirma que, nesse momento, principalmente para a soja, o mercado ainda se encontra com boas perspectivas para os preços frente aos problemas climáticos que podem, ainda, prejudicar o desenvolvimento e produtividade das lavouras, exercendo pressão altista para os preços. 

Além disso, com essas expectativas de uma safra menor dos Estados Unidos e uma demanda ainda mais ativa e aquecida, o sentimento da escassez de soja também poderia voltar à atenção do mercado e ajudar no estímulo às cotações. "Ainda temos algumas semanas pela frente de período considerado de pico de entressafra mundial, e nesse período pode haver um sentimento de escassez de oferta e isso pode trazer uma evolução nas cotações", disse Brandalizze. 

Liones Severo - Essa falta de produto frente a um procura grande por soja tida como um dos principais fatores para a recuperação dos preços é confirmada também por Liones Severo, consultor do SIMConsult. Severo diz ainda que nem mesmo a alta do dólar deverá reduzir a compra de países emergentes, os quais deverão apenas esperar por um momento mais calmo dessa intensa valorização da moeda norte-americana para voltar às compras. 

No entanto, o consultor também afirma que é preciso acompanhar a evolução do clima norte-americano e que a baixa vista hoje nada mais é do que uma realização de lucros, reflexo ainda do significativo movimento de baixa visto no mercado há algumas semanas, quando a previsão era de uma grande safra - de mais de 93 milhões de toneladas - vinda dos EUA. 

O consultor coloca também boas vendas de soja feitas por Brasil e Argentina como mais um fator que deixa o mercado um pouco mais pesado. 

Mercado Financeiro - O que também deixa os investidores do mercado de commodities mais na defensiva são as incertezas sobre o mercado financeiro. Nesta quarta-feira (21), acontece a divulgação da Ata do Federal Reserve, o banco central norte-americano, e isso traz mais cautela aos participantes do mercado e reduz o volume de negócios. "A espera por essas informações sempre causam algum ajuste nos preços", diz Vinícius Ito. 

Veja como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta terça-feira (20):

>> SOJA

>> MILHO

>> TRIGO

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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