Em Chicago, soja se recupera e fecha com alta de dois dígitos

Publicado em 05/09/2013 17:09 e atualizado em 05/09/2013 17:39
2197 exibições

O mercado internacional da soja reverteu as perdas registradas mais cedo e fechou a sessão regular desta quinta-feira (5) com boas altas na Bolsa de Chicago. Os ganhos ficaram entre 11,25 e 25,25 pontos, com o vencimento novembro/13, referência para a safra norte-americana, valendo US$ 13,67 por bushel. 

Depois das últimas baixas, os fundos voltaram à ponta compradora do mercado e estimularam o avanço das cotações. "O mercado vinha sobrevendido e exibiu um movimento de correção técnica com essa realização de lucros. Assim, conseguiu chegar ao ponto de suporte que tinha como meta e, neste patamar, gerou um incentivo às compras, ainda mais com a situação de seca nos EUA", disse Mauricio Correa, analista de mercado do SIMConsult. 

Além da parte técnica, as expectativas para o novo relatório de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) também favorecem uma alta dos preços. Projeções de corretoras já indicam uma redução na produtividade e produção das lavouras de soja norte-americanas. "A expectativa pré relatório pode ser mais impactante do que o próprio relatório", acredita Correa. 

Um levantamento feito por cinco corretoras indica uma média de produtividade que deverá ser trazida pelo USDA para a soja em cerca de 47,52 sacas por hectares (41,9 bushels/acre). Caso esse número se confirme, segundo João Schaffer, analista de mercado da Agrinvest, o estoque ficaria na casa de 3,1 milhões de toneladas, contra 3,4 milhões da safra velha, o que provocaria a necessidade imediata de um racionamento de soja. 

Nem mesmo a previsão de algumas chuvas para o Corn Belt a partir de domingo foi capaz de manter uma pressão negativa sobre o mercado. Alguns mapas climáticos mostraram que, a partir do dia 8, precipitações - ainda localizadas e pouco volumosas - podem chegar em importantes estados produtores. No entanto, são chuvas que não são suficientes para promover uma recuperação dos prejuízos causados pela estiagem. 

"São chuvas na casa de 20 mm que trariam um refresco para a região do Corn Belt, já que os mapas de seca que saíram hoje mostram condições de seca severa para importantes regiões produtoras (...) Não é uma chuva que vai reverter, mas como a soja está em um período de enchimento de grão, qualquer coisa que caia no solo e a planta consiga absorver favorece o desenvolvimento, o enchimento e o peso do grão", explicou Schaffer. 

Milho - Na contramão da soja, os futuros do milho encerraram a quinta-feira do lado negativo da tabela. Segundo analistas, as previsões de chuva para o Corn Belt nos próximos dias foram o principal fator de pressão para os preços. 

Para analistas ouvidos pela agência Bloomberg, alguns investidores acreditam que as chuvas que estão previstas poderiam ajudar na recuperação das plantações, uma vez que já estão em um estágio mais avançado. 

"O milho já está mais consolidado, em fase de dente, o que mostra uma condição de avanço no processo de maturação e a estimativa de consultorias privadas já apostam em uma produtividade maior do que a estimada pelo USDA no relatório de agosto", explicou o analista da Agrinvest. 

Além disso, o início da colheita do cereal em alguns estados dos EUA também pesam sobre o mercado, uma vez que as primeiras sinalizações levam a bons índices de rendimento. 

Veja como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta quinta-feira:

>> SOJA

>> MILHO

>> TRIGO

Tags:
Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

0 comentário