Soja: com foco na seca dos EUA, mercado inicia semana em alta

Publicado em 09/09/2013 07:28
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A semana começa com preços em alta para o mercado internacional da soja. Os futuros da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago, por volta das 7h20 (horário de Brasília), subiam entre 6,50 e 11,75 pontos, com o contrato novembro, referência para a safra norte-americana, valendo US$ 13,75/bushel, ganhando 8 pontos. Milho e trigo, no entanto, operavam na contra-mão e exibiam ligeiras perdas. 

Segundo analistas internacionais, ouvidos pela agência de notícias Bloomberg, o mercado da soja ainda se foca no clima desfavorável dos Estados Unidos para continuar o movimento de alta. A falta de chuvas significativas no país já dura mais de um mês e a produtividade vem sendo drasticamente castigada pela seca, uma vez que as lavouras estão em período de enchimento de grãos. 

Assim, as especulações de que, no próximo dia 12 (quinta-feira), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trará números menores para a nova safra americana de soja também dão sustentação ao avanço das cotações. Expectativas de consultorias privadas já indicam uma expressiva baixa no volume da safra e também no rendimento que será reportado no boletim de oferta e demanda. 

No mês passado, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago, ainda segundo a Bloomberg, subiram 13% com o clima seco castigando o Meio-Oeste dos EUA. Além disso, as últimas previsões já mostram que não são esperadas precipitações suficientes para os próximos 10 dias que pudessem reverter os danos causados pela estiagem. Os estados mais afetados são Illinois, o norte do Missouri, Iowa e Minnesota. 

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira (6):

Com indefinição na safra americana, soja fecha semana em campo misto

Depois de ter caminhado de lado durante toda a sessão regular desta sexta-feira (6), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o dia em campo misto. "É uma pausa para um raciocínio, o mercado está lateralizado. Mas, na semana que vem, o mercado deverá caminhar melhor à espera pelos números que o USDA divulga na próxima quinta-feira (12)", diz Maurício Correa, analista do SIMConsult. 

O mercado ainda observa com muita atenção as previsões do tempo para os próximos dias nos Estados Unidos que indicam algumas chuvas para regiões produtoras dos EUA, mas, ao mesmo tempo, estão atentos também à forte seca que atinge o Corn Belt há certca de um mês. A falta de chuvas já compromete a qualidade das lavouras e reduz sua produtividade dia a dia. 

Segundo analistas, porém, essa condição de clima adverso deverá se manter, haja vista que as chuvas previstas não serão suficientes, caso se confirmem, para amenizar a situação de estresse hídrico pela qual passam as plantações norte-americanas. Diante disso, a expectativa do mercado é de que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) revise para baixo suas estimativas para a produção e produtividade da soja em seu relatório de oferta e demanda que será divulgado no próximo dia 12 de setembro. 

Assim, nessa espera pelos números, os investidores tentam encontrar também um melhor posicionamento antes da divulgação dos números. Além disso, os modelos climáticos observados pelo mercado continuam divergindo sobre as previsões para as próximas semanas. 

Os movimentos de compra e venda dos fundos de investimento também acentuam a volatilidade nos negócios no mercado internacional. "Os fundos, quando percebem que os preços estão muito baixos, é comprador e, da mesma forma, quando observa os picos de alta, é vendedor, pois querem realizar lucros. Esse é o movimento que aconteceu durante toda a semana e que vai continuar acontecendo até que saibamos em termos de safra americana, então, essa volatilidade deve continuar", segundo explicou o analista da Bocchi Administradora de Negócios, Leonardo Mussury. 

O analista lembra ainda que a movimentação do dólar também influencia diretamente na formação dos preços. "A flutuação climática e a situação cambial são fatores determinantes para essas oscilações tão profundas e incisivas que vêm acontecendo nos últimos dias". Essa variação, principalmente do dólar, pesa expressivamente na formação dos preços da soja no mercado interno, que chegam a oscilar de R$ 2,00 a R$ 3,00 por saca. 

Mercado Interno - No mercado interno, depois de uma semana de volatilidade em Chicago, os preços da soja recuaram nas principais praças de comercialização e os negócios aconteceram em ritmo lento. A baixa do dólar ajudou a pressionar os preços no Brasil e, em Passo Fundo/RS, por exemplo, caiu de R$ 75,00 para R$ 74,00/saca. Em Goiás, o recuo foi de R$ 67,00 para R$ 66,00 e, no Mato Grosso do Sul, de R$ 64,00 para R$ 63,00. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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