Com chuva nos EUA, soja perde mais de 30 pts em Chicago

Publicado em 16/09/2013 12:11 e atualizado em 16/09/2013 14:28
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O mercado internacional de soja continua exibindo um intenso recuo no pregão regular desta segunda-feira na Bolsa de Chicgo. Após um final de semana de chuvas no Meio-Oeste dos EUA, os futuros da oleaginosa, por volta das 14h10 (horário de Brasília), perdiam mais de 30 pontos nas primeiras posições. O contrato novembro, referência para a nova safra dos EUA, era cotado a US$ 13,46 por bushel, com queda de 35,25 pontos. Já o maio/14, referência para a safra brasileira, perdia 29 pontos, cotado a US$ 12,89.

De acordo com informações da agência internacional Bloomberg, os preços da soja nesta segunda atingiram seus menores patamares em uma semana frente a especulações de que algumas chuvas podem voltar a cair no Corn Belt do meio da semana para frente. 

As chuvas mais intensas foram registradas no estado de Minnesota e em algumas partes de Wisconsin, deixando Iowa e Illinois com poucas precipitações. Porém, as precipitações que chegaram ao Corn Belt nos últimos dias ainda se mostraram insuficientes para promover uma recuperação das plantas ou reverter os prejuízos causados pela estiagem. Nos campos da Dakota do Norte e Ohio, as chuvas foram de aproximadamente 25 mm nos três últimos dias. 

"O prejuízo está feito. Essas chuvas que chegam vêm para amenizar e trazer alguma coisa para peso de grãos. O número de vagens já tem seu potencial definido, mas temos que acompanhar esses mapas climáticos daqui para frente para ver se temos esse incremento no peso de grão, o que traria uma produtividade entre 40 e 41,5 bushels por acre, que foi o que o USDA projetou no relatório da última quinta-feira (12)", explicou o analista de mercado João Schaffer, da Agrinvest. 

Além do cenário climático, o mercado observa também um movimento de correção técnica, com os fundos de investimentos vendendo parte de suas posições na soja para comprar milho, o que estimula uma leve alta nas cotações do cereal. 

Paralelamente, os investidores aguardam também novos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que serão divulgados ainda nessa semana. No final desta segunda (16), será reportado o novo boletim sobre as condições de lavouras dos Estados Unidos e, nesta terça (17), um relatório de revisão de área que também deverá mexer com o mercado. 

"O mercado trabalha com uma redução de 1 a 2 mil acres, uma redução acima disso pode estimular um rally para os preços. Com uma produtividade menor projetada na última quinta-feira e uma redução de área, teríamos uma redução dos estoques de passagem também, o que seria um fator de alta para os preços", disse Schaffer. "E para o relatório de condições de lavouras estamos trabalhando com uma queda de 1 a 3% nas condições boas ou excelentes das lavouras norte-americanas", completa. 

No entanto, o analista acredita que esse recuo do mercado registrado na sessão de hoje é algo pontual e agravado pela proximidade da colheita, haja vista que os fundamentos, em linhas gerais, seguem positivos. "Com os reportes podendo trazer produtividades menores, podemos voltar a uma tendência mais altista". O cenário acaba sendo ainda mais favorecido pela demanda, com a China, principalmente, acelerando seu ritmo de compras, e outubro e novembro são os meses em que os navios chineses embarcando seus navios com maior peso e já há cerca de 15 milhões de toneladas adquiridas pela nação asiática aguardando o embarque.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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