Grãos seguem operando com volatilidade em Chicago nesta 4ª feira

Publicado em 09/10/2013 07:27 e atualizado em 09/10/2013 09:27
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Na manhã desta quarta-feira (9), o mercado da soja ainda opera em queda na Bolsa de Chicago, estendendo o movimento negativo do fechamento da sessão anterior. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), as perdas nos futuros da oleaginosa eram de 4 a 6 pontos. Já o milho. no mesmo momento, registrava pequenos ganhos, de menos de 1 ponto nos vencimentos mais negociados, enquanto o trigo trabalhava com pequenas perdas. 

O mercado internacional ainda opera com intensa volatilidade diante do avanço da colheita da nova safra dos Estados Unidos, que essa semana conta com condições climáticas um tanto menos adversas, e também pela falta da referência do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) por conta da falta de resolução sobre o impasse político que ainda acontece no governo norte-americano sobre a elevação do teto da dívida do país. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira (8):

Soja fecha com leve queda, mas fundamentos permanecem positivos

Na sessão regular desta terça-feira (8), os futuros da soja fecharam o dia em queda na Bolsa de Chicago. Após operar com queda de dois dígitos, o mercado conseguiu reverter parte das perdas e encerrou os negócios com baixas entre 7,75 e 9,25 pontos nos contratos mais negociados. O vencimento maio, referência para a safra brasileira, ficou em US$ 12,56 por bushel, recuando 8 pontos. 

Entretanto, analistas de mercado afirmam que essas quedas refletem somente a pressão sazonal do avanço da colheita nos Estados Unidos e, por isso, é momentânea e pontual. Mesmo sem a referência oficial do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), devido à paralisação de alguns serviços do governo americano, o mercado acredita que cerca de 20 a 22% da área de soja do país já estejam colhidos. 

Nessa semana, segundo relatou o analista de mercado Étore Baroni, da FCStone, as condições de clima foram um pouco mais favoráveis ao andamento da colheita e isso também pesou sobre as cotações. "Os mapas mostram um pouco menos de chuva, o processo de colheita avança um pouco mais rápido e entra oferta no mercado e, inevitavelmente, há uma pressão em relação aos preços". 

"O mercado se comporta de forma técnica e segue o caminho para testar o suporte dos preços, na casa dos US$ 12,40 e US$ 12,50 por bushel. Isso já aconteceu duas vezes observadas nos gráficos e pode acontecer uma terceira vez. Essa queda é técnica, mas a alta também foi um movimento técnico de antes", explica o analista de mercado Mauricio Correa, do SIM Consult. 

Para Correa, o patamar de suporte do mercado, ou a mínima, é o valor de US$ 12,50 por bushel, sendo US$ 13,50 um ponto de equilíbrio e US$ 14,50 a máxima. Porém, ratifica que, caso a safra norte-americana sofra mais perdas mais adiante, esse intervalo pode passar a ser de US$ 13,50 a US$ 15,50. "Se isso acontecer, acontecerá após esse período de colheita, que é um período de baixa sazonal.  mercado deve voltar a subir quando a colheita passar dos 50%, independente de outros fatores".

Para Baroni, o mercado ainda está perdido e buscando definir uma direção frente à essa falta de informações oficiais sem os serviços do USDA. "Não temos informações de produção, colheita, exportação e nem situação da safra americana. Mercado trabalha com as notícias que tínhamos na última semana". Ao mesmo tempo, o mercado observa também um início de plantio dentro da normalidade na América do Sul, em linhas gerais, o que também pesa sobre os negócios. 

No link abaixo, confira a íntegra da entrevista com Étore Baroni:

>> Étore Baroni - Mercado Internacional de Grãos

Apesar desse cenário, entretanto, no mercado físico brasileiro, o momento é positivo para os produtores, uma vez que o mercado está descolado de Chicago e já há negócios sendo observados com valores de US$ 3 acima de alguns vencimentos praticados na CBOT, segundo explica Liones Severo, consultor do SIM Consult. 

Severo afirma que o quadro apertado de oferta e demanda continua no foco dos investidores, e diante desse e de outros fatores positivos, o farelo de soja brasileiro atingiu seu preço recorde em nível mundial, negociado com prêmio acima de 100 dólares por tonelada curta. “Quando houve a crise norte-americana o prêmio nos EUA chegou a alcançar US$ 3,30, um valor recorde que poderá ser alcançado agora”, acredita. 

Para o consultor, o mercado hoje não pode estar atento somente ao que acontece em Chicago, uma vez que não representa o preço do mercado real e do que está acontecendo ao redor do mundo. "Hoje, o preço do farelo é igual ao preço da soja, enquanto deveria ser de 78% que é o conteúdo de farelo que há na soja, e agora já está equilibrado", diz. 

Veja a entrevista completa com o consultor de mercado Liones Severo:

>> Liones Severo - Mercado Internacional de Grãos

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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