Soja lidera altas e grãos operam em campo positivo nesta 5ª feira

Publicado em 10/10/2013 07:40 e atualizado em 10/10/2013 08:13
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Após operar alguns pregões em baixa, os futuros da soja trabalham em campo positivo na manhã desta quinta-feira (10) na Bolsa de Chicago. Por volta das 7h40 (horário de Brasília), os vencimentos março e maio/14 já registravam ganhos de dois dígitos no pregão eletrônico. O milho e o trigo também registravam pequenos ganhos. 

A recuperação das cotações, segundo analistas, é reflexo de uma volta dos investidores à ponta compradora do mercado, depois que as últimas baixas deixaram a commodity mais atrativa. Além disso, os fundamentos de oferta e demanda, que ainda indicam um quadro de ajuste, também dão sustentação aos preços. 

Paralelamente, o mercado financeiro mais tranquilo também permite a retomada do fôlego no mercado de commodities. Informações de que o presidente dos EUA, Barack Obama, se reunirá nesta quinta-feira com os republicanos com o objetivo de finalizar o impasse sobre a elevação do teto da dívida fiscal do país. Além disso, Obama indicou Janet Yellen para o comando do Federal Reserve (o banco central norte-americano) e a notícia foi bem recebida pelo mercado. 

Veja como encerrou o mercado nesta quarta-feira (9):

Soja: Avanço da colheita nos EUA pesa e mercado fecha no vermelho

A soja fechou a sessão desta quarta-feira (9) com ligeira baixa na Bolsa de Chicago. O mercado deu continuidade ao movimento negativo registrado no pregão anterior e fechou o dia com perdas entre 1 e 6,75 pontos. O contrato maio/14, referência para a safra brasileira, terminou os negócios valendo US$ 12,50/bushel, com recuo de 5,75 pontos. O trigo também exibiu um ligeiro recuo, enquanto o milho encerrou o dia do lado positivo da tabela. 

Para o analista de mercado Marcos Araújo, da Agrinvest, uma junção de fatores pressionou o mercado neste pregão. De um lado, as cotações ainda sentem a pressão negativa da falta de informações vindas dos Estados Unidos sobre o desenvolvimento da colheita. Ao mesmo tempo, consultorias privadas já começam a reportar melhores índices de produtividade das lavouras norte-americanas tanto para a soja quanto para o milho. Paralelamente, há ainda informações do mercado interno norte-americanos menos aquecido que também pesam sobre os preços. 

"Esse mercado tem diminuído bem o volume de negócios em Chicago, isso está afetando a cadeia de futuros como, estamos tendo rolagem de fundos e, portanto, o volume de negócios como um todo tem sido afetado negativamente em Chicago", diz. O analista afirma ainda que, caso os números que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deveria divulgar nesta sexta-feira (11) não sejam coletados até o dia 14, o próximo boletim deverá ser reportado somente em novembro. 

No cenário climático, os fatores também exercem uma pressão negativa sobre os preços, uma vez que, ainda segundo Araújo, os mapas climáticos indicam dias mais secos no Meio-Oeste americano, o que deverá favorecer um melhor andamento da colheita da nova safra. 

Aos poucos, os olhos do mercado se voltam também para o início da temporada 2013/14 da América do Sul. "No primeiro boletim divulgado pela Conab para esta safra tivemos, para a soja, números que nos mostram uma produção média de 88,66 milhões de toneladas, podendo chegar a 89,7 milhões, de acordo com a área de plantio aqui no Brasil. O mercado  olha com muita atenção para isso, nós devemos ter um aumento significativo dos estoques finais do Brasil", explica Araújo.

As estimativas para as exportações brasileiras de soja são de 49,5 milhões de toneladas, um volume recorde e bastante acima do registrado no ano comercial anterior. Entretanto, o analista salienta que caso a produção brasileira registre perdas mais a frente, as reservas do país podem vir a ficar negativas. "Se pegarmos uma produtividade média de 3,020 mil quilos por hectare, com uma quebra de produtividade de 5% e mantendo essa demanda total que a Conab estima, teríamos estoques negativos no Brasil, com a necessidade de haver um racionamento da demanda", explica. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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