Com financeiro mais calmo, soja tenta recuperação e avança

Publicado em 10/10/2013 12:10
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O mercado internacional de soja opera em campo positivo nesta quinta-feira (10). Os futuros da oleaginosa, por volta das 11h30 (horário de Brasília), registravam altas de dois dígitos nos primeiros vencimentos, e o contrato novembro/13, referência para a safra americana, era cotado a US$ 12,99 por bushel, com alta de 11,75 pontos. Já o maio/14, referência para a colheita brasileira, era cotado a US$ 12,56, subindo 5,50 pontos. 

O avanço registrado pelas cotações é, em partes, reflexo das boas notícias vindas do mercado financeiro, que observa uma sinais de uma possível solução para o impasse político nos Estados Unidos sobre o teto da dívida fiscal do país. Com uma menor aversão ao risco e a recente queda dos preços, os investidores voltam à ponta compradora do mercado e estimulam o movimento positivo. 

"Um acordo entre o Congresso e o governo americano deverá fazer algum ajuste para o aumento do endividamento teto e proporciona uma retomada de lucros. Os fundos venderam commodities agrícolas e compraram produtos econômicos, agora estão revertendo esse processo", explicou Mário Mariano, analista de mercado da Novo Rumo Corretora. 

Segundo informações de um assessor de liderança republicana dos EUA ao site G1, deputados republicanos consideraram apoiar um aumento de curto prazo na capacidade de empréstimo do governo para ganhar tempo nas negociações sobre medidas  mais amplas. 

Entretanto, Mariano acredita que trata-se de um movimento pontual de alta, uma vez que os trabalhos de campo têm evoluído expressivamente nos Estados Unidos dada às boas condições climáticas no Meio-Oeste nessa semana. "A colheita evoluiu dentro do esperado para a semana, com dias um pouco mais quentes, sem chuvas e o frio que foi registrado não fora prejudicial aos trabalhos de campo".

Porém, ao mesmo tempo, em relação ao ano passado, a colheita está atrasada e a evolução que tem sido observada pelo mercado está aquém do real potencial norte-americano, que conta com uma tecnologia bastante avançada. 

Outro fator que também poderia pesar sobre as cotações são dados trazidos por consultorias privadas indicando um aumento de produtividade, tanto para a soja quanto para o milho. "O rendimento de milho para os estados de Illinois e Indiana estão ao redor de 174 e 178 bushels por acre, muito superior aos 160 comentado recentemente. Portanto, um aumento qualquer que venha ocorrer por questões de fundamentos pontuais ou até mesmo por ativos americanos pode  causar apenas uma limitação de alta e o mercado volta a cair (...) São fatores limitados, com altas limitadas", afirma o analista. 

Na sessão regular desta quinta, os futuros do milho chegaram a registrar ligeiras altas mais cedo, no entanto, logo passaram para o campo negativo e, por volta de 12h (Brasília), os principais vencimentos registravam perdas de pouco mais de 5 pontos. O trigo acompanha o movimento negativo, porém, tenta se manter próximo da estabilidade, com perdas bem menos significativas.  

Sobre a falta de informações trazidas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), Mariano acredita que o mercado já não sente nenhum impacto muito significativo, seja ele positivo ou negativo, salvo o conhecimento dos dados sobre o andamento da safra norte-americana 2013/14. O relatório mensal de oferta e demanda que seria divulgado nesta sexta-feira (11) não será reportado, como foi informado pelo porta-voz do departamento. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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