Soja: preços fecham em queda com fatores técnicos e fundamentais
A soja operou durante toda a sessão regular desta quinta-feira (23) em alta na Bolsa de Chicago, porém, o mercado virou e encerrou os negócios em campo negativo, registrando ligeiras perdas. O vencimento março/14 fechou valendo US$ 12,77 por bushel, se aproximando de uma média móvel de risco, que ao ser rompida pode estimular mais vendas por parte dos fundos. Esse é um movimento técnico do mercado, como explicou o analista Flávio Oliveira, da Mc Donald & Pelz Corretora.
O mercado continua operando sem uma direção definida e, as altas registradas mais cedo foram justificadas por analistas pelas adversidades climáticas na América do Sul. Além disso, o quadro de uma firme demanda e a escassez de soja nos EUA completam o cenário de fundamentos ainda positivos para a oleaginosa.
Segundo informações do noticiário internacional, os traders observam as adversidades pelas quais passam as lavouras na Argentina e os problemas que tiveram durante seu desenvolvimento. Um analista ouvido pelo site norte-americano Farm Futures disse que as temperaturas no país continuam acima dos 38ºC.
O analista cita ainda o forte calor no Brasil, porém, afirma que em algumas regiões produtoras as chuvas, há algumas semanas, já chegaram em condições mais do que suficientes. Porém, até a segunda quinzena de fevereiro, de acordo com a Somar Meteorologia, poderá ser registrado um período de chuvas escassas, conhecidos como veranicos. A situação mais complicada deverá ser sentida pelas produtores do Oeste da Bahia.
Outro fator que puxou os preços da soja neste pregão foram as altas registradas pelo mercado do trigo, que também observa as condições climáticas. O rigoroso inverno no Hemisfério Norte castiga a produção e os prejuízos maiores são sentidos pelo cereal.
Assim, nesta quinta-feira, os preços do grão sobem pela primeira vez em quatro sessões e fecharam os principais vencimentos com mais de 8 pontos de alta. De acordo com o Weather Commodity Group, as temperaturas no Meio-Oeste americano devem permanecer negativas nos próximos 10 dias.
"As temperaturas congelantes nas planícies do norte dos EUA e no Meio-Oeste estão aumentando os temores de morte das plantas pelo frio intenso", disse um analista internacional à Bloomberg.
Entretanto, a ligeira queda da soja no final do pregão foi estimulada por um movimento de liquidação de posições com influência de um mau humor do mercado financeiro e da forte alta do dólar frente à uma cesta de moedas. Alguns dados sobre a economia chinesa não foram bem recebidos pelos investidores e refletiram de forma negativa no mercado da soja, segundo Flávio Oliveira.
As expectativas para o relatório de exportações semanais que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta sexta-feira (24) também mexeram com os negócios. Ainda de acordo com o analista, o mercado aguarda para ver se haverá uma confirmação dos boatos de troca de origem de soja por parte da China dos Estados Unidos para o Brasil.
Veja como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta quinta-feira:
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