China cancela compras e soja fecha a 4ª feira em queda na CBOT
A soja registrou uma sessão negativa nesta quarta-feira (12) na Bolsa de Chicago e encerrou os negócios com baixas de dois dígitos nas primeiras posições. O contrato março/14 fechou o dia valendo US$ 13,23 por bushel, caindo 11,75 pontos, e o maio/14, referência para a safra brasileira, a US$ 13,09, perdendo 10,75 pontos.
O movimento negativo, segundo analistas, se deu por uma intensa realização de lucros, vinda após as expressivas altas registradas nos últimos dias e por notícias de cancelamentos de compras de soja da China feitas nos Estados Unidos. Nesta quarta, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que a nação asiática cancelou uma compra de 272 mil toneladas de soja norte-americana com entrega prevista para a safra 2013/14.
Ao mesmo tempo, porém, o departamento informou ainda que os chineses compraram mais 240 mil toneladas para serem entregues na safra atual, o que confirma a continuidade de sua demanda pelo produto dos EUA, como explicou o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes. "Esse volume cancelado pela China é muito pequeno frente à situação de venda nos Estados Unidos".
Entretanto, a escassez de soja nos EUA é uma situação preocupante e, segundo analistas, o principal motivo de suporte para as cotações no mercado internacional nesse momento. O movimento, de cancelamento, apesar da recompra, sinaliza esse sentimento de que, cada dia mais, as atenções da China deverão se voltar para a oferta da América do Sul. E se movimento se acentua à medida que a colheita avança, principalmente, no Brasil.
Em janeiro de 2014, as importações de soja da China aumentaram 25% na comparação com o mesmo mês de 2013 e totalizaram 5,9 milhões de toneladas. Para fevereiro, as projeções são de que as compras superem, novamente, as 5 milhões de toneladas, enquanto em fevereiro do ano passado as compras foram de 2,89 milhões de toneladas.
Paralela à demanda aquecida da China se voltando para a América do Sul, o clima muito quente e seco no Centro-Sul do Brasil segue castigando a produção brasileira de soja. Segundo Fernandes, essas condições desfavoráveis de clima poderiam gerar uma quebra de 4,5 milhões de toneladas na safra brasileira 2013/14. Não chove há quase dois meses em importantes regiões produtoras e em alguns locais as perdas de produtividade já são bem expressivas.
A tendência portanto, apesar das pontuais realizações de lucros, é de que o mercado possa romper alguns patamares de preços - que oscilam entre US$ 13 e US$ 13,50 por bushel - a medida que as perdas forem sendo confirmadas. Além do clima adverso, das possibilidades de quebra de safra e da demanda aquecida, as origens ainda estão evitando as vendas de volumes muito grandes, o que dá ainda mais suporte aos preços da oleaginosa não só em Chicago, como também no mercado internacional.
Veja como ficaram as cotações dos grãos negociados na Bolsa de Chicago:
No link abaixo, confira a íntegra da entrevista de Ênio Fernandes
>> Ênio Fernandes - Consultor em Agronegócio - Mercado de Grãos
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