Soja tem intensa realização de lucros e fecha com forte baixa

Publicado em 12/03/2014 17:15 e atualizado em 12/03/2014 17:51 3612 exibições

Após cinco semanas consecutivas de altas e um rally de 14% de ganhos nos preços, o mercado da soja fechou o pregão com mais de 20 pontos de baixa nesta quarta-feira (12). O contrato maio, referência para a safra brasileira, encerrou o dia valendo US$ 13,87 por bushel, recuando 26 pontos. 

Segundo explicou Camilo Motter, economista da Granoeste Corretora, os rumores de que a China pode fazer washouts (troca de origem) com compras de soja norte-americana pressionaram o mercado, apesar de não terem sido confirmados. 

Os boatos poderiam até mesmo ser oficializados nesta quinta-feira (13), quando o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz seu novo relatório de exportações semanais. No entanto, como explicou Motter, mesmo que haja uma confirmação, seria necessário um volume expressivo e suficiente para causar um impacto mais sério ao mercado, uma vez que as exportações já estão bem acima da projeção do órgão. 

Além disso, o analista explicou ainda que o movimento de queda foi acentuado no pregão desta quarta por conta de fortes vendas por parte dos fundos de investimento, os quais vinham carregando uma intensa posição comprada nas últimas semanas. "Os fundos aproveitaram uma redução do spread entre o contrato maio/14 e o novembro/14 - que caiu de US$ 2,70 para US$ 2,11 - para trocar suas posições". Assim, uma realização de lucros também pesou sobre o mercado. 

Apesar dos recuos terem sido registrados desde o início dessa semana, o mercado ainda conta com fundamentos inalterados e positivos. A demanda pela soja norte-americana continua muito forte e os estoques finais do país são extremamente apertados, estando abaixo de 4 milhões de toneladas. Consultorias como a Oil World, no entanto, já estimam as reservas dos EUA ainda menores, com 3,4 milhões de toneladas no final da temporada 2013/14, enquanto o USDA estima 3,85 milhões. 

Assim, analistas acreditam que o mercado deve logo voltar a subir, voltando-se, novamente, aos seus fundamentos. "Eu acredito que o mercado ainda tem fôlego para subir e recuperar importantes patamares de preços", disse Steve Cachia, analista de mercado da Cerealpar. 

O analista afirma também que o mercado continua atento também às informações sobre a safra da América do Sul, principalmente do Brasil, que ainda não estão definidas. Condições climáticas causaram intensos prejuízos, porém, os resultados finais ainda não foram definidos, porém, convergem para uma produção menor. Nesta quarta, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), reportou seu levantamento indicando uma safra 5% menor no país, de 85,4 milhões de toneladas na temporada 2013/14. Em fevereiro, a estimativa era de 90,01 milhões de toneladas. 

Com esse número, a companhia chega com uma das mais baixas estimativas do mercado para a produção brasileira de soja, já que outras consultorias privadas acreditam em um volume que pode chegar de 86 a 89 milhões de toneladas. O USDA, por exemplo, reduziu sua projeção de 90 para 88,5 milhões de toneladas. 

Milho e Trigo - Na contramão da soja, os mercados do milho e do trigo fecharam em campo positivo, com altas de mais de 20 pontos de alta para o trigo.

Os fundamentos positivos para ambos os mercados e mais as preocupações com a situação dos conflitos na Ucrânia estimularam os ganhos para os grãos, uma vez que o mercado está bastante atento à situação e ao futuro das exportações do trigo na região do Mar Negro, as quais podem ser afetadas. 

Além disso, o mercado do trigo refletiu também as condições de clima desfavoráveis em importantes regiões de produção dos Estados Unidos. Na porção oeste do Meio-Oeste norte-americano, na região do Kansas e das Dakotas do Sul e do Norte, as precipitações estão abaixo do esperado e o quadro também chama a atenção dos investidores. 

Assim, o milho acompanhou o movimento positivo do mercado vizinho e as posições mais negociadas na Bolsa de Chicago terminaram o dia com altas superiores a 5 pontos. Paralelamente, o clima no Brasil também tem sido acompanhado com atenção. Depois de semanas consecutivas de uma estiagem intensa, a safra brasileira sofre agora com o excesso de chuvas e deve registrar prejuízos expressivos. 

Nesta quarta-feira (12), a Conab estimou a produção do Brasil em 75,1 milhões de toneladas, entre safra e safrinha. Houve redução no milho primeira e segunda safras de 9,1% (3,2 milhões de t) e de 6,8% (3,1 milhões de t), respectivamente, perdendo terreno para a soja, que tem preços mais favoráveis. A primeira foi estimada em 31,4 milhões e 43,7 milhões para a segunda safra. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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