Soja tem melhores preços na CBOT e fecha semana em alta no Brasil

Publicado em 04/04/2014 17:42 1926 exibições

O mercado internacional da soja registrou uma semana de expressiva volatilidade e fechou o pregão regular desta sexta-feira (4) em campo misto na Bolsa de Chicago. No entanto, as oscilações foram pouco significativas e no encerramento dia foram de menos de 2 pontos. Com exceção do primeiro contrato, maio/14, que fechou com 1,50 ponto de baixa, valendo US$ 14,73 por bushel, as demais posições ficaram em campo positivo. 

Depois das fortes altas registradas pela soja nessa semana, quando a primeira posição chegou a ultrapassar os US$ 14,90, fundos e especuladores optaram por uma realização de lucros, pressionando ligeiramente o mercado. Essa baixa momentânea, no entanto, já vinha sendo esperada pelos analistas, uma vez que os fundos têm carregado um grande número de posições compradas frente ao cenário de fundamentos ainda positivos. 

"Isso é positivo, mas também é perigoso. No momento em que os grandes furos acharem que é hora de sair, teremos realizações de lucros. Porém, eu não acredito em um movimento muito forte, pois os preços não podem cair muito já que não tem soja nos Estados Unidos. (...) Estamos subindo degrau a degrau, nós rompemos os US$ 14,50 há poucos dias", explicou Ênio Fernandes, consultor em agronegócio. 

A escassez de soja nos Estados Unidos, os baixos estoques no país e uma demanda ainda forte pelo produto americano são as informações que ainda se constituem como a principal base de preços altos para a commodity nesse momento, entretanto, já são conhecidas pelo mercado. Dessa forma, Fernandes afirma que as cotações carecem de novos dados, principalmente sobre novas vendas feita pelo país, para estimular novos ganhos. 

"Com preços próximos a US$ 15 temos mais players vendedores atuando, o mercado realiza, se aproxima dos US$ 14,60 e, com isso, há novos players comprando. Assim, o mercado se mantém bem estável, até surgirem novos dados, precisamos de novas vendas nos EUA, para rompermos a barreira dos US$ 15 por bushel", explica o consultor. 

No próximo dia 9, quarta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga um novo relatório de oferta e demanda e, diante da espera por esses números, as expectativas dos participantes do mercado. Com as vendas de soja do país muito aceleradas, bem como os embarques, a atenção se volta para os estoques do país e também às importações dos EUA, as quais deveriam aumentar, segundo analistas, para que todos os compromissos, sejam com a demanda interna ou externa sejam atendidos. 

Assim, o papel de restringir a demanda continua sendo do mercado, em forma de preços cada vez mais altos, como tentativa de inibir o comprador frente à oleaginosa dos Estados Unidos. "Se o mercado continuar comprando a US$ 14,80 a pergunta seguinte será se ele compra também a US$ 15. Logo o mercado será testado para observar se as vendas norte-americanas conseguem ser restringidas", diz Ênio Fernandes. 

A visão para as cotações da soja, portanto, no curto prazo, é de um mercado ainda fortemente sustentado, com uma menor oferta da América do Sul, além da já conhecida situação norte-americana, e com uma tendência muito forte de romper, logo mais os US$ 15 por bushel. Somente nessa semana, o vencimento maio acumulou um ganho de 2,75% e, no acumulado do ano, a valorização das principais posições é de 13%. 

Mercado Interno - No mercado brasileiro, a semana também foi positiva para os preços da soja. Apesar de uma taxa de câmbio menor e de prêmios negativos nos portos brasileiros, o valor da saca subiu na maior parte das praças de comercialização do país. 

De acordo com um levantamento da Safras & Mercado, em Passo Fundo/RS, o preço subiu de R$ 66,50 para R$ 67; em Cascavel/PR, o aumento foi de R$ 64,50 para R$ 67; em Rondonópolis de R$ 57,50 para R$ 60,00; em Rio Verde/GO, passou de R$ 62 para R$ 63,50 e em Dourados/MS, o valor subiu de R$ 60,00 para R$ 61,50. 

Entretanto, o volume de negócios no país ainda não é muito grande, com os produtores um pouco mais reticientes em efetivar suas vendas nesse momento. As perspectivas iniciais da produção brasileira foram frustradas e as projeções de uma colheita de 90 milhões são, agora, de 85 a 86 milhões de toneladas para a safra 2013/14. 

"A falta de grão e o preço constantemente subindo estão inibindo as vendas por parte do produtor, que está mais receoso para vender. E a situção se repete no milho safrinha", explica o consultor. 

Milho: Fundamentos prevalecem e preços fecham pregão com ligeiras altas

Por Fernanda Custódio

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o dia com leves altas. Ao longo das negociações, as principais posições da commodity reverteram as perdas e terminaram a sessão com ganhos entre 5,25 e 1,75 pontos. O vencimento maio/14 encerrou cotado a US$ 5,01, valorização de 0,35% em relação ao último pregão.

Nesta sexta-feira (4), os preços futuros foram sustentados pelos fundamentos que ainda permanecem positivos. De acordo com a analista em agronegócio da Céleres Consultoria, Aline Ferro, a demanda internacional pelo milho norte-americano continua aquecida. 
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou nesta quinta-feira que as exportações semanais somaram 960.600 toneladas até a semana encerrada no dia 27 de março.  "Além disso, os investidores acreditam que a área cultivada com o milho na safra 2014/15 nos EUA possa apresentar um recuo ainda maior do que o anunciado pelo USDA, de 37,11 milhões de hectares", explica Aline.

Para compor o cenário, com o início do plantio nos EUA, as especulações sobre o clima no país começam a ganhar força. Ainda na visão da consultora, esse é um dos principais fatores que deverão exercer influência nos preços em Chicago. Caso as previsões climáticas não sejam favoráveis, poderá prejudicar o avanço do plantio do milho norte-americano.

O clima na América do Sul também é observado pelos investidores. No Brasil, a safra de milho verão apresentou uma perda na produtividade das lavouras, em função da falta de chuvas e altas temperaturas. A safrinha também enfrentou problemas e boa parte da safra foi cultivada fora da janela ideal. Já na Argentina, a expectativa é que haja uma redução de 11% na safra, segundo informações divulgadas pela Bolsa de Cereais.

BMF&Bovespa

Os futuros do milho na BMF&Bovespa operam com ligeiros ganhos nesta sexta-feira. As altas são decorrentes da valorização do dólar, assim como, as perdas na safra de verão e a incógnita da safrinha brasileira. 

Na contramão desse quadro, no mercado interno a comercialização da safra segue mais lenta. O levantamento da Scot Consultoria apontou que, os preços baixaram durante o mês de março devido o avanço da colheita e o término da semeadura da safrinha em importantes regiões produtoras.  

E, no momento, os produtores estão voltados para a comercialização da soja. Diante dessa situação, as vendas do milho estão travadas no país, uma vez que os produtores estão capitalizados e seguram o grão à espera de preços melhores. Ainda assim, a médio e longo prazo, o recuo na área cultivada no Brasil e uma possível redução na safra norte-americana ainda são fatores positivos aos preços. 

Veja como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta sexta-feira:

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Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

2 comentários

  • salvador reis neto santa teresa do oeste - PR

    sugiro a reportagem que quando falar em preço de soja usar a referencia preço pago ao agricultor, exemplo: cascavel o preço de sexta, e de 61.50 e não 67 reais como anunciado acima,ou seja não subiu e sim baixou.

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  • THIAGO ZARDO Cascavel - PR

    Gostaria de saber de onde veio a informação de que o soja esta R$ 67 em Cascavel -PR

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