Soja e Milho: Mercado espera baixos estoques nos EUA e fecha com forte alta

Publicado em 08/04/2014 17:15 e atualizado em 08/04/2014 18:54 1786 exibições

Nesta terça-feira (8), a soja fechou com bons ganhos na Bolsa de Chicago, após passar por mais uma sessão de volatilidade. Os contratos mais negociados encerraram o dia com altas de dois dígitos, com o mercado já se posicionando frente ao relatório de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta quarta-feira, dia 9 de abril.

A principal expectativa dos traders sobre esse boletim é para o número que será reportado para os estoques norte-americanos. Há uma severa falta de soja disponível no país, mas, ainda assim, as exportações e embarques continuam acontecendo em um ritmo bastante acelerado. A última estimativa de exportações do departamento - 41,6 milhões de toneladas -  já foi largamente ultrapassada pelo volume de vendas, que passa dos 44 milhões de toneladas. 

"Temos visto, nas últimas semanas, exportações ainda fortes de soja norte-americana e nenhuma notícia de cancelamentos de volumes grandes, ou seja, tudo indica que os estoques amanhã devem cair um pouco mais nos EUA", disse o analista de mercado Steve Cachia, da Cerealpar. 

De acordo com um levantamento de agências internacionais, a expectativa para os estoques finais dos EUA é de que fiquem em torno dos 3,79 milhões de toneladas (139 milhões de bushels) contra 3,95 milhões (145 milhões de bushels) estimados no boletim de março. Na safra 2012/13, os estoques finais norte-americanos foram de 3,84 milhões de toneladas, após perdas bastante expressivas ocasionadas por uma estiagem severa no Corn Belt.

Há uma expectativa também de que os estoques mundiais recuem de 70,64 milhões para 70,3 milhões de toneladas. Paralelamente, os traders apostam também em uma redução na estimativa da safra brasileira - de 88,5 milhões para 87,41 milhões de toneladas - e em um aumento para a colheita da Argentina, a qual deve subir de 54 milhões para 54,1 milhões de toneladas. 

"O principal fator de influência para o mercado ainda é referente à safra velha. Devemos ver os números do USDA mostrando estoques historicamente baixos nos EUA, lembrando que eles já embarcaram 97% de tudo o que está previsto para o ano comercial inteiro, falta menos de 1 milhão de toneladas fechar a estimativa do USDA de março. Teremos, portanto, que observar também se vai haver ou não essa questão de racionamento de produto", explica Cachia. 

Com esse quadro, para o analista a tendência é de que, confirmados os números pelo USDA, o mercado busque, principalmente nos vencimentos mais próximos, os US$ 15 por bushel, ou patamares até um pouco mais elevados. Por outro lado, alerta para pequenos e pontuais recuos que o mercado poderia vir a registrar. 

"Do ponto de vista técnico, o mercado deu uma pausa agora, mas, sem dúvida, a queda recente não foi suficiente para reverter a tendência de curto prazo, que é essa tendência altista que vimos nos últimos meses", afirma o analista da Cerealpar. 

Milho: Frente a um possível atraso no plantio nos EUA, preços fecham em alta

Por Fernanda Custódio

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os preços futuros do milho fecharam o dia do lado positivo da tabela. Durante as negociações, as principais posições da commodity reverteram as perdas e terminaram a sessão com ganhos entre 6,25 e 7,75 pontos. o contrato maio/14 era cotado a US$ 5,07 por bushel, valorização de 1,55% em relação à última sessão.

De acordo com a analista em agronegócio da Céleres Consultoria, Aline Ferro, os rumores de um possível atraso no plantio da safra 2014/15 nos EUA deram suporte aos preços futuros. "Mas, por enquanto, são só especulações do mercado", afirma.

O fator clima tem ganhado força no mercado nos últimos dias e exercido influência nas cotações, já que, caso as condições climáticas sejam desfavoráveis poderá prejudicar o cultivo da safra norte-americana. Se o plantio atrasar no país, os investidores acreditam que o cereal possa perder mais espaço para a soja.

Além disso, na sessão desta terça-feira, os preços refletiram as estimativas para o novo relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Os números deverão ser divulgados nesta quarta-feira (9).

os investidores acreditam que os estoques de milho norte-americanos apresentem uma redução de 36,98 milhões de toneladas para 35,64 milhões de toneladas. Na última temporada, o número anunciado pelo departamento foi de 20,85 milhões de toneladas.

A safra brasileira também deverá registrar um leve reajuste e totalizar 69,8 milhões de toneladas, contra 70 milhões de toneladas projetadas no mês de março. Na contramão desse quadro, a produção de milho da Argentina deverá apresentar um ligeiro aumento de 24 milhões de toneladas para 24,1 milhões de toneladas.

Ainda na visão da analista, os fundamentos são positivos para o mercado de milho. Nos EUA, a demanda pelo produto permanece aquecida e a área cultivada com o milho no país deverá registrar uma redução nesta safra 2014/15, conforme apontou o USDA.

BMF&Bovespa

As cotações futuras do milho exibem ligeiros recuos na sessão desta terça-feira. A analista explica que, os vendedores estão retraídos no mercado. Os produtores ainda esperam por preços melhores para realizar a comercialização.

No Mato Grosso, a comercialização da safrinha chegou a 11,5% até abril, conforme apontou o Imea (Instituto de Economia Agropecuária) nesta terça-feira. Até março foram vendidas cerca de 2 milhões de toneladas, com preço médio de R$ 14,50 a saca. 

Já no Paraná, a comercialização da segunda safra alcançou o patamar de 2%, segundo informações do Deral (Departamento de Economia Rural). No mesmo período do ano passado o volume negociado era de 5%. 

"No mercado interno, os preços estão firmes e a tendência é que os preços se mantenham em patamares mais firmes do que os registrados no ano anterior, situação decorrente da queda na safra de verão e inverno no país", relata Aline.

De acordo com levantamento da consultoria, a safra de verão deverá totalizar 34 milhões de toneladas, uma redução de 8,4% frente ao colhido na última safra, de 37,13 milhões de toneladas. A safrinha foi projetada em 44,4 milhões de toneladas, o número é 4,2% menor do que o colhido no ano passado, de 46,34 milhões de toneladas.

Veja como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta terça-feira:

>> SOJA

>> MILHO

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Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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