Soja: no Brasil, mercado é pressionado por dólar e prêmios negativos

Publicado em 11/04/2014 17:09 2908 exibições

Enquanto os futuros da soja realizam lucros na Bolsa de Chicago após semanas de boas altas e pressão dos financeiros, no Brasil os preços da soja são pressionados por um dólar mais baixos e prêmios negativos nos portos brasileiros. Assim, a semana foi de poucos negócios no mercado brasileiro de soja e, frente a isso, os produtores se mantêm mais cautelosos nesse momento, à espera de melhores oportunidades de comercialização.

Nesta sexta-feira (11), o mercado internacional da soja encerrou o dia com as primeiras posições recuando mais de 18 pontos e o vencimento maio/14, o mais negociado nesse momento, valendo US$ 14,63 por bushel. Na quarta-feira (9), porém, após a divulgação dos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o contrato chegou a superar os US$ 15, refletindo a força que os fundamentos de oferta e demanda ainda têm sobre as cotações.  

"Muitos negócios que eram esperados para acontecer agora no começo de abril não foram efetivados. O mercado está em um ritmo mais lento", relatou Vlamir Brandalizze. Em Cascavel/PR, em uma semana, o preço recuou de R$ 62,50 para R$ 61,00/saca; em Rondonópolis/MT de R$ 61,45 para R$ 60,15; em Não-Me-Toque/RS, de R$ 64,00 para R$ 62,00; em Jataí/GO, de R$ 59,40 para R4 58,20 e em São Gabriel do Oeste/MS, o preço ficou estável em R$ 60,00.  

Segundo o consultor de mercado de Brandalizze Consulting, aproximadamente 75% da safra brasileira de soja já foi negociada e o restante vem sendo mantido pelos produtores, como forma de utilizar esse produto como um ativo financeiro real, aguardando níveis maiores de preços. Nessa semana, as cotações nas principais praças de comercialização do Brasil se manteram praticamente estáveis em relação à semana anterior, com momento de valores tanto mais altos quanto mais baixos. 

"Não houve uma flutuação muito grande dos preços, o que não estimulou as negociações. Os produtores não estão fixando em termos de balcão, nas cooperativas e com os comerciantes, então não se formam lotes e os negócios não fluem. Basicamente, o movimento atual é atrelado a negócios anteriores, que estão sendo carregados para os portos e para as indústrias, e continuamos embarcando em ritmo acelerado. O mercado continua muito comprador de soja", disse o consultor.

Somente na primeira semana de abril, as exportações brasileiras de soja somaram 1,67 milhão de toneladas, segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Já em todo o mês de março, as vendas do Brasil foram de 6,23 milhões de toneladas, registrando um recorde para o mês . E para todo o ano safra, o governo estima que sejam exportadas 45,3 milhões de toneladas, um volume que, ao ser concretizado, será 2,5 milhões de toneladas maior do que o número da temporada 2012/13. 

Os negócios, para Brandalizze, deverão evoluir de forma mais expressiva ao passo que a taxa cambial se eleve um pouco mais, recuperando bons patamares como os vistos há alguns meses entre R$ 2,40 e R$ 2,45, o que poderia elevar os preços da saca de soja, em média, em R$ 5,00. Assim, essa diferença de mais de 10% na variação cambial é o que tem promovido esse entrave nas vendas da oleaginosa brasileira. 

Paralela ao cenário do dólar, há uma agilidade um pouco maior nos portos brasileiros para o escoamento da safra se comparado ao ritmo dos embarques na temporada anterior. "Com isso, os prêmios que hoje estão na faixa de 50 centavos abaixo dos preços praticados em Chicago estão melhores do que em anos anteriores quando, geralmente, flutuavam cerca de US$ 1,00 abaixo de Chicago, ou seja, os prêmios ainda estão negativos, mas melhores do que as médias dos últimos anos", explica Brandalizze. 

Safra 2014/2015

Por outro lado, enquanto o dólar mais baixo prejudica a formação do preço da soja no mercado interno, cria um cenário mais atrativo para a compra de insumos para a próxima safra. Grande parte dos produtos utilizados no país são negociados na moeda norte-americana e, com isso, os produtores já começam a levantar os custos com o objetivo de garantir bons preços.

Um dos maiores gastos do sojicultor entre os insumos é tido com os fertilizantes ecom esse dólar mais baixo, o momento poderia ser mais atrativo, com a possibilidade de fazer seus fechamentos, já que com a moeda norte-americana voltando para a casa dos R$ 2,40, os custos poderiam ficar 10% mais caros. 

Além disso, Vlamir Brandalizze afirma ainda que nesse momento o produtor brasileiro está bastante atento também aos resultados da safrinha de milho. "O mercado de milho da safrinha se projeta bom, mas não se pode garantir ainda que a safrinha será boa, por conta do atraso no plantio em quase todas as regiões. Se ele conseguir bons resultados ele aumenta sua renda e recupera parte das perdas causadas com a seca em regiões como Goiás, Mato Grosso do Sul, e oeste do Paraná, que foram regiões afetadas pelo clima e tiveram a produtividade da soja comprometida. Então, a saída desses produtores para fechar o ano com lucratividade seria ter um bom retorno do milho safrinha", explica.     

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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