Após altas consecutivas, soja tem correção e fecha com leve queda

Publicado em 17/04/2014 18:04 2047 exibições

Nesta quinta-feira (17), os futuros da soja fecharam a sessão regular em campo negativo na Bolsa de Chicago. O mercado registrou uma sessão de volatilidade intensa e terminou o dia perdendo entre 1,50 e 4,75 pontos, no entanto, os contratos maio e julho conseguiram se manter acima dos US$ 15,00 por bushel. 

Mais cedo, as cotações chegaram a operar em alta, subiram mais de 10 pontos e, no melhor momento da sessão, o primeiro vencimento registrou o valor de US$ 15,31, melhor patamar em 10 meses para a commodity, refletindo um mercado ainda muito sustentado em Chicago.

Os estoques dos Estados Unidos cada vez menores e uma demanda ainda muito forte pelo produto norte-americano, tanto interna quanto para exportação, têm sido os principais componentes da base de sustentação da soja. O esmagamento está elevado, as exportações acontecem em ritmo recorde e, nesse momento, o papel do mercado é o de racionar essa demanda por meio de uma elevação dos preços. 

"Com essa forte da demanda da China, esse preço de Chicago, do vencimento julho, terá que subir a níveis que provoquem  racionamento da demanda para que os EUA tenham um nível razoável de estoques de passagem, mas o risco de cada vez ter que importar mais soja é maior. A demanda está forte, os estoques apertados e produtor não vende", explica Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest. 

O cenário de curto prazo, de preços sustentados por esse ajustado quadro de oferta e demanda, poderia, no entanto, se estender e se repetir mais a frente, uma vez que, para recompor os estoques norte-americanos de forma confortável e adequada os EUA teriam que contar com um clima perfeito e atingindo um recorde de produtividade. 

"Se você considerar uma produtividade de 50,5 sacas por hectare,  o que seria um recorde, você tem uma chance de uma recuperação dos estoques, mas isso contando com um clima mais do que perfeito, o que é difícil acontecer". Se a produtividade for de 47 sacas /hectare, segundo o analista, os estoques finais ficarão bem menores do que nesta temporada". 

Milho: Diante da previsão de clima favorável nos EUA, preços fecham em queda e alcançam o menor patamar em duas semanas

Por Fernanda Custódio

Nesta sexta-feira, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram o pregão do lado negativo da tabela. Em dia de volatilidade, as cotações até esboçaram uma reação, mas ao longo das negociações e recuaram e encerraram o dia com perdas entre 2,25 e 3,00 pontos. Os vencimentos atingiram o menor patamar em duas semanas e o contrato maio/14 fechou o pregão cotado a US$ 4,94 por bushel.

Durante o pregão, o mercado foi pressionado pelas previsões climáticas indicando uma mudança no padrão de clima. De acordo com o analista de mercado, Stefan Tomkiw, para os próximos dez dias, a previsão ainda é de um clima mais frio e úmido.

Entretanto, os mapas meteorológicos mais longos já apontam uma reversão nessa tendência, com possibilidade de temperaturas mais altas em partes do Meio-Oeste norte-americano. Segundo informações da agência internacional Bloomberg, as temperaturas mais quentes deverão permitir o avanço do plantio nas próximas duas semanas, que até o dia 13 de abril atingiu o patamar de 3%, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

"Com isso, a expectativa, é que o plantio da safra 2014/15 ganhe ritmo. Vamos ter o mercado especulando com o clima e, consequentemente, com o desenvolvimento das lavouras, então teremos muita volatilidade pela frente", explica o analista. 

Ainda nesta quinta-feira, o departamento divulgou os números de exportações semanais de milho. Para a safra 2013/14, as exportações totalizaram 601.900 toneladas na semana encerrada no dia 10 de abril. Na última semana, o volume reportado foi de 658.700 toneladas. Ainda na visão dos analistas, os números limitaram as perdas na sessão em Chicago.

Já para a safra 2014/15, o órgão anunciou as exportações em 192.600 toneladas no mesmo período. O número está bem acima do reportado anteriormente, de 58.000 toneladas. O principal destino do milho norte-americano foi o Japão, com 141.800 toneladas.

Apesar desse cenário, os fundamentos de oferta e demanda são positivos aos preços do cereal, conforme explicam os analistas. Frente a demanda aquecida, hoje, o USDA divulgou a venda de 125.000 toneladas de milho para a Coreia do Sul, há uma projeção de redução na área cultivada nos EUA na safra 2014/15.

Mercado interno

Durante a semana, os preços do milho permaneceram estáveis no mercado interno em diversas praças no país. Já as vendas da produção seguem lentas. Em importantes regiões produtoras, os agricultores capitalizados seguram às vendas à espera de preços melhores.

Diante das incertezas da safra brasileira e também nos Estados Unidos, os produtores acabam adotando uma postura mais cautelosa no momento da negociação. A perspectiva inicial é que a safra do Brasil, somando primeira e segunda, fique abaixo da projeção da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), de 75,5 milhões de toneladas. Situação decorrente da redução na área cultivada, já que, em ambas as safras, a cultura perdeu espaço para outras culturas, como é o caso da soja.

Na caso da safrinha, a situação é ainda mais preocupante, uma vez que, devido aos baixos preços obtidos no ano anterior, os agricultores optaram por fazer uma safrinha mais barata e reduziram os investimentos em tecnologia e adubação. Além disso, é preciso ressaltar que boa parte da segunda safra foi semeada fora da janela ideal em função das condições climáticas adversas. 

Outra situação que também preocupa os produtores e pode reduzir a produtividade das lavouras é o ataque das pragas. Em algumas localidades, os produtores relatam os problemas com as lagartas, falsa-medideira e Helicoverpa. Já em outras, o percevejo barriga verde tem deixado os agricultores apreensivos e aumentado os custos de produção.

Paralelo a esse quadro, há a perspectiva de aumento no setor de rações, entre 5% a 10%. Com isso, a expectativa dos analistas é que os preços do cereal se mantenham em patamares mais elevados do que os registrados no ano passado. E que os produtores ainda tenham boas oportunidades para negociar a produção de milho. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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