Chicago: soja tem dia de realização de lucros e fecha no vermelho

Publicado em 22/04/2014 16:45 e atualizado em 22/04/2014 18:00 1995 exibições

Na sessão desta terça-feira (22), a soja registrou uma sessão de intensa volatilidade na Bolsa de Chicago e os negócios fecharam em campo negativo. Os vencimentos mais próximos terminaram o dia perdendo entre 7,75 e 19 pontos, com o julho, o contrato mais negociado nesse momento, cotado a US$ 14,70 por bushel. O maio também perdeu o patamar dos US$ 15,00. 

De acordo com o consultor de mercado Ênio Fernandes, esse movimentação intensa e mais expressiva dos preços deve continuar permeando as operações no quadro internacional até o vencimento do contrato maio, no próximo dia 15. "Há uma briga entre os fundos comprados e vendidos. Cada um deles jogará seus boatos no mercado com foco em sua realização de lucros". 

O mercado internacional, nas últimas semanas, subiu expressivamente, chegou a superar os US$ 15,30 por bushel para o primeiro vencimento, porém, não se consolidou acima desse patamar e passa agora por movimentos de correção técnica.  Essa intensa volatilidade já vinha sendo antecipada por analistas e consultores de mercado para esse mês de abril, já que é um comportamento tradicional dos preços nesse período. Dessa forma, Fernandes acredita que a primeira posição em Chicago deva continuar oscilando em um intervalo entre US$ 14,50 e US$ 15,50 por bushel até que se encerrem suas negociações. 

Abril é um mês de intensa participação dos financeiros e fundos de investimentos nos mercados de commodities, principalmente na soja negociada na Bolsa de Chicago, e a movimentação desses participantes acentuam as oscilações, sejam positivas ou negativas, no entanto, não mudam a tendência do mercado, ainda de acordo com os analistas, já que os fundamentos permanecem inalterados. Nesta terça-feira, correram boatos no mercado de que grandes bancos internacionais, como o Barclays, estariam deixando suas posições entre as commodities, o que também serviu para pressionar as cotações da oleaginosa. Além disso, há notícias ainda dando conta de que foram vendidos 6 navios de soja brasileira para indústrias americanas, o que contribuiu para o cenário negativo momentâneo para os preços da soja na CBOT. 

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Os atuais estoques norte-americanos são muito baixos, registram os menores níveis em anos e já há uma conhecida escassez de produto nos Estados Unidos, o que ainda faz com que seja do mercado o papel de racionar uma demanda pelo produto norte-americano que permanece aquecida. "O mercado tem que subir para 'expulsar' os compradores de lá, eles não têm condições de vender mais. A não ser que os norte-americanos surpreendam e apresentem grandes quantidades de soja e farelo compradas na América do Sul", afirma Ênio Fernandes. 

Com isso, de acordo com a análise técnica da ODS Serviços em Agronegócios, o mercado continua exibindo uma tendência de alta no curto e médio prazo, porém, com possibilidades de repiques e correção de preços a qualquer momento, justificando essa volatilidade prevista para o mês atual. 

Nova Safra dos EUA

O foco do mercado nesses fundamentos, no entanto, deverá se manter assim até que as notícias sobre a nova safra dos Estados Unidos comecem a ganhar mais força para a soja. As primeiras projeções são de que a área de plantio norte-americana aumente consideravelmente na safra 2014/15 em detrimento do milho e de que a produção nesse ciclo, contando com condições climáticas perfeitas, também apresente um incremento, podendo chegar a 99 milhões de toneladas, segundo as expectativas mais otimistas. 

A semeadura da oleaginosa, no entanto, ainda não teve início, ao contrário do cereal. De acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o último dia 20 de abril, o plantio do milho estava concluído em 6% da área prevista, contra 14% da média dos últimos cinco anos. 

O início dos trabalhos de campo da nova temporada já foi marcado por condições de clima adverso, com uma primavera extremamente fria e nevascas, além de poucas chuvas. No entanto, segundo o consultor de mercado, esse poderia ser, mais adiante, outro fator de pressão para os preços da soja no longo prazo. 

"Quanto mais problemas de clima você tem com o milho, mais os produtores se vêem estimulados a plantar soja em detrimento do cereal, mas ainda há muita especulação em cima desse assunto", diz Fernandes. "O que veremos a partir de meados de junho, julho é um mercado muito nervoso, refém das condições de clima nos Estados Unidos". 

Também de acordo com a análise da ODS, "no longo prazo espera-se uma baixa nos preços internacionais, já que os preços devem começar a precificar as condições climáticas dos EUA a partir da próxima semana". Por outro lado, no entanto, a safra começa com os estoques norte-americanos em níveis críticos, o residual zerado e uma perspectiva de demanda, somente por parte da China, de 72 milhões de toneladas para o novo ano comercial.

Milho: Frente à demanda aquecida e dados do plantio dos EUA, preços fecham em alta em CBOT

Por Fernanda Custódio

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram o dia do lado positivo da tabela. Ao longo das negociações, as principais posições da commodity ampliaram os ganhos e fecharam o pregão com altas entre 5,4 e 8 pontos. O contrato maio/14 encerrou o cotado a US$ 4,96 por bushel, valorização de 1,58% em relação à última sessão.

Durante o pregão, os números de acompanhamento de safras divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deu suporte aos preços do cereal em Chicago. Nesta segunda-feira, o departamento reportou o plantio do milho no país em 6% da área projetada, até o dia 20 de abril.

O índice é superior ao anunciado na última semana, de 3%. No entanto, o número está bem abaixo da média dos últimos cinco anos, de 14%. O plantio do cereal está mais lento, principalmente, nos estados de Iowa e Illinois, que no mesmo período, tinham plantado em torno de 5% e 2% da área, respectivamente.

Para os próximos seis a dez dias, as previsões climáticas ainda indicam ocorrência de chuvas em partes do cinturão produtor norte-americano. Cenário, que se confirmado, poderá prejudicar a evolução da semeadura. Ainda assim, analistas destacam que, o atraso no plantio em relação à média dos últimos anos ainda não pode ser considerado uma situação grave, já que os produtores norte-americanos conseguem cultivar uma área extensa em curto espaço de tempo. 

De acordo com o economista da Agrogt Corretora de Cereais, Rodrigo Della Pace, caso as condições climáticas melhorem ao longo desta semana, teremos os reflexos do avanço do plantio norte-americano no relatório da próxima semana.  Por enquanto, as especulações de clima nos EUA nas próximas semanas deverá ser o principal fator e trará volatilidade aos preços. 

Mesmo assim, o economista sinaliza que os fundamentos são positivos ao mercado de milho. “A área cultivada nos Estados Unidos deverá ser menor nesta safra e caso tenhamos problemas climáticos no país, que possa comprometer a produtividade das lavouras, poderemos ver os preços romper o patamar de US$ 5,50 por bushel, em longo prazo. Já no curto prazo, as cotações podem testar o nível de US$ 5,10 por bushel", destaca Pace.

Frente a esse quadro, a demanda firme pelo produto norte-americano também contribui para a formação desse cenário. Nesta segunda, o USDA anunciou as vendas semanais de milho em 1.599 milhão de toneladas, número maior do que o divulgado na semana anterior, de 1.448,812 toneladas. Ainda hoje, o departamento norte-americano reportou a venda de 240 mil toneladas para o México, o volume deverá ser entregue na safra 2014/15.

No acumulado no ano safra, o país já vendeu cerca de 42.567,3 milhões de toneladas, número próximo ao projetado pelo USDA, de 44.450,0 milhões de toneladas.

Mercado interno

No Brasil, os preços do milho seguem estáveis nas principais praças do país. E diante da preocupação com o clima para a safrinha, os produtores, que estão capitalizados, seguem cautelosos nas vendas à espera de cotações melhores. 

“E durante os meses de abril e maio temos mais disponibilidade de milho no mercado interno, entretanto, em plena safra, os produtores seguram as vendas. Já os compradores não estão agressivos esta semana e compram da mão pra boca, pois sabem que há milho. Talvez, esse cenário possa mudar na próxima semana”, diz Pace. 

A tendência para os preços do cereal é de suporte e a expectativa é que as cotações se mantenham em níveis maiores do que os registrados no ano anterior. Ainda na visão do economista, não há fatores que indiquem uma explosão nos preços do grão, pelo menos, por enquanto. Em contrapartida, se as condições climáticas forem desfavoráveis ao desenvolvimento da safrinha brasileira, as cotações podem apresentar nova valorização.

Nesta terça-feira, a saca é negociada a R$ 31,80 em Campinas (SP) CIF. Já em Campo Mourão (PR), o valor é de R$ 27,00, no MT, em Lucas do Rio Verde, o valor de negociação é de R$ 19,50. Em Cristalina (GO), a saca é negociada a R$ 25,00, já em Uberlândia (MG), a saca é vendida a R$ 27,50.

Ainda hoje, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, informou que as exportações de milho do Brasil somaram 478,4 mil toneladas até a terceira semana do mês de abril, com média de 36,8 mil toneladas. O número representa uma alta de 21% em comparação com o mês de março.

As exportações do cereal renderam ao país US$ 105 milhões, com média diária de US$ 8,1 milhões. O preço médio da tonelada do produto ficou em US$ 219,4. 

Já na BMF&Bovespa, os contratos do milho trabalham com leves quedas nesta terça-feira. O economista explica que, o movimento é um reflexo do recuo no indicador Cepea, de cerca de 0,21 centavos reportado na semana anterior, a volatilidade é ocasionada pela baixa liquidez no mercado de milho, uma vez que parte dos produtores brasileiros ainda seguram as vendas à espera de preços melhores.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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