Soja tem mais um dia de realização de lucros na Bolsa de Chicago

Publicado em 23/04/2014 08:39 1704 exibições

O mercado da soja registra mais uma sessão de baixa na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (23). Os futuros da oleaginosa seguem para os menores preços em uma semana, onde o vencimento julho chegou a bater, no pior momento do pregão eletrônico, bateu nos US$ 14,65 por bushel, com o mais baixo patamar desde abril. Por volta das 8h30 (horário de Brasília), o primeiro vencimento, maio/14, era cotado a US$ 14,73, recuando 6,75 pontos.

Segundo analistas, abril é um mês de intensa volatilidade para os preços da soja no cenário internacional, uma vez os negócios são expressivamente impactados pela atuação dos fundos de investimentos e de boatos que chegam ao mercado, intensificando a "briga" entre aqueles que possuem posições compradas ou vendidas. 

Segundo informações da agência internacional Bloomberg, a consultoria alemã Oil World acredita em um ritmo mais lento das compras da China em função dos altos estoques já existentes no país. 

Já há relatórios que indicam que a nação asiática deve leiloar cerca de 3 milhões de toneladas de suas reservas da oleaginosa, o que também acaba sendo uma informação negativa para o mercado, segundo analistas ouvidos pela Bloomberg.

Entretanto, nada muda entre os fundamentos. A escassez de soja nos Estados Unidos ainda força os preços a se manterem elevados como forma de tentar conter a demanda mundial pela soja, principalmente dos EUA, que continua aquecida.   

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Chicago: soja tem dia de realização de lucros e fecha no vermelho

Na sessão desta terça-feira (22), a soja registrou uma sessão de intensa volatilidade na Bolsa de Chicago e os negócios fecharam em campo negativo. Os vencimentos mais próximos terminaram o dia perdendo entre 7,75 e 19 pontos, com o julho, o contrato mais negociado nesse momento, cotado a US$ 14,70 por bushel. O maio também perdeu o patamar dos US$ 15,00. 

De acordo com o consultor de mercado Ênio Fernandes, esse movimentação intensa e mais expressiva dos preços deve continuar permeando as operações no quadro internacional até o vencimento do contrato maio, no próximo dia 15. "Há uma briga entre os fundos comprados e vendidos. Cada um deles jogará seus boatos no mercado com foco em sua realização de lucros". 

O mercado internacional, nas últimas semanas, subiu expressivamente, chegou a superar os US$ 15,30 por bushel para o primeiro vencimento, porém, não se consolidou acima desse patamar e passa agora por movimentos de correção técnica.  Essa intensa volatilidade já vinha sendo antecipada por analistas e consultores de mercado para esse mês de abril, já que é um comportamento tradicional dos preços nesse período. Dessa forma, Fernandes acredita que a primeira posição em Chicago deva continuar oscilando em um intervalo entre US$ 14,50 e US$ 15,50 por bushel até que se encerrem suas negociações. 

Abril é um mês de intensa participação dos financeiros e fundos de investimentos nos mercados de commodities, principalmente na soja negociada na Bolsa de Chicago, e a movimentação desses participantes acentuam as oscilações, sejam positivas ou negativas, no entanto, não mudam a tendência do mercado, ainda de acordo com os analistas, já que os fundamentos permanecem inalterados. Nesta terça-feira, correram boatos no mercado de que grandes bancos internacionais, como o Barclays, estariam deixando suas posições entre as commodities, o que também serviu para pressionar as cotações da oleaginosa. Além disso, há notícias ainda dando conta de que foram vendidos 6 navios de soja brasileira para indústrias americanas, o que contribuiu para o cenário negativo momentâneo para os preços da soja na CBOT. 

>> Soja brasileira vendida pela Marubeni é redirecionada da China para EUA

Os atuais estoques norte-americanos são muito baixos, registram os menores níveis em anos e já há uma conhecida escassez de produto nos Estados Unidos, o que ainda faz com que seja do mercado o papel de racionar uma demanda pelo produto norte-americano que permanece aquecida. "O mercado tem que subir para 'expulsar' os compradores de lá, eles não têm condições de vender mais. A não ser que os norte-americanos surpreendam e apresentem grandes quantidades de soja e farelo compradas na América do Sul", afirma Ênio Fernandes. 

Com isso, de acordo com a análise técnica da ODS Serviços em Agronegócios, o mercado continua exibindo uma tendência de alta no curto e médio prazo, porém, com possibilidades de repiques e correção de preços a qualquer momento, justificando essa volatilidade prevista para o mês atual. 

Nova Safra dos EUA

O foco do mercado nesses fundamentos, no entanto, deverá se manter assim até que as notícias sobre a nova safra dos Estados Unidos comecem a ganhar mais força para a soja. As primeiras projeções são de que a área de plantio norte-americana aumente consideravelmente na safra 2014/15 em detrimento do milho e de que a produção nesse ciclo, contando com condições climáticas perfeitas, também apresente um incremento, podendo chegar a 99 milhões de toneladas, segundo as expectativas mais otimistas. 

A semeadura da oleaginosa, no entanto, ainda não teve início, ao contrário do cereal. De acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o último dia 20 de abril, o plantio do milho estava concluído em 6% da área prevista, contra 14% da média dos últimos cinco anos. 

O início dos trabalhos de campo da nova temporada já foi marcado por condições de clima adverso, com uma primavera extremamente fria e nevascas, além de poucas chuvas. No entanto, segundo o consultor de mercado, esse poderia ser, mais adiante, outro fator de pressão para os preços da soja no longo prazo. 

"Quanto mais problemas de clima você tem com o milho, mais os produtores se vêem estimulados a plantar soja em detrimento do cereal, mas ainda há muita especulação em cima desse assunto", diz Fernandes. "O que veremos a partir de meados de junho, julho é um mercado muito nervoso, refém das condições de clima nos Estados Unidos". 

Também de acordo com a análise da ODS, "no longo prazo espera-se uma baixa nos preços internacionais, já que os preços devem começar a precificar as condições climáticas dos EUA a partir da próxima semana". Por outro lado, no entanto, a safra começa com os estoques norte-americanos em níveis críticos, o residual zerado e uma perspectiva de demanda, somente por parte da China, de 72 milhões de toneladas para o novo ano comercial.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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