Soja fecha com leve alta em dia de recuperação na Bolsa de Chicago

Publicado em 24/04/2014 17:43 1155 exibições

Após três pregões consecutivos de baixas, os futuros da soja conseguiram fechar o dia com uma ligeira recuperação e do lado positivo da tabela nesta quinta-feira (24). Os contratos mais negociados da oleaginosa encerraram com ganhos de 3,50 a 9 pontos e a diferença entre as posições maio e julho ficou ainda menor, com fechamentos de US$ 14,72 e US$ 14,70 por bushel, respectivamente. 

O mercado já conhece os fundamentos que têm mantido os preços sustentados, o que acaba limitando o potencial de alta dos preços. Assim, segundo analistas, as cotações precisam, portanto, de novas informações que possam estimular novos avanços. Os estoques de soja dos Estados Unidos são os menores em décadas e a demanda continua bastante aquecida. 

De acordo com o boletim de exportações semanais divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), as vendas norte-americanas de soja da safra velha na semana que se encerrou em 17 de abril ficaram em 800 toneladas. Assim, o volume total acumulado na temporada é de 44.609,7 milhões de toneladas, contra a estimativa do departamento de 43 milhões de toneladas para todo o ano comercial. 

Apesar desse quadro, o mercado sente o impacto de boatos e especulações sobre o atual ritmo dessa demanda, que estaria sendo reduzido nesse momento em função da a China estar bem abastecida, segundo analistas. Além disso, já há informações de que navios que estariam indo para a China com soja brasileira estariam sendo direcionados para os Estados Unidos, dada a grande necessidade de importação da oleaginosa pelos norte-americanos. 

"A China compra hoje dois terços de toda a soja do mundo, está se tornando o maior exportador e consumidor de produtos derivados de soja do mundo e a produção deles é pequena, com menos de uma quarta do que eles precisam. Portanto, eles dependem de importações e o mundo produtor de soja depende das exportações para a China. Assim, qualquer nuance negativa sobre isso faz com que o preço tenha reflexos negativos, que é o que vivemos nos últimos dias, de forma muito moderada", explica Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora, sobre as especulações ao redor da demanda da nação asiática e de informações que chegam diariamente sobre o ritmo dessas importações. 

Além disso, movimentos técnicos, acentuados pela forte presença dos fundos de investimento no mercado de commodities, também tem tirado parte do foco do mercado dos fundamentos. 

"Como anteriormente essa escassez de soja nos Estados Unidos vinha sendo ameaçada e se precificando, fundos de investimentos e investidores entraram comprando o contrato com vencimento maio ou julho e compraram o novembro. Porém, com as notícias de importação de soja dos EUA no Brasil e com o vencimento do maio, esses fundos estão realizando lucros, ou seja, vende o contrato curto e compra o longo", explica Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest. 

Clima nos Estados Unidos

As notícias sobre o clima nos Estados Unidos também começam a ganhar cada vez mais força. Nesse momento, o impacto maior tem sido sentido pelo mercado do milho, já que o plantio do cereal já está um pouco mais evoluído, concluído em 6% da área, e registra um ligeiro atraso em relação à média dos últimos cinco anos, que é de 14%. 

As últimas previsões climáticas indicam chuvas expressivas para o Corn Belt, principal região produtora de grãos dos EUA, e, se confirmadas, podem atrasar ainda mais os trabalhos de campo da safra 2014/15, além de um tempo ainda muito frio para essa época do ano. Para analistas, esses problemas climáticos enfrentados na semeadura do cereal podem ser um fator negativo para os preços da soja a longo prazo, uma vez que os produtores poderiam aumentar sua área com a oleaginosa. 

"No sul dos Estados Unidos o plantio de soja já começou e nas próximas semanas deveremos ver alguns índices divulgados pelo USDA. Essa evolução do plantio será muito importante para a definição e formação do preço da soja", diz Motter. "Então, o cenário internacional está postado em cima da questão chinesa, do desenrolar dos fatos, e do plantio norte-americano, onde já começa com um certo atraso", completa. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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