Argentina: Com altos impostos e atraso na colheita, vendas da soja estão em 30%

Publicado em 23/05/2014 17:16

As vendas de soja da safra 2013/14 da Argentina estão acontecendo em um ritmo mais lento este ano. Enquanto no mesmo período do ano passado esse índice era de 36%, até o momento os sojicultores da Argentina comercializaram apenas 30% de sua produção. A estimativa é de que o país produza cerca de 54,5 milhões de toneladas, o que faz com que, portanto, somente 16,5 milhões de toneladas já estejam comercializadas, de acordo com dados do Ministério da Agricultura da Argentina.

Um dos motivos que desestimulam a venda de soja são os altos impostos pagos pelos produtores sob os produtos exportados, em que para a soja é de 35%. São as chamadas retenciones. Com essa taxação, aproximadamente US$ 5,00 por bushel ficam para o governo argentino na hora da venda, segundo explica Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting. 

Na última semana, ainda de acordo com o consultor, os produtores argentinos participaram um pouco mais do mercado, aproveitaram bons preços e travaram parte de sua safra. Depois disso, porém, estão unidos para evitar novas vendas e pressionar o governo por um apoio ao setor, justamente em função desses altos impostos. 

"Os produtores pagam essas retenciones altas e não têm nada em troca. Então, eles já indicam que vão parar de vender soja nesses próximos dias, o que obriga os compradores internacionais a virem só para o mercado do Brasil, elevando, portanto, os preços da soja praticados nos portos brasileiros", diz. 

Esses altos impostos são vistos como um sério problema para o agronegócio argentino, inclusive para o aumento da participação do país no cenário mundial diante de seu potencial produtivo, que até mesmo na corrida presidencial para as eleições do ano que vem esse assunto já está em pauta. 

Em entrevista, Mauricio Macri, um dos candidatos à presidência da Argentina, afirmou que, se eleito, todas as tarifas dos produtos exportados serão imediatamente derrubadas, com exceção da soja, onde a baixa do imposto será feita de forma gradual. "Nós temos claro que a Argentina tem um grande futuro no agronegócio, e já vimos onde ela nos levou em todos esses anos em que viramos as costas para o campo", disse. 

Além desse entrave, os sojicultores argentinos enfrentam ainda a intensa e latente desvalorização do peso frente ao dólar. "O produtor acredita que armazenar soja sem fechar o preço é uma forma de valorização", explica o diretor da Globaltecnos, Sebastian Gavalda. "Porém, quando a colheita se normalizar, eu acredito que eles terão que voltar às vendas". 

Por conta do excesso de chuvas, os trabalhos de campo estão bastante atrasados na Argentina e apenas 70% da área de soja já está colhida. Em anos anteriores, o índice era de 90% para esse mesmo período. 

Segundo informações da consultoria Granar, no  site argentino InfoCampo "As chuvas que estão aparecendo no mapa representam os registros observados nas três semanas de maio. Os volumes cadastrados são excessivos para a época. Grande parte de Buenos Aires, La Pampa, sul de Santa Fé, centro de corredores norte de Córdoba, centro norte de Santa Fé , ultrapassaram a quantidade de chuva normal para o mês. Algumas exceções aparecem em pequenas e concentradas áreas como no corredor Marcos Juárez Rosario, onde o ambiente úmido não resultou em excesso de precipitações, o que claramente não tem sido a regra (...) Além do atraso da colheita, principalmente no sul da bacia Salado de Buenos Aires, a logística de pós-colheita foi interrompida pelas tempestades de maio. As estradas rurais ficaram intransitáveis e a entrada de mercadorias ficou difícil. Porém, nas próximas horas, espera-se uma mudança brusca de movimento. Está frio e o sol deve tomar o lugar das chuvas". 

Atualmente, os níveis de preços praticados no mercado argentino estão em cerca de US$ 320,00 por tonelada.

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