Soja tem pregão volátil mas fecha o dia em alta em Chicago

Publicado em 28/05/2014 17:52 1512 exibições

Nesta quarta-feira (28), o mercado da soja registrou um pregão de forte volatilidade, mas conseguiu fechar os negócios em campo positivo na Bolsa de Chicago. Os ganhos dos principais contratos ficaram entre 3,25 e 9 pontos, com o vencimento julho/14, o mais negociado nesse momento, valendo US$ 14,97 por bushel. 

Se de um lado a boa evolução do plantio da nova safra de grãos dos Estados Unidos causou um desconforto entre os investidores, que optaram pela realização de lucros na sessão desta terça (27), de outro o mercado ainda conta com o suporte da demanda aquecida pelo produto norte-americano frente à falta de produto disponível no país. 

A procura pela soja dos Estados Unidos não é intensa só em relação à safra velha - 2013/14 - onde o volume comprometido para exportação já supera de longe a última estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) de 43,5 milhões de toneladas - mas também pela oleaginosa da safra nova. 

Nesta quarta, o departamento norte-americano anunciou a venda de 110 mil toneladas de soja para a China e mais 172 mil toneladas para as Filipinas. Os números do acumulado das duas temporadas, no entanto, serão atualizados ainda nesta semana com a divulgação do novo relatório de vendas para exportação. 

"Sabemos que os temas mais recorrentes nesse ano têm sido a grande demanda pela soja norte-americana e a consequente queda nos estoques dos Estados Unidos", explica Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora. "Porém, nos últimos dias já se começa a ver uma pressão maior da safra norte-americano e do plantio", completa. 

Apesar desse quadro de fundamentos que se mantém positivo, aos poucos o mercado vai voltando sua atenção para o plantio nos Estados Unidos e, principalmente, no comportamento do clima nas principais regiões produtoras do país. 

As últimas semanas foram de temperaturas adequadas e chuvas na medida certa, o que fez com que o plantio da soja chegasse a 59% até o último domingo (25), contra uma média histórica para esse mesmo período de 41%. As informações são do boletim de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportado nesta terça-feira (27). 

Mercado Técnico: Atuação dos fundos ainda é grande

Além da nova safra norte-americana e dos fundamentos ainda latentes influenciando o andamento dos negócios, a movimentação dos fundos de investimento também têm sua importância. Segundo Motter, julho deverá ser um mês com uma forte rolagem de contratou ou simplesmente uma liquidação de parte de suas posições. 

"Pode haver uma venda simples dos contratos, o que pressiona o mercado, ou uma saída desses contratos e recompra na posição novembro, o que poderia encurtar o spread entre julho e novembro, que hoje varia entre US$ 2,00 e US$ 2,50. Porém, as condições de campo também irão influenciar as decisões do fundo, principalmente no longo prazo, mesmo que eles trabalhem mais com as questões técnicas", explica o analista.

Veja como fechou o mercado do milho nesta quarta-feira:

Milho: Em movimento técnico mercado reverte perdas e fecha em alta

Por Fernanda Custódio

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta quarta-feira (28) do lado positivo da tabela. Ao longo das negociações, os preços reverteram as perdas e encerraram o dia com leves altas. As principais posições da commodity registraram ganhos entre 2,75 e 4,00 pontos. O vencimento julho/14 fechou cotado a US$ 4,72 por bushel.

Segundo o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, a recuperação nos preços é decorrente de um movimento técnico, em que os investidores inverteram as posições. Além disso, as altas registradas nos contratos da soja em Chicago também influenciaram positivamente os preços do cereal. 

"As cotações da soja estão bem valorizadas, então os preços do milho teriam que aumentar para que haja uma valorização também. E nesse preço abaixo de US$ 4,70, os produtores rurais não irão vender o produto", explica o analista.

Em contrapartida, a demanda pelo produto norte-americano segue aquecida. As exportações do cereal dos EUA permanecem firmes e a demanda tanto por etanol e o setor de ração estão fortes, conforme afirma Brandalizze. 

Por enquanto, as cotações do milho em Chicago encontram suporte no patamar de US$ 4,50 por bushel e a resistência é de US$ 5,00 por bushel. Ainda na visão do analista, as notícias de clima desfavorável tanto nos EUA, na China ou até mesmo no Leste Europeu poderiam impulsionar as cotações do cereal no curto prazo.

No último pregão, os preços do cereal atingiram o menor nível em 12 semanas e já caíram e torno de 10% somente no mês de maio, a primeira queda mensal registrada esse ano. De acordo com a analista de mercado da FCSTone, Ana Luiza Lodi, a evolução no plantio dos EUA tem sido o principal fator de pressão sobre os preços do milho em Chicago. 

Até o dia 25 de maio, cerca de 88% da área projetada havia sido cultivada com o cereal, contra 73% da semana anterior, segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O percentual é o mesmo registrado na média dos últimos cinco anos e ficou dentro das expectativas dos participantes do mercado, de 85% até 90%. A Carolina do Norte é o estado mais avançado no plantio do cereal com 98% da área já semeada.

BMF&Bovespa

Na BMF&Bovespa, as cotações futuras do milho operam do lado negativo da tabela. Os preços ainda acompanham as recentes quedas registradas na Bolsa de Chicago. Frente à evolução favorável das lavouras de milho, apesar de alguns problemas pontuais, e a proximidade da colheita, os preços futuros já precificam a safrinha que entrará no mercado a partir do próximo mês.

Este ano, a expectativa é que as exportações brasileiras totalizam 20 milhões de toneladas, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Já a produção do Brasil, está estimada em 75 milhões de toneladas, entre primeira e segunda safra, e o consumo próximo de 53 a 54 milhões de toneladas. Alguns analistas afirmam que as exportações do país servirão para equalizar a relação de oferta e demanda do milho. E contribuir para a formação dos preços. 

Veja como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta quarta-feira:

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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