Soja: mercado fecha com leve alta frente à força da demanda

Publicado em 29/05/2014 18:11 1309 exibições

O mercado internacional da soja fechou a sessão desta quinta-feira (29) com leves altas na Bolsa de Chicago. Ainda assim, o primeiro vencimento, julho/14, não conseguiu se sustentar acima dos US$ 15 por bushel em um pregão de forte volatilidade. Os ganhos das posições mais negociadas ficaram entre 1,25 e 4,50 pontos. 

No curto prazo, não há alteração entre os fundamentos e, consequentemente, as cotações se mantém sustentadas diante dos estoques historicamente baixos nos Estados Unidos confrontando uma demanda ainda extremamente aquecida pelo produto norte-americano.

A atualização das vendas para exportações norte-americanas que será divulgada nesta sexta-feira (30) no novo reporte do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deverá confirmar a continuidade dessa força e intensidade da procura dos importadores pela soja do país. Até a última semana, os Estados Unidos já totalizavam vendas de mais de 44 milhões de toneladas frente à estimativa do departamento de 43,5 milhões de toneladas para todo o ano safra, que termina somente em agosto desse ano. 

Uma pressão sazonal e típica para esse momento do ano e do mercado, porém, tem limitado um avanço mais expressivo dos preços, apesar desse quadro fundamental positivo, vem do avanço do plantio da nova safra norte-americana.

Sob condições climáticas favoráveis, os trabalhos de campo evoluem bem no Meio-Oeste americano e, tanto para a soja quanto para o milho, já superam os índices da média histórica para esse período do ano. Até o último domingo (25), 59% da área estimada para ser cultivada com soja já havia sido plantada, enquanto a média indica, para essa época, 41%. 

Apesar disso, para o consultor de mercado Steve Cachia, da Cerealpar, os preços têm se comportado bem diante das expectativas de uma safra de grãos recorde nessa temporada nos Estados Unidos. "Não podemos esquecer que nessa época do ano se tem uma pressão sazonal do plantio. Com tudo correndo bem, obviamente, que se tem menos especulação, mas o mercado tem se comportado com firmeza por conta da situação de aperto nos Estados Unidos".

Ao mesmo tempo, Cachia alerta para a necessidade de se acompanhar de perto o comportamento do clima nos Estados Unidos. "No caso da soja, basta uma ameaça para deixar todo mundo preocupado. Vários compradores temem que, pelo quinto ano consecutivo, a safra dos Estados Unidos não venha cheia. Então, nos próximos meses, eles devem começar a se proteger contra isso", diz. 

Perdas na Argentina

Outro fator que tem influência positiva sobre os preços da soja no cenário internacional são os problemas pelos quais passa a safra da Argentina. Condições climáticas adversas têm prejudicado o avanço da colheita no país e podem resultar em perdas tanto de quantidade quanto de qualidade da produção 2013/14. 

Segundo Gean Kuhn, operador da New Agro Commodities, os reais efeitos dessas perdas deverão ser conhecidos nos próximos dias com a chegada do novo relatório de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga no próximo dia 11 de junho. As primeiras expectativas, entretanto, apontam para perdas entre 5 e 7%, de acordo com números de consultorias privadas, mas ainda não há informações concretas. 

A colheita está bastante atrasada e as previsões para os próximos dias são de clima frio e chuvoso, o que deve atrasar ainda mais a colheita da oleaginosa. "Ainda há um grande volume a ser colhido por lá e, com isso, já se espera uma quebra em qualidade, está saindo um produto ardido das lavouras, e em quantidade, já que os grãos avariados não pesam e o que pesam não dão qualidade", explica o operador. 

Essas perdas, portanto, poderiam ajustar ainda mais a oferta e os estoques mundiais não só de soja em grão, mas também de farelo e óleo. Essa cena, de acordo com Kuhn, é preciso estar atento à essa situação da safra argentina, pois isso terá um impacto direto sobre os preços. 

Veja como fechou o mercado do milho nesta quinta-feira:

Milho: Em Chicago, preços fecham pregão em queda frente às previsões de clima favorável nos EUA

Por Fernanda Custódio

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho fecharam o pregão do lado negativo da tabela. Na sessão desta quinta-feira, as principais posições do cereal recuaram para a maior perda mensal desde junho, segundo informações divulgadas da agência internacional Bloomberg. 

O mercado reflete as previsões de clima favorável ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas. A expectativa dos participantes do mercado é que o clima quente, úmido previsto para as próximas duas semanas irá impulsionar o crescimento das plantas. 

E diante desse cenário, as preocupações que existiam no início do plantio estão diminuindo. Até o último dia 25 de maio, cerca de 88% da área projetada para essa safra já havia sido cultivada nos EUA, número em linha com a média dos últimos cinco anos.

De acordo com projeções do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a safra norte-americana deverá totalizar 353,97 milhões de toneladas na safra 2014/15. E frente a esse quadro, os preços recuaram em torno de 9,5% no mês de maio, depois do aumento de 23% registrados nos quatro meses anteriores.

Ainda nesta quinta-feira, o IGC (Conselho Internacional de Grãos, na sigla em inglês) revisou para cima em 0,5% a projeção para a safra mundial de milho, que deverá totalizar 955 milhões de toneladas. E os estoques deverão subir para 172 milhões de toneladas antes do início da safra 2015, contra 163 milhões de toneladas previstas anteriormente.

Entretanto, analistas ainda relatam que os preços do cereal já estão baixos, nas últimas semanas, as cotações têm trabalhado no intervalo de US$ 4,50 até US$ 5,00 por bushel. E, consequentemente, valores mais baixos estimulam a demanda, no caso do milho, especialmente por consumidores de etanol e do setor de rações. 

As exportações do cereal norte-americano permanecem fortes e, apesar do recuo nas últimas semanas, os números são firmes. Na última terça-feira, o USDA divulgou que os embarques do milho totalizaram 1.060.147 milhão de toneladas até a semana encerrada no dia 22 de maio. O número é pouco menor do que o reportado anteriormente, de 1.063.857 milhão de toneladas. 

Além disso, o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, destaca que os preços mais baixos podem limitar as vendas por parte dos produtores, uma vez que a margem de lucros fica ajustada. 

As principais posições da commodity encerraram o pregão desta quinta-feira com perdas entre 3,00 e 6,50 pontos. O vencimento julho/14 terminou o dia cotado a US$ 4,69 por bushel, uma queda de 0,6% em relação à última sessão. No pregão anterior, o contrato atingiu US$ 4,66 por bushel, o menor patamar desde 4 de março. 

BMF&Bovespa 

Em mais uma sessão, os futuros do cereal negociados na BMF&Bovespa acompanharam a Bolsa de Chicago e terminaram em queda. O contrato julho/14 era negociado a R$ 27,19. Do mesmo modo, a proximidade com a colheita da segunda safra brasileira também influência negativamente os preços do milho. 

Ainda assim, na visão do analista de mercado da Cerealpar, Steve Cachia, os preços passam por acomodação frente à perspectiva de uma grande safrinha. “A produtividade das lavouras do Centro-Oeste não será a esperada, mas a partir da colheita há um momento de pressão nos preços. Mas acredito que com a retomada das exportações, as cotações podem ganhar um fôlego”, afirma.

A expectativa é que neste ano, as exportações brasileiras totalizem 20 milhões de toneladas, segundo projeções da Conab (Companhia Nacional do Abastecimento). Já a produção do Brasil está estimada em 75 milhões de toneladas, entre a primeira e a segunda safra. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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