Após semana de intensa movimentação, soja opera estável na CBOT

Publicado em 30/05/2014 07:55 1581 exibições

Nesta última sessão da semana, os futuros da soja operam próximos da estabilidade no mercado internacional. Por volta das 7h50 (horário de Brasília), as cotações operavam no campo positivo, porém, com perdas de pouco mais de 2 pontos nos principais vencimentos. 

A semana foi de intensa movimentação na Bolsa de Chicago, a commodity registrou importantes patamares de preços e, ao mesmo tempo, algumas pontuais realizações de lucros. Assim, a posição julho/14 tenta se consolidar acima dos US$ 15 por bushel novamente de olho nos fundamentos de oferta e demanda. Nesta sexta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga seu novo boletim semanal de vendas para exportação e pode trazer números confirmando a força ainda bastante presente da demanda mundial pela soja norte-americana. 

"Se medirmos os números em relação ao consumo veremos que temos os estoques mais baixos da historia desde 2004 e isso deveria oferecer um preço maior. E podemos considerar ainda que a escassez norte-americana é mais dramática do que a do ano passado, quando o mercado foi a US$ 16,67", afirma Liones Severo, consultor de mercado do SIM Consult.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira (29):

Soja: mercado fecha com leve alta frente à força da demanda

O mercado internacional da soja fechou a sessão desta quinta-feira (29) com leves altas na Bolsa de Chicago. Ainda assim, o primeiro vencimento, julho/14, não conseguiu se sustentar acima dos US$ 15 por bushel em um pregão de forte volatilidade. Os ganhos das posições mais negociadas ficaram entre 1,25 e 4,50 pontos. 

No curto prazo, não há alteração entre os fundamentos e, consequentemente, as cotações se mantém sustentadas diante dos estoques historicamente baixos nos Estados Unidos confrontando uma demanda ainda extremamente aquecida pelo produto norte-americano.

A atualização das vendas para exportações norte-americanas que será divulgada nesta sexta-feira (30) no novo reporte do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deverá confirmar a continuidade dessa força e intensidade da procura dos importadores pela soja do país. Até a última semana, os Estados Unidos já totalizavam vendas de mais de 44 milhões de toneladas frente à estimativa do departamento de 43,5 milhões de toneladas para todo o ano safra, que termina somente em agosto desse ano. 

Uma pressão sazonal e típica para esse momento do ano e do mercado, porém, tem limitado um avanço mais expressivo dos preços, apesar desse quadro fundamental positivo, vem do avanço do plantio da nova safra norte-americana.

Sob condições climáticas favoráveis, os trabalhos de campo evoluem bem no Meio-Oeste americano e, tanto para a soja quanto para o milho, já superam os índices da média histórica para esse período do ano. Até o último domingo (25), 59% da área estimada para ser cultivada com soja já havia sido plantada, enquanto a média indica, para essa época, 41%. 

Apesar disso, para o consultor de mercado Steve Cachia, da Cerealpar, os preços têm se comportado bem diante das expectativas de uma safra de grãos recorde nessa temporada nos Estados Unidos. "Não podemos esquecer que nessa época do ano se tem uma pressão sazonal do plantio. Com tudo correndo bem, obviamente, que se tem menos especulação, mas o mercado tem se comportado com firmeza por conta da situação de aperto nos Estados Unidos".

Ao mesmo tempo, Cachia alerta para a necessidade de se acompanhar de perto o comportamento do clima nos Estados Unidos. "No caso da soja, basta uma ameaça para deixar todo mundo preocupado. Vários compradores temem que, pelo quinto ano consecutivo, a safra dos Estados Unidos não venha cheia. Então, nos próximos meses, eles devem começar a se proteger contra isso", diz. 

Perdas na Argentina

Outro fator que tem influência positiva sobre os preços da soja no cenário internacional são os problemas pelos quais passa a safra da Argentina. Condições climáticas adversas têm prejudicado o avanço da colheita no país e podem resultar em perdas tanto de quantidade quanto de qualidade da produção 2013/14. 

Segundo Gean Kuhn, operador da New Agro Commodities, os reais efeitos dessas perdas deverão ser conhecidos nos próximos dias com a chegada do novo relatório de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga no próximo dia 11 de junho. As primeiras expectativas, entretanto, apontam para perdas entre 5 e 7%, de acordo com números de consultorias privadas, mas ainda não há informações concretas. 

A colheita está bastante atrasada e as previsões para os próximos dias são de clima frio e chuvoso, o que deve atrasar ainda mais a colheita da oleaginosa. "Ainda há um grande volume a ser colhido por lá e, com isso, já se espera uma quebra em qualidade, está saindo um produto ardido das lavouras, e em quantidade, já que os grãos avariados não pesam e o que pesam não dão qualidade", explica o operador. 

Essas perdas, portanto, poderiam ajustar ainda mais a oferta e os estoques mundiais não só de soja em grão, mas também de farelo e óleo. Essa cena, de acordo com Kuhn, é preciso estar atento à essa situação da safra argentina, pois isso terá um impacto direto sobre os preços. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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