À espera de números do USDA, soja opera com pouca movimentação

Publicado em 05/06/2014 07:55 2070 exibições

Com um cenário já conhecido e que vem sendo precificado há meses, o mercado da soja opera com pouca movimentação na Bolsa de Chicago nesta semana. Quase todos os pregões foram de variações pouco expressivas e nesta quinta-feira (5) a situação não é diferente. 

Apesar de oscilar bastante entre os lados positivo e negativo da tabela, os futuros da oleagionsa vêm tentando se manter próximos da estabilidade. Assim, por volta das 7h50 (horário de Brasília), o primeiro vencimento perdia 1,25 ponto, enquanto os demais subiam entre 0,50 e 3 pontos. 

Além de um momento de movimentos mais técnicos pelo qual passam os preços, principalmente no curto prazo, influenciados pelas chamadas rolagens de posições por parte dos fundos de investimento, o mercado também se mostra um pouco mais cauteloso sobre os novos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nos próximos dias. 

A semana será cheia com os dados de embarques semanais e acompanhamento de safras na segunda-feira (9), o novo relatório mensal de oferta e demanda na quarta-feira (11) e o boletim de exportações semanais na quinta (12). Além disso, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) ainda divulga, no dia 10 de junho, sua nova estimativa de grãos. 

A expectativa de alguns analistas de mercado é de que o USDA reajuste para cima os números de suas importações ou reduza ainda mais os estoques norte-americanos de soja frente a uma demanda que não dá sinais de desaquecimento nem mesmo diante de uma severa escassez de produto no país. E é esse quadro, ainda de acordo com analistas, que não permite um recuo mais acentuado das cotações, uma vez que são necessários patamares mais altos que possam racionar essa demanda. 

Hoje, o departamento norte-americano traz mais um reporte com as exportações semanais e esses são números que devem mexer com a movimentação do mercado. Até a última semana, os Estados Unidos já tinham mais de 44,5 milhões de toneladas comprometidas, frente à uma estimativa de vendas externas de 43,5 milhões de toneladas para toda a temporada comercial 2013/14, que só se encerra em 13 semanas. 

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Soja fecha no misto, mas mantém tendência de alta no curto prazo

Ainda dividido, o mercado internacional da soja fechou em campo misto nesta quarta-feira (4) na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa atuaram nesta sessão com bastante volatilidade, porém, o dia terminou com oscilações bem pouco expressivas para os contratos mais negociados. 

O julho e agosto/14 fecharam o dia subindo de 1,25 a 2,25 pontos, cotados a US$ 14,82 e US$ 14,16 por bushel, respectivamente. Já o setembro/14 e o março/15 recuaram e encerraram o pregão valendo US$ 12,69 e US$ 12,27. 

Suporte no curto prazo

No curto prazo, o cenário permanece inalterado e as cotações continuam encontrando suporte nos fundamentos. Apesar de um quadro de escassez de produto nos Estados Unidos, o volume de escoamento continua evoluindo e, até a última semana, o país já havia embarcado, de acordo com números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) quase 43 milhões de tonelada. 

No entanto, ainda faltam 13 semanas para o final desse ano comercial e a última estimativa do departamento para a toda temporada é de 43,5 milhões de toneladas. 

Frente a isso e a presença ainda muito forte da demanda, os Estados Unidos também vem importando soja em um bom ritmo e, para alguns analistas, esse número poderia ser reajustado para cima no próximo boletim de oferta e demanda que o USDA divulga no dia 11 de junho. 

Até esse momento, o país já importou cerca de 1,63 milhões de toneladas de soja, de acordo com estimativas de traders e participantes do mercado, tendo como principais origens o Canadá e a América do Sul. Atualmente, com essas compras, os EUA são o quarto maior importador do produto brasileiro. Isso se deve, em partes, por um melhor fluxo dos embarques e escoamento nos portos do Brasil.  

A demanda interna por soja, além das exportações, também está aquecida, principalmente com a procura da oleaginosa para esmagamento e produção da farelo para ração animal. Como explicou Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest, as margens de esmagamento no país estão positivas e incentivam ainda mais esse consumo. Com isso, em muitas regiões dos EUA onde há produção de suínos e aves já estão sendo registradas importações de soja para processamento. 

"Se os preços nos EUA caem muito em relação ao Brasil, essa janela de importações se fecha e quando sobe muito, essa janela fica mais aberta e as importações acontecem em um ritmo maior", explica Vanin. 

Longo prazo tem pressão da nova safra 

Enquanto as posições mais próximas são incentivadas pela falta de soja nos Estados Unidos, os contratos mais distantes já sentem a pressão sazonal que chega com a evolução da nova safra dos Estados Unidos.

As primeiras estimativas são de que o país produza, na temporada 2014/15, mais de 98 milhões de toneladas e, até esse momento, as condições climáticas têm se mostrado bastante favoráveis para o desenvolvimento ds lavouras. O último boletim do USDA mostrou que, até domingo passado (1), 78% da área estimada já havia sido plantada, e esse número ficou bem acima da média dos últimos anos. 

Além disso, as últimas previsões climáticas indicam um continuidade desse bom cenário e evolução dos trabalhos de campo por mais 10 a 15 dias. No entanto, ao mesmo tempo, analistas consideram o nervosismo do mercado frente às incertezas climáticas, típicas desse período do mercado, e que devem se intensificar no período de enchimento de grãos.    

Mercado Interno

Para o analista da Agrinvest, o produtor deve estar muito atento à movimentação do mercado daqui para a frente e não deixar passar boas oportunidades de comercialização. Os preços deverão ser pressionados mais adiante pelas expectativas de uma safra recorde nos Estados Unidos, mesmo diante de uma dificuldade que deverá ser observada para uma recomposição dos estoques norte-americanos de forma adequada. 

"Esse ano, todo o mercado está esperando uma safra recorde nos EUA e isso contribui para que as esmagadoras americanas comprem, cada vez mais, "da mão para a boca", deixando para comprar a safra nova, que deve ter preços bem pressionados", acredita o analista da Agrinvest. 

Paralelamente às exportações, os produtores podem ter boas oportunidades também internamente, com uma tendência de aumento sazonal dos prêmios nos portos brasileiros, porém, de olho no comportamento da taxa de câmbio. "Mas, se Chicago recuar muito, isso não será o suficiente para compensar esse movimento", diz. 

Além disso, as margens de esmagamento no Brasil há muito tempo são negativas e não favorecem uma disputa no mercado interno, o que poderia pesar sobre as cotações também, de acordo com o analista da Agrinvest. "Além disso, as exportações brasileiras vão concorrer com os EUA, que terão uma soja mais barata no segundo semestre". 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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