Soja: Mercado abre a semana trabalhando em campo misto nesta 2ª

Publicado em 09/06/2014 07:39 e atualizado em 09/06/2014 08:28 2071 exibições

Nesta segunda-feira (9), o mercado internacional da soja inicia mais uma semana ainda sem direção. Os futuros da oleaginosa trabalham em campo misto no pregão eletrônico, registrando ligeiras perdas nos contratos mais próximos e pequenos ganhos nos mais distantes. O vencimento julho, porém, já se aproximava dos US$ 14,50 por bushel, patamar perto da nova resistência colocada por analistas que é de US$ 14,45. 

Para alguns analistas, esse recuo no curto prazo se deve aos investidores mais avessos ao risco nesse início de semana. Além dessas posições terem subido expressivamente nas últimas semanas, o mercado ainda conta com dados da balança comercial da China, da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e quatro novos relatórios do USDA. Essas expectativas, portanto, acaba deixando os investidores mais na defensiva e buscando um melhor posicionamento. 

Por outro lado, os ganhos nos vencimentos mais distantes refletem, ligeiramente, uma queda de temperatura registrada no Meio-Oeste norte-americano, o que poderia, se agravada, prejudicar o excelente andamento dos trabalhos de campo que vem sendo observado até agorda nos Estados Unidos. 

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

Na defensiva, soja fecha semana com pequeno avanço em Chicago

A última sessão desta semana foi marcada por um mercado caminhando sem direção nesta sexta-feira (6) na Bolsa de Chicago. Assim, os negócios terminaram com os principais contratos em campo positivo, com exceção do vencimento julho/14, que terminou o dia recuando 3,50 pontos e cotado a US$ 14,57 por bushel. Analistas afirmam que o mercado registrou uma movimentação técnica e de oscilações bem pouco expressivas. 

Os investidores se mostraram mais na defensiva nos últimos dias à espera dos diversos relatórios que serão divulgados na próxima semana. Ainda de acordo com analistas, os participantes do mercado buscam um melhor posicionamento e realizar seus lucros antes da divulgação desses novos dados. 

Na próxima semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz quatro novos boletins e o mercado espera esses números com ansiedade. Na segunda-feira (9), saem os embarques semanais e o acompanhamento de safras; na quarta-feira (11), o relatório mensal de oferta e demanda e, na quinta-feira (12), as exportações semanais norte-americanas. Além disso, no dia 10 a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) traz seu novo levantamento da safra de grãos do Brasil. 

Também na segunda-feira (9), a China divulga o saldo de sua balança comercial de maio. O Ministério do Comércio da China informou uma projeção de que as importações de soja da China, em junho, possam chegar a 4,06 milhões de toneladas. Em maio, as compras devem ser contabilizadas em 5,94 milhões de toneladas e as de abril foram de 6,5 milhões. 

Além dos números de oferta e demanda mexendo com o andamento do mercado, há também movimentos técnicos que influenciam os preços. Nesta semana, muitos fundos de investimento venderam suas posições mais curtas - principalmente o contrato julho - para comprar as mais distantes, como o vencimento novembro, que é referência para a nova safra norte-americana. 

De acordo com Bryce Knorr, analista de mercado do site norte-americano Farm Futures, as posições mais curtas mantém seu foco na situação dos estoques da safra velha dos Estados Unidos extremamente apertados frente à atual força da demanda mundial. Entretanto, explica ainda que apesar disso, o mercado ontem foi pressionado pelos baixos números trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) para as exportações semanais da safra 2013/14. 

Enquanto o mercado apostava em um volume entre 100 e 125 mil tonelas, as vendas somaram apenas 41,3 mil toneladas. Ainda assim, esse número, considerado não tão alto, elevou o acumulado no ano para quase 45 milhões de toneladas, enquanto a estimativa para todo a temporada comercial é de 43,5 milhões de toneladas. 

Assim, o mercado observa também como caminha a demanda de importação de soja dos Estados Unidos, ainda de acordo com Knorr, que salienta a atenção dos investidores para a movimentação dos navios que chegam aos portos do país. Alguns locais, onde há forte produção de suínos e frango, já contam com essas compras para o esmagamento e produção de farelo de soja para ração animal. 

Dessa forma, a tendência de suporte e necessidade de novas altas continua. Como explicam analistas, somente preços mais elevados poderiam racionar a demanda pela oleaginosa nesse momento, e as cotações nos atuais níveis não cumprem esse papel. 

Análises gráficas indicam que o vencimento julho conta com um suporte de preços na casa dos US$ 14,45 por bushel e, caso perca esse patamar, pode iniciar um novo processo de quedas. 

EUA: Boas perspectivas para a safra 2014/2015

O quadro para as cotações no longo prazo, porém, é diferente. As expectativas para a temporada 2014/15 dos Estados Unidos são muito boas nesse momento e se intensificam a medida que o clima nas principais regiões produtoras do país se mantém favorável aos trabalhos de campo.

Da área estimada para a nova safra - de 32,98 milhões de hectares - 78% já foram plantados até o último domingo, segundo informações do USDA. O número está bem acima dos níveis registrados no ano anterior e acim ainda da média dos últimos cinco anos. Assim, a estimativa do departamento é de que sejam produzidas 98,93 milhões de toneladas. 

De acordo com previsões do instituto climático dos EUA MDA Weather Services, a próxima semana deverá ser boas chuvas no Meio-Oeste norte-americano, o que deve manter a umidade do solo em níveis adequados. Já no norte do Missouri e Iowa o clima seco dá uma trégua e reduz a preocupação com a estiagem que vinha castigando as regiões. 

As condições de clima dentro da normalidade e essas boas expectativas para a produção têm acentuado a pressão sazonal pela qual passa o mercado nesse período do ano. 

Ainda sobre a safra nova, o USDA informou as vendas semanais, nesta quinta-feira (5), em 230,5 mil toneladas, contra 821,1 mil da semana anterior e bem abaixo das expectativas do mercado, que variavam de 500 mil a 1,050 milhão de toneladas.  

Mercado Interno

No mercado interno, a semana foi de bom volume de negócios. Apesar de as cotações terem tido um desempenho mais fraco em Chicago, o avanço do dólar em alguns dias da semana acabou incentivando a comercialização. De acordo com um levantamento da agência Safras & Mercado, até o último dia 30 de maio, já foram vendidos 72% da safra brasileira, o que corresponde a cerca de 62,03 milhões de toneladas de uma produção estimada em 86,62 milhões. 

A melhora do ritmo das vendas foi retomada em maio, quando os preços da oleaginosa no mercado brasileiro atingiram os melhores níveis da temporada, com a soja sendo negociada, em seu pico, a R$ 74,00 por saca. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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