Soja reverte perdas e volta a subir em Chicago nesta 5ª feira

Publicado em 12/06/2014 08:11 1869 exibições

Depois da expressiva queda registrada ontem, os futuros da soja trabalham em campo positivo na manhã desta quinta-feira (12) na Bolsa de Chicago. O mercado, como já adiantavam alguns analistas, passa por uma correção no pregão eletrônico, uma vez que o vencimento julho quebrou importantes patamares de suporte na sessão anterior. 

Nesta quarta-feira (11), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seus novos números do relatório mensal de oferta e demanda, que não trouxeram muitas novidades para a soja e acabaram frustrando o mercado e os traders, segundo explicaram analistas.

"O USDA não trouxe novidades, mas trouxe uma frustração para o mercado, assim, os investidores buscaram realizar lucros, liquidar parte de suas posições, para testar os próximos movimentos", explicou Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Com USDA neutro, soja tem recuo técnico e fecha em baixa na CBOT

O mercado da soja na Bolsa de Chicago fechou a sessão desta quarta-feira (11) em campo negativo e os vencimentos mais próximos lideraram as perdas e encerraram o dia com baixas de dois dígitos. Segundo Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting, o mercado se frustrou com o relatório de oferta e demanda divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que trouxe poucas novidades.

Com um boletim neutro e números que já não refletem com fidelidade a situação real dos Estados Unidos, o mercado registrou mais um pregão de movimentos técnicos e acentuou o recuo no fechamento. "O USDA não trouxe novidades, mas trouxe uma frustração para o mercado, assim, os investidores buscaram realizar lucros, liquidar parte de suas posições, para testar os próximos movimentos", explicou Brandalizze. 

Os estoques finais de soja dos Estados Unidos da safra 2013/14 foram reduzidos de 3,54 milhões de toneladas, estimadas em maio, para 3,4 milhões de toneladas. As exportações e importações norte-americanas foram mantidas e ficaram, respectivamente, em 43,5 milhões e 2,45 milhões de toneladas. Para ambos os números, o mercado apostava em uma revisão para cima, já que as vendas do país, apesar de uma demanda interna também aquecida e de uma severa escassez de produto no país, seguem acontecendo em um ritmo bastante forte.

As exportações de soja dos Estados Unidos, ou seja, o volume da oleaginosa da safra velha já comprometido, já se aproxima de 45 milhões de toneladas, superando largamente a estimativa do USDA, e os embarques efetivos estão muito próximos dessa projeção e já somam quase 93 milhões de toneladas faltando ainda 12 semanas para o encerramento do ano comercial. 

"Essa foi a maior frustração do mercado, pois são números que não são reais. Os Estados Unidos seguem negociando. Nós deveremos ver novos volumes no boletim das exportações semanais e são necessárias mais importações para que as contas fechem", disse Brandalizze. "Por isso o mercado teve esse movimento meramente técnico. Não houve nenhum número que pudesse provocar essa baixa, mas, também, nenhuma novidade para estimular novas altas", completa. 

No entanto, o consultor acredita que, com esse recuo que levou à quebra de alguns patamares de suporte como os US$ 14,60 e, em seguida os US$ 14,50 para o vencimento julho,  os preços deverão esboçar, nos próximos dias, uma correção positiva. Os atuais baixos preços da soja praticados em Chicago podem fortalecer e estimular ainda mais a demanda, que ainda não dá sinais de desaquecimento. E, com a situação ainda crítica nos Estados Unidos, preços mais altos são a única maneira de conter essas compras e nos níveis de preços vistos, isso não acontece.

Safra 2014/15

Para a safra nova, o USDA também não surpreendeu. A estimativa para a temporada 2014/15 dos Estados Unidos é de que a produção alcance as 98,93 milhões de toneladas, com uma produtividade de 51,25 sacas por hectare. As exportações norte-americanas deverão subir para 44,23 milhões de toneladas e o esmagamento chegar às 46,67 milhões de toneladas. O departamento, porém, trouxe um ligeiro recuo nos estoques finais da nova safra que passaram de 8,98 milhões de toneladas, estimadas em maio, para 8,85 milhões. 

Também diante dessa falta de novidade, o mercado exibiu perdas pouco expressivas para os contratos mais distantes. O setembro fechou o dia com 8,50 pontos de baixa, cotado a US$ 12,62, e o novembro, referência para a nova safra dos Estados Unidos, encerrou o dia US$ 12,20, perdendo 8,60 pontos. 

Mercado Interno 

As perdas registradas nesta quarta-feira em Chicago tiveram pouco impacto sobre o mercado brasileiro de soja. Os valores que mais sentiram foram os praticados nos portos, mas que ainda assim foram compensados pelo ganho do dólar frente ao real. No mercado disponível, as cotações pouco se alteraram, uma vez que os negócios aqui no Brasil continuam caminhando em ritmo mais lento e os vendedores estão mais retraídos nesse momento.

No Porto de Rio Grande, o valor da soja disponível caiu 0,57% e fechou a R$ 70,30 por saca e o da soja para maio/2015 ficou em R$ 66,80/saca, com baixa de 0,45%. Já no Porto de Paranaguá, a soja disponível recuou 0,71% e o valor final foi de R$ 70,00. Nos melhores momentos da safra para os preços, registrados em maio, esses valores chegaram a R$ 74,00. 

Veja os números do USDA para a SOJA:

Soja USDA

Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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