Com baixa oferta nos EUA e na América do Sul, soja avança na CBOT

Publicado em 18/06/2014 13:14 1324 exibições

O mercado internacional da soja está com os olhos voltados para a baixa disponibilidade de soja no mundo e, com isso, voltou a subir na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (18). Há pouco produto nos Estados Unidos e na América do Sul, principalmente no Brasil e na Argentina, onde o ritmo de negócios está lento, com os vendedores retraídos e esperando melhores oportunidades de comercialização.

Assim, depois de perder mais de 20 pontos ontem e o patamar dos US$ 14 por bushel no contrato julho, o vencimento ainda mais negociado, os futuros da oleaginosa parecem retomar o fôlego diante dessa necessidade de se racionar a demanda mundial por soja. No melhor momento da sessão até agora, a primeira posição chegou a bater nos US$ 14,19 por bushel e a subir mais de 10 pontos. 

"O mercado internacional está francamente comprador, mas não tem ofertas, e os investidores resolveram corrigir esses números para cima, com a posição julho em situação mais favorável", afirma o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 

Mercado travado na América do Sul

No Brasil, quem ainda carrega soja da safra velha evita novas vendas à espera de um ganho nas cotações. Hoje, porém, o avanço em Chicago mais o prêmio positivo que tem sido pago nos portos brasileiros - com 18 cents acima do praticado na CBOT para julho e 68 cents para o agosto - têm sido ligeiramente pressionado pela queda do dólar. 

Paralelamente, o fator da taxa de câmbio é o protagonista na decisão dos produtores argentinos. Nesta quarta-feira, vieram à tona notícias sobre o impacto global que a decisão sobre a dívida do país pode ter na economia de uma forma geral. O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou para o risco de um possível default e pede atenção para as decisões sobre a reestruturação dessa dívida. 

Um dos primeiros reflexos desse imbróglio foi o rebaixamento da nota de classificação de risco da Argentina pela agência Standard & Poor's de CCC+ para CCC-. 

Diante desse quadro de incertezas, os sojicultores argentinos, que já vinham desestimulados a vender em função da desvalorização do peso frente ao dólar, se retraíram ainda mais. "O produtor argentino segura sua soja porque não sabe qual o rumo de sua moeda (...) E isso tem trazido um reflexo positivo para o mercado como um todo, porque eles não devem vir para o mercado nos próximos dias vendendo", afirma Brandalizze. 

Números do USDA

Confirmando essa intensidade da demanda ainda bastante forte no mercado internacional, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou a venda de 140 mil toneladas de soja da safra 2013/14 para destinos não revelados nesta quarta-feira. 

Amanhã, será reportado o novo relatório de exportações semanais e o departamento norte-americano poderá apontar novos volumes de soja comprometidos, mesmo diante de mais de 45 milhões de toneladas já vendidas, enquanto a última projeção da instituição para todo o ano safra é de 43,5 milhões de toneladas. 

O mercado espera, segundo o consultor, que o USDA traga um volume perto de algo entre 100 mil e 130 mil toneladas de soja vendidas para exportação da temporada 2013/14. 

Longo prazo

Apesar desse quadro positivo para as cotações nesta quarta, principalmente no curto e médio prazo, o volume de negócios nesta semana na Bolsa de Chicago tem sido um pouco menor do que o de semanas anteriores, segundo explica o analista Bryce Knorr, do site norte-americano Farm Futures. 

Os fundamentos seguem mantendo a base de sustentação das primeiras posições, porém, com o clima nos Estados Unidos muito favorável ao desenvolvimento das novas lavouras, os contratos mais distantes têm seu potencial de avanço um tanto limitado. 

Segundo Knorr, as últimas previsões climáticas não mostram qualquer ameaça ao bom desenvolvimento da safra 2014/15 até esse momento e, com isso, o mercado busca se manter próximo da estabilidade. São esperadas apenas chuvas mais fortes desde as Grandes Planícies, onde o cultivo de trigo é bastante expressivo, até o Meio-Oeste americano, principal região produtora de soja e milho do país.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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