Soja: Mercado foca oferta escassa e fecha em alta em Chicago

Publicado em 18/06/2014 16:39 e atualizado em 18/06/2014 17:28 1790 exibições

A quarta-feira (18) foi positiva e, em partes, de recuperação para o mercado da soja na Bolsa de Chicago. Após perdas intensas na sessão anterior, os futuros da oleaginosa reverteram parte do prejuízo e o primeiro contrato conseguiu encerrar o dia acima dos US$ 14 por bushel, com alta de 10,75 pontos. Os ganhos nos demais contratos ficaram entre 1,50 e 8,75 pontos.

A baixa disponibilidade de oferta, não só nos Estados Unidos, mas também na América do Sul, esteve no foco dos negócios nesse pregão, confirmando a força que os fundamentos ainda exercem sobre os curtos prazo. Além disso, ainda há a necessidade de um racionamento da demanda por meio de preços mais altos, que continua sendo papel do mercado. Com isso, no melhor momento da sessão, o julho/14 bateu nos US$ 14,19.

Confirmando essa intensidade da demanda ainda bastante forte no mercado internacional, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou a venda de 140 mil toneladas de soja da safra 2013/14 para destinos não revelados nesta quarta-feira. 

Amanhã, será reportado o novo relatório de exportações semanais e o departamento norte-americano poderá apontar novos volumes de soja comprometidos, mesmo diante de mais de 45 milhões de toneladas já vendidas, enquanto a última projeção da instituição para todo o ano safra é de 43,55 milhões de toneladas. 

O mercado espera, segundo o consultor, que o USDA traga um volume perto de algo entre 100 mil e 130 mil toneladas de soja vendidas para exportação da temporada 2013/14, acredita Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

Baixa comercialização na Argentina

O mercado na América do Sul está travado nesse momento. Na Argentina, de acordo com o Ministério da Agricultura local, apenas 39% da safra já foi comercializada, contra o índice de 45% do ano passado. Com uma safra estimada em 54,5 milhões de toneladas, os sojicultores já venderam cerca de 21,171 milhões de toneladas. 

O ritmo de negócios tem se mostrado bastante lento na nação sulamericana devido, entre outro fatores, à desvalorização do peso frente ao dólar. Há muito os produtores têm optado por ficar com a soja à espera de melhores momentos de comercialização. 

Esse quadro foi intensificado frente às incertezas sobre a economia argentina. Nesta quarta-feira, vieram à tona notícias sobre o impacto global que a decisão sobre a dívida do país pode ter na economia de uma forma geral. O FMI (Fundo Monetário Internacional) alertou para o risco de um possível default e pede atenção para as decisões sobre a reestruturação dessa dívida. 

Um dos primeiros reflexos desse imbróglio foi o rebaixamento da nota de classificação de risco da Argentina pela agência Standard & Poor's de CCC+ para CCC-. 

"O produtor argentino segura sua soja porque não sabe qual o rumo de sua moeda (...) E isso tem trazido um reflexo positivo para o mercado como um todo, porque eles não devem vir para o mercado nos próximos dias vendendo", afirma Brandalizze. 
 
Bons prêmios no Brasil 

Já no Brasil, as recentes perdas registradas em Chicago foram compensadas por bons prêmios pagos nos portos. Também por conta da pouca oferta ainda disponível, em Paranaguá, o prêmio sobre o vencimento julho é de 18 cents acima do valor praticado na CBOT e no contrato agosto esse número sobe para 68 cents. 

Com um mercado francamente comprador e poucos vendedores ativos, esses prêmios saltaram nos últimos dias e refletem o cenário apertado que não se limita só aos Estados Unidos. Dessa forma, o mercado de portos se mostra estável e sem grande impactos das últimas baixas registradas em Chicago. Em Santos e Paranaguá os valores ficaram entre R$ 69,50 e R$ 70,00 por saca, podendo chegar a R$ 70,50 em alguns casos. 

No interior do país, a situação também é de estabilidade, uma vez que poucos negócios estão sendo finalizados. No mercado paraense, por exemplo, as cotações oscilam entre R$ 64,00 a R$ 67,00 nas regiões próximas a Ponta Grossa, ainda segundo Vlamir Brandalizze. 

Nova safra dos EUA

Apesar desse quadro positivo para as cotações nesta quarta, principalmente no curto e médio prazo, o volume de negócios nesta semana na Bolsa de Chicago tem sido um pouco menor do que o de semanas anteriores, segundo explica o analista Bryce Knorr, do site norte-americano Farm Futures. 

Os fundamentos seguem mantendo a base de sustentação das primeiras posições, porém, com o clima nos Estados Unidos muito favorável ao desenvolvimento das novas lavouras, os contratos mais distantes têm seu potencial de avanço um tanto limitado. 

Segundo Knorr, as últimas previsões climáticas não mostram qualquer ameaça ao bom desenvolvimento da safra 2014/15 até esse momento e, com isso, o mercado busca se manter próximo da estabilidade. São esperadas apenas chuvas mais fortes desde as Grandes Planícies, onde o cultivo de trigo é bastante expressivo, até o Meio-Oeste americano, principal região produtora de soja e milho do país.  

Veja como fechou o mercado do milho nesta quarta-feira:

Milho: Mercado busca direcionamento e fecha sessão em terreno misto, próximo da estabilidade

Por Fernanda Custódio

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o pregão desta quarta-feira (18) em campo misto. Os contratos mais curtos fecharam o dia com leves altas entre 1,50 e 2,75 pontos, já os mais distantes exibiram ligeiras perdas e, ficaram próximos da estabilidade. O vencimento julho/14 terminou a sessão cotado a US$ 4,41 por bushel.

Durante todo o pregão, o mercado buscou uma recuperação frente às perdas acumuladas desde o início da semana. Além disso, nos atuais patamares, a margem de rentabilidade dos produtores norte-americanos fica ajustada, uma vez que os custos de produção estão mais altos dos que os valores praticados, conforme destaca o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze.

Por outro lado, o consultor também destaca que os preços da commodity estão baratos, principalmente para o setor de rações e para o setor de etanol. "Consequentemente, podemos ter uma demanda maior, até mesmo do que a estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)", relata.

O órgão norte-americano reportou nesta terça-feira, a venda de 134.500 mil toneladas de milho para o México. O volume deverá ser entregue na safra 2014/15. O órgão deve reportar novo boletim de vendas para exportação de milho dos EUA nesta quinta-feira. 

Em contrapartida, as posições mais longas foram pressionadas pelas boas condições das lavouras norte-americanas. No início da semana, o USDA divulgou que, cerca de 76% das lavouras dos EUA apresentam boas ou excelentes condições, melhor classificação das plantas desde junho de 1994. E as previsões climáticas ainda indicam clima favorável para o desenvolvimento das plantações. 

Ainda segundo projeções do departamento norte-americano, a safra dos EUA deverá totalizar 353,97 milhões de toneladas nesta temporada. E a produtividade já foi estimada em um recorde, de 174,95 sacas por hectare, entretanto, com o clima favorável, a expectativa dos participantes do mercado é que o órgão reporte um aumento na estimativa nos próximos relatórios.

Porém, apesar do cenário positivo, os analistas sinalizam que ainda é preciso acompanhar as notícias do desenvolvimento das plantas, assim como, o clima nos EUA. Nas próximas semanas, as lavouras norte-americanas irão entrar em fase de polinização, estágio crítico de desenvolvimento das plantas.

BMF&Bovespa

As cotações do milho negociadas na BMF operam do lado positivo da tabela no pregão desta quarta-feira (18), véspera de feriado de Corpus Christi, no Brasil. Após as perdas recentes, os preços buscam uma recuperação e também em boa parte do pregão, os contratos acompanharam o movimento no mercado internacional.

Nas últimas semanas, as cotações têm sido pressionadas pelas perdas em Chicago e o câmbio mais fraco. Nesta quarta-feira, o dólar terminou o dia cotado a R$ 2,23, uma desvalorização de 1,46%. Consequentemente, os preços praticados nos Portos estão mais baixos, em relação aos valores registrados no início do ano, em Paranaguá a saca é cotada a R$ 26,50. E as exportações do milho brasileiro ainda estão lentas e a perspectiva é que ganhe ritmo a partir do segundo semestre.

Mercado interno

No mercado interno, as cotações também estão mais baixos, situação decorrente do início da colheita da segunda safra no país. E, apesar da redução na área cultivada nesta safra, o Brasil deverá colher cerca de 45.663,3 milhões de toneladas de milho na safrinha, conforme dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Com isso, na região de Lucas do Rio Verde (MT), por exemplo, as cotações já recuaram e estão entre R$ 12,00 a R$ 12,50, em Cascavel (PR), o valor é de R$ 20,00. E as negociações são lentas, já que de um lado os produtores seguram o produto à espera de melhores oportunidades e, de outro lado, os compradores adquirem o produto da mão-pra-boca, para não pressionar positivamente os preços.

 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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