Argentina: Com possibilidade de calote, vendas de soja seguem travadas

Publicado em 02/07/2014 15:12 e atualizado em 03/07/2014 17:40 842 exibições

Crise na Argentina - Infográfico: G1A comercialização da soja na Argentina continua caminhando a passos lentos e até agora somente 43% da safra 2013/14 foi vendida, segundo informações do Ministério da Agricultura local (Minagri) divulgadas nesta quarta-feira (2). Dessa forma, de uma safra estimada em 54,5 milhões de toneladas, o total vendido é de 23,557 milhões de toneladas. No ano passado, nesse mesmo período, o índice de vendas era de 48%. 

Ainda de acordo com números do Ministério, os embarques já totalizam 3,765 milhões de toneladas e as compras no mercado somam 15,683 milhões. A exportar, portanto, há 11 milhões de toneladas no país. 

Além dos problemas de clima que os produtores argentinos passaram por conta de chuvas excesssivas, as quais atrasaram a colheita dessa safra, as incertezas sobre o futuro da economia da Argentina também desestimulam novos negócios. Os sojicultores têm estado fora do mercado, evitando novas vendas dada a desvalorização do peso frente ao dólar. 

Essas incertezas e a desvalorização do peso se intensificam à medida que a crise na economia do país e as especulações sobre um possível calote de sua dívida crescem e se agravam. Após a crise da dívida de 2002, a nação sulamericana pode sofrer um novo default depois que a justiça dos Estados Unidos obrigaram a Argentina a negociar com seus investidores que não aceitaram reestruturar seus títulos. 

Na última segunda-feira (30), o governo argentino fez o pagamento dos juros de sua dívida reestruturada, porém, o mesmo foi considerado pelo juíz norte-americano Thomas Griesa, de Nova York, como uma ação ilegal. Griesa afirma que antes dos pagamentos deve haver um acordo da Argentina com os credores, os chamados "fundos abutres". O prazo para que não se caracterize a atual situação como um calote é 30 de julho. 

"Os fundos abutres não querem negociar, querem se apropriar do dinheiro dos que negociaram (...) Isso demonstra que os fundos abutres que não querem chegar a uma solução justa, equitativa e legal, que contemple os interesses de 100% dos credores"", diz o título do comunicado do ministério da Fazenda da Argentina.

Atualmente, a Argentina é o terceiro maior exportador de soja do mundo, além de principal fornecedor global de farelo. Assim, caso o país exiba mesmo uma oferta mais reduzida da oleaginosa, o mercado poderia registrar um suporte para as cotações no curto prazo tanto do grão quanto do derivado de soja, já que o momento é de uma demanda mundial presente e crescente. 

"Após o final de agosto, os agricultores argentinos vão segurar 23,25 milhões de toneladas de soja, com um valor de mercado de 12 bilhões de dólares. Sob circunstâncias normais, o que significa dizer sem o problema de reestruturação da dívida, esse volume seria de 18 milhões de toneladas, no valor de 9,3 bilhões de dólares", disse o analista agrícola Pablo Adreani à agência internacional Reuters na última semana.

Leia também:

Na Veja: Argentina quer desbloqueio de pagamento de sua dívida para negociar com credores

A Argentina pressionará o juiz norte-americano Thomas Griesa a aceitar o depósito de aproximadamente 1 bilhão de dólares como forma de pagamento de juros aos credores que já haviam renegociado seu débitos em 2005 e 2010. O chefe de gabinete, Jorge Capitanitch, disse nesta quarta-feira que essa condição é fundamental para que o país negocie com os fundos holdouts, que não aceitaram a negociação da dívida. "Isso condiz com nossa intenção de respeitar a reestruturação de 92,4% de nossa dívida (já renegociada) e dará condições justas para todos os credores", disse Capitanich. "Vamos à reunião com esse objetivo."

Os holdouts, que respondem por menos de 8% do total da dívida argentina, ganharam recentemente na Justiça americana o direito de ter 100% de sua dívida paga pela Argentina. Tais fundos são considerados espécie de agiotas do mercado financeiro. Compram papéis da dívida de países em default por valor irrisório para depois acionarem o país na justiça e receber ganhos muito acima dos demais credores. Os holdouts, também chamados de 'abutres' no mercado financeiro, compraram os papéis da dívida argentina por 48,7 milhões de dólares e querem receber 832 milhões de dólares por meio da Justiça. Contudo, o governo de Cristina Kirchner não quer pagar o valor integral, temendo que os demais credores comecem a questionar a renegociação já feita. 

Leia a notícia na íntegra no site da Veja.

No G1

Fundos não querem negociar, diz governo da Argentina

O governo argentino disse nesta terça-feira (1°) que os "fundos abutres" não querem negociar o pagamento de dívidas. Na última semana, a Justiça dos EUA bloqueou recursos que a Argentina depositou para credores antigos, porque o país foi obrigado a pagar os "abutres", fundos especulativos que não aceitam receber os débitos em parcelas ou com descontos. Os argentinos não podem, portanto, fazer distinção entre os credores e pagar um grupo e não o outro. Desde 2005, os que aceitaram renegociar as dívidas têm recebido, periodicamente, parcelas do governo.

"Os fundos abutres não querem negociar, querem se apropriar do dinheiro dos que negociaram", diz o título do comunicado do ministério da Fazenda da Argentina. O documento afirma que os fundos pediram expressamente que o dinheiro depositado pelo país não chegue "aos legítimos donos", os fundos que renegociaram.

"Isso demonstra que os fundos abutres que não querem chegar a uma solução justa, equitativa e legal, que contemple os interesses de 100% dos credores", disse o ministério.

Leia a notícia na íntegra no site do G1.

Entenda a crise sobre pagamentos das dívidas na Argentina

A Argentina enfrenta uma batalha jurídica em torno dos pagamentos de suas dívidas, que pode levar o país a dar um novo calote em seus credores.

Nesta sexta-feira (27), o pagamento de US$ 1 bilhão feito na véspera pela Argentina a credores da dívida (que recebiam em parcelas) foi considerado "ilegal" e "não será realizado" pelo juiz Thomas Griesa, dos Estados Unidos. Com isso, os recursos do depósito serão bloqueados. Para a Justiça, os argentinos só podem pagar as parcelas quando honrarem o pagamento dos que exigem receber o valor sem descontos ou parcelas. 

Leia a notícia na íntegra no site do G1

Com informações da Veja e do G1. 

Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Os produtores brasileiros também estão segurando a soja porque a economia vai mal e usam produto como hedge contra inflação e uma inevitável firmeza do dólar. Soja é um ativo dolarizado e segurar esse ativo é o mesmo que ter reservas em dólar.

    0