Soja: em mais um dia de perdas, novembro fecha abaixo dos US$ 11/bu

Publicado em 10/07/2014 17:06 2059 exibições

Às vésperas do novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e de condições climáticas bastante favoráveis ao desenvolvimento da nova safra norte-americana, o mercado internacional da soja fechou o pregão regular desta quinta-feira (11) no vermelho novamente, acentuando as perdas no final da sessão. 

Os vencimentos mais negociados encerraram os negócios com perdas de dois dígitos e o vencimento novembro/14, referência para a nova safra dos Estados Unidos, abaixo dos US$ 11,00 por bushel. No fechamento, o contrato fechou valendo US$ 10,93, com baixa de 10,75 pontos. Esse foi o nono pregão consecutivo de baixas e o mercado internacional da oleaginosa já registra, portanto, a mais longa sequência de baixa em 33 anos, segundo a agência internacional Bloomberg.

O instituto de meteorologia MDA Weather Services informou que as temperaturas mais amenas e o tempo úmido devem criar um bom cenário de desenvolvimento para as lavouras da safra 2014/15 e evitar que as plantas passem por algum stress climático nos próximos 10 dias. 

Frente a esse quadro, as estimativas de que a maior safra de soja da história dos Estados Unidos se concretize nesta próxima temporada vêm se fortalencendo e se intensificando, levando os preços a um novo patamar no mercado internacional, segundo explicam analistas. E, até que o mercado se adeque a essa possível nova realidade, os preços devem se manter voláteis e testando importantes patamares de suporte.

Mercado Interno

Apesar do recuo intenso amargado em Chicago neste pregão, os prêmios positivos que vêm sendo pagos pela soja nos portos do Brasil seguem amenizando os prejuízos no mercado interno. Com uma demanda aquecida e pouca oferta disponível, os preços da soja subiram nos portos de Paranaguá e Rio Grande, com 0,74% de alta e R$ 68,00/saca, e 1,54% com R$ 66,00/saca, respectivamente. 

Segundo explicou Flávio França, consultor em agronegócio, as cotações da soja na CBOT recuaram cerca de 12% desde a divulgação do último boletim do USDA estimando uma área recorde de plantio nos EUA - mais de 34 milhões de hectares - , no entanto, justamente em função dos prêmios, a queda sentida pelos produtores brasileiros fica perto dos 5%. 

Expectativas para o USDA

As expectativas para os estoques finais da safra 2013/14 é de que o volume estimado pelo USDA fique em torno de 3,5 a 3,6 milhões de toneladas. Em junho, foram projetadas 3,4 milhões. Já para a safra nova, as expectativas são de que os números do departamento americano saltem de 8,85 milhões, estimadas em junho, para algo em torno de 10 a 11 milhões de toneladas. Para a colheita da temporada 2014/15, espera-se um incremento de 98,93 milhões para 103,12 milhões de toneladas de soja. 

O mercado acredita ainda que os estoques mundiais da nova safra de soja também poderão ser revistos para cima, passando de 82,9 milhões para 84,6 milhões de toneladas. Já os da safra 2013/14 devem registrar somente um ligeiro aumento, passando de 67,2 milhões de toneladas para 67,4 milhões. 

Demanda pela soja americana

Apesar desse intenso e expressivo aumento esperado para a produçõs dos Estados Unidos, as expectativas são de crescimento também da demanda mundial pela oleaginosa. Para o produto da atual temporada, as vendas continuam ativas e o total de soja comprometido pelos EUA já supera em mais de 2 milhões de toneladas o estimado pelo USDA para todo o ano comercial. 

Nesta quinta, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou seu boletim de exportações com os números para a semana que terminou em 3 de julho. 

As vendas semanais de soja da safra 2013/14 totalizaram, de acordo com números do relatório, 56,3 mil toneladas, um volume 39% superior ao registrado na semana anterior. O acumulado no ano, assim, subiu para 45.572,3 mil toneladas, contra a última estimativa do USDA para a temporada que é de 43,550 mil toneladas. O número ficou dentro das expectativas do mercado, que variavam de 100 mil toneladas negativas a 100 mil toneladas. 

Da safra 2014/15, os Estados Unidos venderam, na última semana, 526,5 mil toneladas, contra 431,2 mil da semana anterior. Esse volume também ficou dentro do esperado pelo mercado, que apostava em algo entre 350 mil e 550 mil toneladas. 

Veja também como fechou o mercado do milho nesta quinta-feira:

Milho: Mercado fecha o dia em queda à espera de números baixistas do USDA

As expectativas do mercado para os números que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta sexta-feira (11) referentes à nova safra de milho dos Estados Unidos já indicam um aumento nos estoques e na produtividade da nova temporada no país e, mais uma vez, pressionaram os preços na Bolsa de Chicago na sessão desta quinta-feira (11). 

Entre os principais vencimentos, o setembro e o dezembro/14 já perderam o patamar dos US$ 4,00 por bushel. Nesta sessão, o mercado fechou a US$ 3,86, com 5 pontos de baixa, e US$ 3,92, perdendo 5,25 pontos, respectivamente. 

O relatório mensal de oferta e demanda que deve ser divulgado pelo departamento norte-americano pode trazer, segundo expectativas do mercado, um aumento na produtividade da safra 2014/15 de 174,95 sacas para 176,55 sacas por hectare. Na safra anterior, esse número foi de 168,07 sacas. Já para os estoques finais da nova safra são esperadas 44,02 milhões de toneladas, contra 43,85 milhões estimadas em junho, no último reporte. O número para a produção, no entanto, deverá vir em linha com o que foi divulgado em junho - 353,97 milhões de toneladas. 

Para a safra 2013/14, os estoques também podem apresentar um incremento e passar de 29,11 milhões de toneladas, estimadas no último relatório, para 31,12 milhões de toneladas, ainda de acordo com as expectativas dos traders. 

O mercado aposta ainda em uma alta nos estoques mundiais de milho dessa nova safra para 184,47 milhões de toneladas, o maior desde 2000. Caso esse número se confirme irá superar a o estimado em junho pelo USDA - 182,65 milhões de toneladas. 

Boas condições nos EUA

As condições de clima atuais nos Estados Unidos se mostram muito favoráveis ao desenvolvimento das lavouras da safra 2014/15, o que reforçam o sentimento de que o mercado deverá contar com uma oferta robusta vinda do país nesta próxima temporada. Segundo números do USDA, até o último domingo (6), 75% das lavouras se apresentavam em boas ou excelentes condições e, de acordo com analistas, essa classificação é uma das melhores dos últimos anos.  E as previsões climáticas indicam que esse bom quadro deve permanecer nas próximas semanas. 

"As condições são de tempo úmido e temperaturas amenas, o que não poderia ser melhor para o desencolvimento de culturas como a do milho. E o grão está em sua principal fase de desenvolvimento", disse o analista internacional Tim Hannagan, da corretora Walsh Trading, em Chicago, à agência de notícias Bloomberg. 

Exportações norte-americanas

Para analistas, porém, esses preços mais baixos podem estimular cada vez mais a demanda pelo milho norte-americano. Segundo o relatório de vendas para a exportação divulgado nesta quinta-feira pelo USDA, os EUA exportaram 363 mil toneladas na semana que terminou em 3 de julho. O volume ficou dentro das expectativas do mercado - que eram de 225 mil a 450 mil toneladas - e elevaram o total acumulado no ano a 47.575,9 mil toneladas, contra a última estimativa do USDA de 48,260 milhões de toneladas para todo o ano comercial. 

O departamento informou ainda que, da safra 2014/15, foram vendidas 381,6 mil toneladas na mesma semana, com o volume ficando abaixo da semana anterior - 474,7 mil toneladas. As expectativas do mercado para as vendas da safra nova eram de 400 mil a 650 mil toneladas.  

Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

3 comentários

  • Vilson Ambrozi Chapadinha - MA

    Não podemos esquecer que a maioria da foi plantada tardia nos USA.Em meados de maio aconteceram geadas e nevascas em importantes estados produtores.Portanto estamos somente da metade para o final do primeiro tempo. Em anos de el nino as temperaturas são amenas e as geadas podem ser antecipadas.Se pensarmos em um ciclo medio de 120 dias a maioria da soja dos gringos vai estar pronta só em Outubro,e setembro já é época de geadas.

    0
  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    A chegada da soja importada pela China está 24,3% acima do ano passado e, se continuar nesse mesmo desempenho até setembro próximo, as importações totais poderão somar 74,4 milhões de toneladas de soja neste ano de 2013/14. O número verdadeiro conflita fortemente com a estimativa do USDA de 69 milhões de toneladas, com aumento estimado de 15% sobre as 60 milhões de tons, importadas pela China no ano passado. Entretanto, o maior conflito está na previsão do USDA de importação chinesa de soja em 72 milhões de toneladas para o próximo ano de 2015, que já será ultrapassado este ano. É fácil fazer sobrar um grande estoque quando se manipula os números, porém os fatos reais superam os argumentos. (artigo do www.simconsult.com.br).

    0
  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    A chegada da soja importada pela China está 24,3% acima do ano passado e, se continuar nesse mesmo desempenho até setembro próximo, as importações totais poderão somar 74,4 milhões de toneladas de soja neste ano de 2013/14. O número verdadeiro conflita fortemente com a estimativa do USDA de 69 milhões de toneladas, com aumento estimado de 15% sobre as 60 milhões de tons, importadas pela China no ano passado. Entretanto, o maior conflito está na previsão do USDA de importação chinesa de soja em 72 milhões de toneladas, que já será ultrapassado este ano. É fácil fazer sobrar um grande estoque quando se manipula os números, porém os fatos reais superam os argumentos. (artigo do www.simconsult.com.br).

    0