Soja: Com estoques e safra maior nos EUA, preços têm forte queda

Publicado em 11/07/2014 17:12 4329 exibições

O novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que vinha sendo tão esperado pelo mercado da soja foi divulgado nesta sexta-feira (11) e derrubou os preços da soja na Bolsa de Chicago. Os vencimentos mais negociados perderam entre 18 e 37 pontos, porém, ao longo da sessão regular, as perdas chegaram a superar os 70 pontos em algumas posições. 

Essa sequência de queda, que bateu hoje no décimo pregão negativo consecutivo, é a mais longa em 41 anos, e reflete o expressivo aumento reportado pelo departamento norte-americano para a produção e os estoques finais do país na safra 2014/15. Esses são números que, segundo analistas, levam os negócios da soja a um novo patamar de preços e a um novo cenário de negociações. 

Assim, na sessão desta sexta, o vencimento setembro encerrou o dia perdendo 22,50 pontos e valendo US$ 10,99 por bushel, enquanto o novembro, referência para a nova safra americana, ficou em US$ 10,75, recuando 18 pontos. 

Números do USDA

Os estoques finais de soja dos Estados Unidos na safra 2013/14 foram revisados para cima de 3,4 milhões para 3,81 milhões de toneladas, ficando acima das expecativas do mercado - de 3,5 a 3,6 milhões de toneladas. As exportações do país, por outro lado, subiram de 43,55 milhões para 44,09 milhões de toneladas, bem como o esmagamento, onde foi indicado um aumento de 46,27 milhões para 46,95 milhões de toneladas. 

O USDA informou ainda que o residual do país para a safra velha ficou negativo em 1,88 milhão de toneladas, enquanto as importações da oleaginosa caíram de 2,45 milhões para 2,31 milhões de toneladas. 

Sobre a safra 2014/15, os USDA aumentou suas estimativas para os estoques finais de 8,85 milhões para surpreendentes 11,29 milhões de toneladas. As expectativas do mercado variavam entre 10 e 11 milhões. A produção de soja do país foi projetada em 103,42 milhões de toneladas, contra 98,93 milhões de toneladas estimadas em junho. 

O esperado para as exportações de soja dos EUA também subiram, nesse caso, de 44,23 milhões para 45,59 milhões de toneladas, enquanto o esmagamento estimado é de 47,76 milhões de toneladas, frente ao número de 46,67 milhões do boletim anterior. As importações de soja da nova safra vieram em linha com a última projeção e ficaram em 408 mil toneladas, enquanto o volume residual passou de 490 mil para 520 mil toneladas.  

No cenário mundial, a projeção para a safra 2013/14 subiu ligeiramente, passando de 283,79 milhões para 283,87 milhões de toneladas. Os estoques finais subiram também, passando de 67,17 milhões para 67,24 milhões de toneladas. 

Para Brasil, Argentina e China, os números de produção foram mantidos em, respectivamente, 97,5 milhões, 54 milhões e 12,2 milhões de toneladas, bem como as importações de soja da nação asiática de 69 milhões de toneladas. 

No caso da safra nova, a estimativa para a produção mundial subiu expressivamente e chegou a 304,79 milhões de toneladas, com estoques finais de 85,31 milhões de toneladas. No relatório de junho, a produção foi estimada em 299,99 milhões e os estoques em 82,88 milhões de toneladas. 

O USDA manteve ainda suas projeções para o Brasil de 91 milhões de toneladas e estoques finais em 24,06 milhões; para a Argentina de 54 milhões de toneladas e estoques finais em 32,160 milhões e para a China, com a produção de 12,2 milhões de toneladas e os estoques finais de 13,09 milhões. O estimado para as importações chinesas, no entanto, subiram de 72 milhões para 73 milhões de toneladas. 

Impacto nos Preços

O mercado e os analistas esperam agora uma melhor definição dessa nova safra norte-americana, já que há ainda todo o período de desenvolvimento das lavouras pela frente. No entanto, as condições climáticas atuais são bastante favoráveis e a classificação das lavouras para esse período é uma das melhores dos últimos anos. De acordo com números do USDA, até o último domingo (7), 75% das plantações estavam em boas ou excelentes condições. Esse número será atualizado na próxima segunda-feira (14). 

Além disso, Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, explica ainda que são esperadas informações mais concretas também sobre a nova safra da América do Sul, já que devem contribuir para uma definição do rumo dos negócios. 

"Esse estoque final mundial de soja, com um aumento de 4% ao ano, resultaria em um estoque final na casa de 100 milhões de toneladas, com um aumento de 33 milhões em relação à temporada anterior. É isso que o mercado está estimando e esse é um dos principais motivos para esse balde de água fria que temos para as cotações da soja em Chicago. 

Mercado Interno

No Brasil, os preços também recuam, tanto para a soja disponível quanto o produto da nova safra. Somente nesta sexta-feira, os preços nos portos de Paranaguá e Rio Grande para a soja 2013/14 caíram, respectivamente, 1,67% - R$ 67,00 por saca - e 1,52%, com a saca valendo R$ 65,00. 

"Isso mostra, cada vez mais, a importância do produtor tomar decisões, investir tempo no gerenciamento do risco de preços", explica Araújo. Assim, o analista reforça a necessidade que o produtor tem também de acompanhar a movimentação do dólar, inclusive na hora de fechar as contas para o custo de produção, os quais devem registrar um expressivo aumento nessa próxima temporada. 

"Há uma expectativa de melhora na economia americana, o que desvalorizaria o real ainda mais, e isso beneficiaria o produtor brasileiro vendendo sua soja em reais, temos esse fator positivo que contribui para a renda do sojicultor", diz. "Mas é preciso ficar atento, estamos passando por uma transição no cenário da soja, de um mercado antes escasso de oferta e com uma demanda muito acentuada, migrando para um quadro de muita oferta e a demanda não aumentando tanto assim. Assim, esse efeito cambial será decisivo para a renda do produtor", completa. 

Veja os números do USDA para a soja:

Tabela Soja - USDA Julho

Veja ainda como fechou o mercado do milho nesta sexta-feira:

Milho: após USDA, mercado fecha o dia com menor patamar em 4 anos na CBOT

Os números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) foram divulgados nesta sexta-feira (11) e levaram os preços do milho para baixo dos US$ 4,00 por bushel na Bolsa de Chicago em seus principais vencimentos. Segundo informações da agência internacional Bloomberg, as cotações recuaram para seus níveis mais baixos em quatro anos. O vencimento setembro/14, referência para a safra norte-americana, encerrou o dia perdendo 8 pontos, cotado a US$ 3,78 por bushel, o contrato dezembro fechou os negócios valendo US$ 3,84, com a mesma queda. 

Os estoques finais norte-americanos de milho dos Estados Unidos na safra 2014/15 foram estimados pelo USDA em 45,75 milhões de toneladas. As expectativas, no entanto, eram de algo na casa dos 44,02 milhões de toneladas e, no boletim de junho esse número foi de 43,85 milhões. Por outro lado, a projeção para a safra do país caiu de 53,97 milhões para 352,06 milhões de toneladas. A produtividade, no entanto, foi mantida em 174,95 sacas por hectare, enquanto as expectativas do mercado eram de 176,55 sacas.

O relatório trouxe ainda números menores para as áreas plantada e colhida de milho no país, que caíram de 37,1 milhões para 37,07 milhões de hectares, e de 34,1 milhões para 33,91 milhões de hectares, respectivamente. 

O USDA acredita ainda que serão utilizadas 128,3 milhões de toneladas para a fabircação de etanol e que as exportações do país totalizem 43,2 milhões de toneladas, números que vieram em linha com o reportado em junho. 

Os números para o milho dos Estados Unidos referentes à safra 2013/14 vieram com pouca alteração. Somente os estoques finais foram revisados para cima, passando de 29,12 milhões para 31,25 milhões de toneladas. O uso do cereal para o etanol também passou por um ligeiro aumentou e ficou em 128,91 milhões de toneladas, contras as 128,3 milhões do relatório anterior. 

Todos esses números que se referem à nova safra norte-americana refletem as boas condições de clima que vêm sendo registradas nos Estados Unidos. São temperaturas amenas e chuvas de bons volumes e bem distribuídas, o que tem feito com que a classificação das lavouras recém implantadas seja a melhor dos últimos anos para esse período. 

E as previsões são de que esse bom quadro climático continue. O instituto meteorológico MDA Weather Services informou que, na próxima semana, as plantas não deverão sofrer com um stress climático por conta de seca ou calor, já que o clima mais ameno deve prevenir situações como essas.

"Nós esperamos um cenário menos positivo para os preços porque as condições das lavouras continuam muito boas e as expectativas são de grandes safras. Há pouco combustível no mercado que aumente o interesse (de fundos, principalmente), por compras", disse Sterling Smith, especialista em futuros do Citigroup, em Chicago, à Bloomberg. A instituição financeira aposta em um preço médio do milho na casa dos US$ 3,70 por bushel na CBOT no quarto trimestre do ano. 

Mercado Interno

Os reflexos dessas últimas baixas em Chicago já podem ser sentidos no mercado interno, onde os preços seguem presssionados não só por esse movimento negativo, como também pelo avanço da colheita da safrinha aqui no Brasil. 

Segundo explicou Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, com esse valor no patamar de US$ 3,70 para o vencimento setembro em Chicago, que é referência para o cereal brasileiro, mais os prêmios de exportação, o valor chegaria a US$ 194,00/tonelada nos portos, o que equivaleria a R$ 24,70 por saca sobre-rodas. 

No entanto, no interior do estado, o preço pago ao produtor é ainda menor, uma vez que é descontado o valor do frete. Com esse quadro, para a cidade de Sorriso, no Mato Grosso, com um frete cidade-porto na casa de R$ 280,00/tonelada, o preço final seria de apenas R$ 7,90/saca. 

Diante desse novo patamar de preços dos grãos, não só no mercado internacional, mas, principalmente no mercado interno, a atenção total do produtor deve estar nos custos de produção e no aumento que esses já vêm registrando. 

"Isso mostra, cada vez mais, a importância do produtor tomar decisões, investir tempo no gerenciamento do risco de preços", explica Araújo. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • salvador reis neto santa teresa do oeste - PR

    soja a 65 ate 67 no balcão da cooperativa em plena a colheita, ai teve produtor que não vendeu queria mais, assumiu o risco de ganhar ou perder, foi ganancioso por que este preço era ótimo, agora na campanha de insumos para a próxima safra tinha contrato a 60 reis a saca muitos acharão pouco eu fiz 50% vendi antecipado visto que o custo de produção e praticamente o mesmo do ano passado. veja que ironia quem não aproveitou os bons momentos do mercado, agora quer colocar a culpa no Liones Severo, e´ brincadeira, amigos meus dizia vou segurar a soja e só vou vender a cem reis a saca eu respondi se demorar alguns anos não fique nervoso, e nem bote a culpa em ninguém, a final a decisão dos seus negócios e sua. e vamos em frente.

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